Valmari Nogueira Em nome do amor



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Valmari Nogueira


Em nome do amor

I

O arrebol da aurora tingiu o horizonte de um intenso brilho incandescente. Era o prenúncio do alvorecer de mais um belo dia, que seria igual a tantos outros que ali nascem não fosse a grande movimentação de pessoas que se aglomeravam na rua. O entra-e-sai de parentes da moça, moradora da casa número 206, da Rua Tobias Barreto, chamou a atenção da vizinhança e de transeuntes curiosos. Todos queriam saber detalhes do que ali se passava.

Naquele dia a residência do carrancudo Herculano transformou-se num verdadeiro pandemônio em virtude do sumiço de sua filha mais velha. A menina anoiteceu, mas não amanheceu em casa. Sua esposa Inês – em copiosos prantos - era só lamento e desabafo. O pobre do marido já não aturava mais o bombardeio de impropérios desferidos contra si, pela mulher, culpando-o pelo acontecido. Tomando-se como ponto de partida a implicância nutrida por Herculano, referente ao namoro da filha, a primeira suspeita recaia sobre a fuga da menina com o namorado.

- Viu aí no que resultou a birra que você alimentava contra o rapaz, Herculano? – Interrogou a mulher. – Viu no que deu? – Tornou Inês, com veemência.

- Custava você aceitar o namoro dela com o filho de Miguel?

Custava seu Herculano?A esposa o interrogou mais uma vez. - Pelo menos era um rapaz conhecido nosso... Quer saber mais seu Herculano? Eu não via nada de mais nele que pudesse impedir que os dois se namorassem. – Insistiu.

- Mulher eu não criei filha pra namorar um calhorda qualquer não. Respondeu incontinenti o marido. - O sujeito só quer viver na gandaia. Jogando boca de calça, rua acima rua abaixo. Trabalhar que é bom, não quer. Um tipo assim não serve pra nosso genro não Inês! Vê se pelo menos uma vez na vida você me compreende e me dá razão! Ademais você também é culpada disso ter acontecido. Você apoiava o namoro daquele sujeito com nossa filha. – Recriminou o pobre homem.

– Infelizmente esse infortúnio bateu em nossa porta. – tornou Herculano. - Jamais pensei que uma situação dessas viesse acontecer dentro da nossa casa, mas parece que aconteceu. Agora não adianta chorar rios de lágrimas. Só nos resta tentar localizá-los, a fim de que aquele infeliz – se realmente foi ele que raptou a nossa filha - possa reparar o constrangimento que está nos causando e venha a se casar com ela, ainda que debaixo de varas... Embora seja um casamento contra a minha vontade, se não o realizarmos vamos ter o desprazer de ver a honra de nossa filha enxovalhada por uma corja de vagabundos que não faz outra coisa na vida a não ser difamar as pessoas de bem. – Argumentou.

- Por causa desses seus conceitos, e de suas birras, você viu no que deu! –Retrucou Inês. - Nossa menina ganhou o mundo. Agora, o que será dela, uma criaturinha ingênua que não conhece nada da vida, por aí afora entregue às mazelas desse mundo cão? Que o nosso bom Deus proteja nossa filhinha!

– Vertendo em lágrimas, a pobre esposa implorou ao altíssimo melhores dias para a sua filha, aonde quer que ela esteja.

- Por que ela não pensou nas conseqüências - que seu tresloucado ato pudesse ocasionar, antes de tomar uma decisão radical como essa? - Rebateu Herculano. – Responda-me por que Inês? Responda-me?Insistiu.

Diante do silêncio da esposa –, continuou Herculano: - que eu não ponha as mãos nela, pois acaso isto venha acontecer não me responsabilizo pelas conseqüências dos meus atos. Ora mulher, ela não queria aceitar os meus conselhos. Eram conselhos de pai. E pai nunca aconselha filhos para o caminho do mau. Os pais só querem o bem deles. Um dia ela cairá na realidade e voltará de joelhos pedindo perdão por essa tremenda ingratidão. “O tempo é senhor da razão”, minha senhora.

Filosofou o desventurado pai.

Na casa do namorado da moça, até aquela altura dos acontecimentos, ninguém havia notado o desaparecimento dele. Miguel, o pai do rapaz, havia saído cedo para a lida e tinha a certeza de que o filho se encontrasse dormindo em seus aposentos. A mãe também se levantou cedo da cama e logo se ocupou dos afazeres domésticos, não se preocupando se o filho estaria ainda dormindo ou não.


II


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