Vilma aparecida miranda


QUALIDADE DE VIDA E AUTONOMIA DO IDOSO



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2 QUALIDADE DE VIDA E AUTONOMIA DO IDOSO

2.1 QUALIDADE DE VIDA

A origem do termo Qualidade de Vida vem das áreas da Economia e da Saúde, datando do período do Renascimento, quando o homem começou a formar uma nova consciência de sua existência, propondo uma sociedade perfeita (utópica) que se preocuparia com questões como o trabalho, a nutrição, os exercícios, o lazer, a atividade sexual, e outros, importantes constituintes para a qualidade, o bem estar e a saúde da população (BUENDIA , 1997, p. 130).

Para a Organização Mundial da Saúde, a qualidade de vida pode ser definida como “a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações” (WHO, 1998 p.17).

Para Buendia (1997, p. 131), a qualidade de vida é estimada pelo modo, nível, condições e estilo de vida, integrando a estes uma estrutura conceitual de um enfoque biossocial de saúde.

A qualidade de vida se relaciona à autoestima e ao bem estar pessoal, abrangendo diversos aspectos como a capacidade funcional, nível socioeconômico, estado emocional, interação social, atividade intelectual, autocuidado, suporte familiar, o próprio estado de saúde, valores culturais, éticos e a religiosidade, estilo de vida, satisfação com o emprego e/ou atividades diárias e o ambiente em que se vive. Dessa forma, devido a essa diversidade de aspectos, o conceito de qualidade de vida varia de autor para autor, sendo, além disso, um conceito dependente do nível sociocultural, da faixa etária e das aspirações pessoais do indivíduo (VECCHIA et al., 2005).

Na área da saúde, o interesse pelo conceito de qualidade de vida é recente, sendo, em parte, resultado dos novos modelos das políticas e práticas do setor nas últimas décadas, que entendem que a melhoria da qualidade de vida constitui um dos resultados esperados, tanto das práticas assistenciais quanto das políticas públicas para o setor nos campos da promoção da saúde e da prevenção de doenças (SEIDL & ZANNON, 2004).

Desde a década de 1990, os estudiosos da área vêm ressaltando dois aspectos relevantes do conceito de qualidade de vida: subjetividade e multidimensionalidade. No que se refere à subjetividade, trata-se de considerar a percepção da pessoa sobre o seu estado de saúde e sobre os aspectos não-médicos do seu contexto de vida. Em outras palavras, como o indivíduo avalia a sua situação pessoal em cada uma das dimensões relacionadas à qualidade de vida (WHOQOL GROUP, 1995).

Na atualidade, qualidade de vida deixou de ser apenas uma vida sem doenças físicas, mas, acima de tudo, a busca da felicidade e satisfação pessoal, em todos os aspectos da vida, âmbito profissional, social, fisiológico, emocional e espiritual, em um conjunto de equilíbrio harmonioso (COSTA et al., 2000).

Segundo Nahas (2001), existe um consenso entre pesquisadores de que são múltiplos os fatores que determinam a qualidade de vida do ser humano e da sociedade. A combinação desses fatores (estado de saúde, longevidade, satisfação no trabalho, salário, lazer, relações familiares, disposição, prazer e até espiritualidade) determina a qualidade de vida.

Na terceira idade, o termo qualidade de vida pode ser definido como a manutenção da saúde, em seu maior nível possível, em todos os aspectos da vida humana: físico, material, social, psicoespiritual (OMS, 1998).

Para Neri (2004, p. 2), o aumento do interesse pela qualidade de vida dos idosos surgiu em decorrência da extensão da longevidade associada à crença de que a velhice patológica acarreta altos custos para o indivíduo e para a sociedade. O autor afirma ainda que:

O medo e a negação da velhice, associados às aspirações individuais e coletivas de retardar seu início e de manter a saúde, a funcionalidade e a aparência dos adultos jovens, foram e são fundamentais ao fortalecimento do interesse por caracterizar e promover boa qualidade de vida na velhice (NERI, 2004, p. 2).

Enfim, pode-se afirmar que uma velhice com qualidade de vida é o somatório de tudo quanto beneficie o idoso como um todo. Para Pacheco e Santos (2004), qualidade de vida é a preservação do prazer em todos os aspectos, o prazer de ter um corpo saudável aceitando os seus limites, o prazer de interagir com a sociedade e o prazer de compartilhar e aprender.

O envelhecimento bem sucedido pode ser considerado aquele do qual resulta um sujeito ativo com possibilidades de regular sua vida (SOUZA et al., 2003).

Deve, portanto, ser a preocupação central daqueles que se ocupam da qualidade de vida dos idosos, a manutenção de sua independência e autonomia, a continuidade de papeis sociais, a aceitação e o envolvimento social, o conforto e a segurança ambientais, condições econômicas que lhes permita uma vida digna, disponibilidade de serviços de saúde e políticas sociais voltadas à assistência e ao cuidado.




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