Vilma aparecida miranda



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1.1 ENVELHECIMENTO X VELHICE

De acordo com Papaléo Netto (2007), o envelhecimento (processo), a velhice (fase da vida) e o velho (resultado final) constituem um conjunto cujos componentes estão intimamente relacionados.

Considera-se o envelhecimento como um processo, pois tem início no nascimento e o término com a morte, sendo um fenômeno que ocorre ao longo da história de todas as sociedades, apresentando, no entanto, características diferenciadas segundo a cultura, o tempo e o espaço (WRUBLEVSKI & PEIXE, 2008).

O envelhecimento pode ser compreendido como um processo evolutivo que se inicia no nascimento e termina com a morte. Dessa forma, envelhecer representa um desgaste das capacidades fisiológicas do indivíduo, seja de um modo progressivo discreto ou grave (MELO & GIOVANI, 2004).

As principais alterações provocadas pelo envelhecimento estão relacionadas à aptidão física, nas variáveis antropométricas, metabólicas e neuromotoras. Dentro destas variáveis, a diminuição da força muscular é, entretanto, um dos fatores que está mais diretamente relacionado com a independência funcional em pessoas idosas, podendo significar a diferença entre uma vida autônoma ou não (RASO, 1997).

No que se refere ao envelhecimento biológico, Matsudo et al. ressaltam que,

O envelhecimento é um processo que, do ponto de vista fisiológico, não ocorre necessariamente em paralelo com o avanço da idade cronológica, apresentando considerável variação individual. Tal processo é marcado por um decréscimo das capacidades motoras, redução da força, flexibilidade, da capacidade cardiorrespiratória, o que dificulta a realização das atividades da vida diária na manutenção de um estilo de vida saudável (MATSUDO et al., 2000, p. 21).

São grandes as modificações biológicas que ocorrem no organismo dos idosos, podendo ser observadas em todos os aparelhos e sistemas: muscular, ósseo, circulatório, pulmonar, endócrino e imunológico. Caracterizam-se pela perda das reservas funcionais, embora dependam também dos determinantes genéticos que regulam a longevidade e das condições e estilo de vida (PASCOAL et al., 2006).

Para Nadai,

Fisiologicamente, o organismo sofre alterações provenientes do processo natural de envelhecimento, da falta de atividade física, da má nutrição, presença de doenças nas fases anteriores da vida e outros fatores, que em geral provocam um enfeiamento, uma redução da habilidade motora, do desempenho e do rendimento motor, dificultando a execução das tarefas diárias (NADAI, 1995, p. 121).

O envelhecimento acarreta modificações na massa e na composição corporal. Segundo Guimarães & Pires Neto (2007), estas alterações, muitas vezes, estão relacionadas à diminuição do gasto energético diário pelo indivíduo. A importância da função muscular na autonomia do idoso reside no fato da força associar-se inegavelmente a uma grande quantidade de atividades cotidianas.

Uma das mais evidentes alterações que acontecem com o aumento da idade cronológica é a mudança nas dimensões corporais. Com o processo de envelhecimento, existem mudanças principalmente na estatura, no peso e na composição corporal. Apesar do alto componente genético no peso e na estatura dos indivíduos, outros fatores, como a dieta, a atividade física, fatores psicossociais e doenças, dentre outros, estão envolvidos nas alterações desses dois componentes, durante o envelhecimento (MATSUDO et al., 2000, p. 23).

Com a idade, ocorre também um declínio da densidade mineral óssea em ambos os sexos, mas especialmente em mulheres após a menopausa, sendo um dos principais fatores de risco a fraturas no quadril. Um dos principais fatores que levam o indivíduo à perda funcional, acarretando um aumento da fragilidade e perda da independência é a diminuição da massa muscular. Neste sentido, Krause et al. relatam que,

As modificações na massa corporal e estatura também são verificadas com o processo de envelhecimento. O achatamento dos discos intervertebrais, aumento das curvaturas da coluna e diminuição do arco plantar são os principais responsáveis pelas alterações na estatura, enquanto a massa corporal é prioritariamente influenciada pelas mudanças na massa magra corporal (KRAUSE et al., 2006, p. 74).

