Vicios contemporâneos: internet, consumo, malhar, etc



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Depleção simbólica e sofrimento narcísico contemporâneo

Marion Minerbo

Resumo

A autora estuda certos comportamentos compulsivos contemporâneos, relacionando-os ao sofrimento narcísico ligado à depleção simbólica que caracteriza nossa civilização. Diante do desamparo identitário gerado pela fragilidade do símbolo, o sujeito pode lançar mão de dois tipos de comportamentos que apresentam características aditivas: a) os que visam produzir excitação psíquica, tais como o uso de substâncias psicoativas artificiais (as drogas propriamente ditas) ou naturais (as endorfinas); b) os que estão a serviço da construção da identidade a partir de elementos colhidos na cultura, tais como o consumo de griffes, o uso jovem da tatuagem e o uso jovem do Orkut. Neste último caso, a identidade se reifica e está fora do espaço psíquico, o que torna “experiência de ser” fugaz, precisando ser continuamente repetida, daí sua dimensão aditiva. Como contraponto, finaliza apresentando um caso de “compulsão pela internet” mostrando de que maneira a própria internet foi usada na sala de análise como instrumento terapêutico.

Unitermos: fragilidade do símbolo, desamparo identitário, compulsão, adição, subjetividade contemporânea.

Introdução

O termo depleção é usado em medicina e significa redução de alguma substância no meio celular, com prejuízo de seu funcionamento. Por exemplo, a depleção de ferro no organismo produz anemia, tendo como conseqüência uma extrema fraqueza e falta de ar.

Pareceu-me uma boa metáfora para falar do que vem acontecendo com o aparelho psíquico e seu funcionamento no contemporâneo. Temos observado na clínica uma diminuição mais ou menos drástica de um elemento essencial à sua constituição: o símbolo. O sujeito em sofrimento psíquico – sofrimento este relacionado ao prejuízo da função simbólica – acaba fazendo uso de comportamentos sintomáticos para compensar esta situação, procurando manter, tanto quanto possível, sua homeostase narcísica.

Nesse sentido, poderíamos dizer que a depleção simbólica produz uma “anemia psíquica”. Em outro texto (Minerbo, 2008), vimos de que maneira a realidade é convocada a dar sustentação ao símbolo frágil. Traremos aqui dois fragmentos clínicos para ilustrar esta forma de sofrimento psíquico e alguns destes comportamentos defensivos. Vale notar, no entanto, que a forma de subjetividade que se constitui em meio à desnaturação da ordem simbólica, apresenta um modo de ser que se aproxima daquilo que, na patologia, ultrapassou o limiar daquilo que é socialmente esperado. Assim, nosso foco será mais a subjetividade contemporânea e algumas de suas características, do que, propriamente, a patologia.

O termo depleção também me pareceu oportuno porque evoca, como num ato falho, a palavra depressão. É que o estado de vazio existencial, cujo afeto mais característico é o tédio, a apatia (sem pathos, sem paixão) vem sendo descrito – a meu ver equivocadamente – como depressão. Nesta, o afeto característico é a dor e a tristeza pela perda de um objeto significativo. O que vemos na clínica da depleção simbólica é uma pseudo-depressão.




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