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O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA



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1.2 O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA

A transição demográfica no Brasil, assim como na maioria dos países em desenvolvimento, vem ocorrendo de maneira um pouco diferente da que aconteceu nos países desenvolvidos e, sobretudo, muito mais rapidamente, devido ao rápido declínio da fecundidade no país, enquanto nos países europeus isso ocorreu mais lentamente. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2000), a expectativa média de vida ao nascer do brasileiro aumentou de 66 para 68,6 anos na última década e o que os países europeus levaram aproximadamente um século para fazer, o Brasil fará em trinta anos, dobrar a proporção de idosos de sua população de 7% para 14% (KELLER, 2002).

Convém ressaltar que, embora a fecundidade seja o principal componente da dinâmica demográfica brasileira, em relação à população idosa, é a longevidade que vem progressivamente definindo sua evolução. No Brasil, também começa a acontecer outro fenômeno observado mundialmente, que é o maior crescimento proporcional dos grupos etários mais elevados (maiores de 75 anos). Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD 2009, o País contava com uma população de cerca de 21 milhões de pessoas de 60 anos ou mais de idade. Com uma taxa de fecundidade abaixo do nível de reposição populacional, combinada ainda com outros fatores, tais como os avanços da tecnologia, especialmente na área da saúde, atualmente o grupo de idosos ocupa um espaço significativo na sociedade brasileira. No período de 1999 a 2009, o peso relativo dos idosos (60 anos ou mais de idade) no conjunto da população passou de 9,1% para 11,3% (IBGE, 2010).

O crescimento da população de idosos é um fenômeno mundial ocorrendo, inclusive, nos países menos desenvolvidos. No Brasil, a expectativa média de vida vem aumentando e, para o período de 2000 a2025, a estimativa fica próxima dos 80 anos, atingindo os níveis observados em 2000 nos países desenvolvidos (CERQUEIRA et al., 2006).

Dados mostram que a revolução demográfica brasileira constitui uma conquista e uma responsabilidade para os gestores públicos e a sociedade. É crucial investir na promoção da autonomia e da vida saudável desse grupo social, assim como prover atenção adequada às suas necessidades. Esse novo tempo dos velhos requer planejamento, logística, formação de cuidadores e, sobretudo, sensibilidade para saber que de agora em diante a população idosa veio para ficar e continuará aumentando até os anos 2050 (MINAYO, 2012, p. 208).

Tal fato está relacionado de forma direta com as condições mais adequadas de saneamento básico, com a maior disponibilidade de acesso a serviços de saúde para um maior número de indivíduos e com a diminuição do índice de mortalidade infantil e taxas de natalidade (PASCOAL et al., 2006).

Acrescenta-se, portanto, que a melhoria da qualidade de vida e os avanços da medicina ocorridos nas últimas décadas foram responsáveis por um significativo aumento da expectativa de vida da população. Segundo Veras,

A longevidade da população é um fenômeno mundial que traz importantes repercussões nos campos social e econômico. Este processo, no entanto, vem se manifestando de forma distinta entre os diversos países do mundo. [...] no grupo dos países chamados em desenvolvimento, tendo o Brasil como exemplo, este processo se caracteriza pela rapidez com que o aumento absoluto e relativo das populações adulta e idosa modificou a pirâmide populacional (VERAS, 2003, p. 6).

A população brasileira, que até as décadas de 1970 e 1980, era considerada jovem, conta, atualmente, com cerca de 23% dos indivíduos com idade superior a 60 anos, na chamada Terceira Idade. A população brasileira que já se encontra acima dos 60 anos soma aproximadamente 14,3 milhões de habitantes, projetando para o ano 2025 um crescimento da população idosa que colocará o Brasil como o sexto país do mundo no ranking dos países com o maior número de idosos entre os seus habitantes (CORAZZA, 2001).

A mudança neste perfil, para Barreira & Vieira (2004, p. 332), é resultado de transformações sociais, econômicas e culturais na vida da população, “acarretando novos olhares e planejamentos, para contemplarem suas expectativas de saúde, bem como atender às demandas biopsicossociais visando ao equilíbrio do processo vital”.

No Brasil o processo de transição demográfica vem ocorrendo de forma heterogênea, associado às desigualdades sociais. Neste sentido, Veras (2003, p. 12) relata que “a população idosa se constitui como um grupo bastante diferenciado, entre si e em relação aos demais grupos etários, tanto do ponto de vista das condições sociais quanto dos aspectos demográficos”.

Séculos atrás, o indivíduo era considerado velho aos 40 anos, havendo um crescimento da longevidade e expectativa de vida com o passar dos anos. Atualmente, a expectativa de vida do brasileiro é de 68,6 anos, ocorrendo um aumento de 2,6 anos de 1991 para 2000, como analisa Berzins (2003).

Vários pesquisadores vêem a velhice como um problema social, alerta Almeida (2003), pois demandam gestão e administração dos serviços de saúde e a remuneração da velhice, devido a aposentadoria, pensão e outros benefícios. No mesmo sentido, Bruno afirma que,

É preciso deflagrar uma revolução social e cultural que possibilite, de um lado, a efetivação de políticas publicas que respondam às necessidades do segmento, e, de outro, tão importante quanto, o investimento na mudança da percepção que a comunidade familiar e social tem sobre o envelhecimento e a velhice (BRUNO, 2003, p. 76).

Assim, para Salimene (2003), estudar o envelhecimento é essencial para que o país se prepare para os desafios que irá enfrentar na criação de políticas públicas e programas de atendimento específico, que atendam às demandas e necessidades dos idosos, assim como de sua qualidade de vida.

Segundo Medeiros (2003, p. 189), “o idoso quer viver, mesmo sendo velho, sabendo que porque já viveu muito pode contar com a ajuda de sua experiência para viver mais plenamente”. Desta forma, a velhice deve ser encarada como uma conquista e não como um peso para a sociedade, para o poder público e para a família que, apesar de todas as mudanças pelas quais vem passando ao longo dos anos, ainda é o melhor local de acolhimento ao idoso.

Com os dados do IBGE (2010), é possível traçar um breve perfil socioeconômico deste segmento populacional. As mulheres são a maioria (55,8%), assim como os brancos (55,4%), enquanto 64,1% ocupavam a posição de pessoa de referência no domicilio. A escolaridade dos idosos brasileiros é ainda considerada baixa: 30,7% tinham menos de um ano de instrução. Pouco menos de 12,0% viviam com renda domiciliar per capita de até ½ salário mínimo e cerca de 66% já se encontravam aposentados.

As pessoas de 60 anos ou mais de idade, segundo algumas características no Brasil (IBGE, 2010): previdência social (57,9% aposentados), aposentados (11,4%), pensionistas (8,1%), outros (22,6%). Renda domiciliar per capita ou seja o BPC: 43,2% recebem até um salário mínimo; 29,0% entre 1 a 2 salários mínimos; 22,9% mais de 2 salários mínimos. No que se refere aos anos de estudo, 50,2% possuem menos de 4 anos; 32,30% entre 4 a oito anos; e 17,4% possui 9 ou mais anos de escolaridade. É possível ver, por meio das estatísticas destes dados, que os aposentados com um salário mínimo superam as pessoas com poder aquisitivo maior, portanto nosso país é rico, porém ainda existe um alto índice de aposentados ganhando salário mínimo, sendo um grande desafio para esses idosos manterem, até o final de suas vidas, a autonomia, conseguindo controlar sua própria vida sem depender de outrem.






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