Entretanto, vale ressaltar que envelhecer não significa necessariamente adoecer. O indivíduo pode envelhecer de forma natural, sabendo conviver bem com as limitações impostas pelo passar dos anos e mantendo-se ativo até fases tardias da vida (senescência); ou de maneira anormal (patológico), no qual o indivíduo sofre o efeito negativo das doenças e problemas que podem afetar o idoso (senilidade), fazendo com que haja uma incapacidade progressiva para uma vida saudável e ativa.

Segundo Neri (1995, p. 13), “a concepção emergente é a de que o desenvolvimento comporta simultaneamente ganhos e perdas”. Nessa perspectiva, o envelhecimento é considerado uma fase do desenvolvimento como outra qualquer. É, portanto, o resultado e o prolongamento de um processo, caracterizado primordialmente pela idéia de mudança, em que a cada instante o equilíbrio das funções se perde e se reconquista, através das mutações e adaptações biológicas.

A velhice não é definível por simples cronologia e sim pelas condições físicas, funcionais, mentais e de saúde do indivíduo, sendo este processo pessoal e diferenciado. Nessa perspectiva, o envelhecimento humano constitui a soma de vários processos entre si, os quais envolvem aspectos biológicos, psicológicos e sociais (OKUMA, 1998)

A perspectiva psicológica defende o equilíbrio entre as limitações e as potencialidades do indivíduo, o que lhe permite lidar com as inevitáveis perdas que o processo de envelhecimento pode provocar em diferentes situações e graus de eficácia. Neri (1995) acredita que viver uma velhice satisfatória, pelo seu caráter sociocultural, excede a responsabilidade pessoal, tornando-se, então, o resultado da qualidade da interação entre indivíduos em mudança em um contexto em constante transformação.

Não se pode restringir o envelhecimento analisando apenas sua variabilidade biológica, pois existem conotações políticas, ideológicas, culturais, psicológicas e sociais que devem ser levadas em conta. Segundo Farinatti (2008), o envelhecimento é construído tanto biológica quanto socialmente.

Quanto ao aspecto social, apesar de todos os programas e projetos que são oferecidos pelo governo, encontrados em algumas empresas e seguimentos sociais, onde o discurso oficial prega o respeito em relação ao idoso, a sociedade busca convencê-los a se afastar dos cargos de liderança, alienando-os da autoridade e do poder, em favor dos mais jovens. A sociedade, hoje, como afirma Beauvoir (1990, p. 550), “só concede lazeres aos velhos, tirando-lhes os meios materiais para aproveitá-los.

Não é incomum a relação entre jovens e idosos ser distanciada e marcada pela indiferença, não existindo uma reciprocidade, que pode se traduzir numa tolerância sem o calor da sinceridade. Nas palavras de Bosi (1997, p. 78), “não se discute com o idoso, não se confrontam opiniões com as dele, negando-lhe a oportunidade de desenvolver o que só se permite aos amigos: a alteridade, a contradição, o afrontamento e mesmo o conflito”.

Mesmo no seio da família há uma intolerância velada com os mais idosos. Este passa de responsável pela constituição e manutenção da família, de elemento integrador e gerador de equilíbrio, respeito e sobrevivência dos membros do grupo, para, em alguns casos, ser apenas mais um integrante desse mesmo grupo. Ao explicitar o comportamento do adulto no interior das famílias, Bosi (1997, p. 78) afirma que “a cumplicidade dos adultos em manejar os idosos, em imobilizá-los com cuidados para seu próprio bem, utilizando-se de atitudes autoritárias, além de serem arbitrárias, são, sobretudo, ações desumanas”.

Tanto a sociedade em geral quanto o meio acadêmico ainda possuem dificuldades em lidar com as questões relativas ao envelhecimento, até mesmo nos países onde o envelhecimento populacional é mais antigo e com maiores proporções. Dessa forma, acredita-se que no Brasil tal fato se apresenta de forma ainda menos favorável, pois o envelhecimento populacional é bem mais recente (TEIXEIRA & OKUMA, 2004).




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