Validação comportamental dos níveis de avaliação do vb-mapp para uma amostra de crianças brasileiras



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Validação comportamental dos níveis de avaliação do VB-MAPP para uma amostra de crianças brasileiras.
Fernanda Cybelle Gomes Sena

Sara Ingrid Cruz Keuffer

Carlos Barbosa Alves de Souza

Universidade Federal do Pará

Notas:

Relatório Parcial derivado do projeto de Iniciação Científica do primeiro autor sob orientação do segundo e do terceiro no âmbito do projeto de pesquisa “Análise Aplicada do Comportamento e tecnologias assistivas para pessoas com atraso no desenvolvimento cognitivo”.


Intervenções analítico-comportamentais têm se mostrado eficazes no tratamento de pessoas com atraso no desenvolvimento de forma geral, e especialmente no caso de pessoas com autismo (Eldevik, Hastings, Jahr, & Hughes, 2012; Reichow, 2012). Um elemento central nessas intervenções é o processo de avaliação inicial dos repertórios do indivíduo, de forma a identificar os principais déficits comportamentais presentes e selecionar habilidades a serem ensinadas por meio de um Plano de Ensino Individualizado (Greer & Ross, 2008; Loovas, 2003; Sundberg, 2014).

O Verbal Behavior Milestones Assessment and Placement Program (VB-MAPP) é um instrumento de avaliação criado por Mark L. Sundberg (2008; 2014), baseado no livro de Skinner Verbal Behavior (1957) e nos princípios da Análise Comportamental Aplicada (Applied Behavior Analysis- ABA). A aplicação do VB-MAPP possibilita estabelecer uma medida empírica do comportamento verbal e de algumas habilidades motoras e sociais dos indivíduos avaliados.

O VB-MAPP contém cinco componentes, sendo o primeiro deles a Avaliação dos Marcos do Desenvolvimento. Este componente fornece um número representativo de habilidades verbais, motoras e sociais de crianças típicas estadunidenses e a idade média em que a probabilidade de as mesmas serem capazes de realizar tais tarefas é maior (Sundberg, 2014). A avaliação contém 170 marcos mensuráveis de aprendizagem e linguagem (organizados em 16 domínios, i.e., comportamentos avaliados) que são divididos em três níveis, sendo as habilidades do primeiro nível correspondentes a crianças típicas de 0 a 18 meses, as do segundo de 18 a 30 meses e as do terceiro a crianças de 30 a 48 meses.

O primeiro nível, constituído por nove domínios, inclui a avaliação dos repertórios iniciais dos operantes verbais mando e tato, de ouvinte, habilidades sociais, pareamento ao modelo, brincar independente, imitação e comportamento vocal espontâneo. O nível 2 de avaliação, composto por doze domínios, inclui habilidades mais avançadas dos mesmos domínios no nível 1 (mando, tato etc.), com exceção de comportamento vocal espontâneo, e a introdução dos domínios: resposta de ouvinte por classe, função e característica (FCC), operante verbal intraverbal, rotinas de sala de aula, habilidades de grupo e estrutura linguística. Nos níveis 1 e 2 está presente também o sub teste do operante verbal ecóico, criado por Barbara Eisch com o objetivo de avaliar a habilidade da criança de repetir com correspondência ponto a ponto a um modelo vocal. O nível 3, formado por 13 domínios, continua a avaliação de habilidades mais refinadas dos domínios presentes no nível 2 (com exceção de imitação), introduz três novos domínios (leitura, escrita e matemática).



O VB-MAPP tem sido utilizado para medir o repertório de crianças diagnosticadas com autismo e atrasos no desenvolvimento antes da aplicação de uma variedade de procedimentos, como o ensino de habilidades relacionadas à rotina escolar (Charania et al., 2010), a avaliação de preferência por modelos de intervenção (Geiger, LeBlanc, Dillon & Bates, 2010), o ensino de prevenção a raptos (Gunby, Carr & LeBlanc 2010), dentre outros. Nesses estudos a avaliação dos indicadores figura como o único ou principal componente avaliado.

Muitas vezes, também, o VB-MAPP tem sido utilizado como instrumento de medida de progresso de participantes em algum método de intervenção. Nesses estudos o instrumento é aplicado antes e após a intervenção (Koehler-Platten, Grow, Schulze, & Bertone, 2013; Vandbakk, Arntzen, Gisnaas, Antonsen, & Gundhus, 2012).

Esch, LaLonde e Esch (2010) realizaram uma revisão de 28 tipos de avaliação, incluindo o VB-MAPP, para o tratamento do autismo e concluíram que 26 das 28 avaliações revisadas falharam ao tentar estabelecer uma medida da habilidade de mando da criança, e que a avaliação do VB-MAPP fornece uma análise funcional da linguagem da criança, incluindo a habilidade de mando.

Sundberg e Sundberg (2011) buscaram validar o domínio do VB-MAPP correspondente ao comportamento intraverbal aplicando um teste ampliado da versão do domínio no instrumento para crianças com autismo e crianças com desenvolvimento típico. Verificou-se que as crianças com autismo e aquelas com desenvolvimento típico que obtiveram pontuações próximas apresentaram, de forma geral, os mesmos tipos de erros, indicando uma boa validade externa para esse domínio do instrumento.

Até onde foi possível verificar, o estudo de Sundberg e Sundberg (2011) foi o único até o momento a buscar validação externa para o VB-MAPP (ainda que apenas de um de seus domínios). Há três tipos de validação de uma pesquisa/instrumento de avaliação: validação de conceito, validação interna e validação externa. A validação de conceito incide sobre o grau com que uma medida abrange os significados incluídos no conceito; e a validação interna consiste em garantir que os resultados encontrados em uma pesquisa estão correlacionados ao delineamento experimental utilizado pelo experimentador e, nesse sentido, é essencial o controle de todos os vieses e interferências de variáveis estranhas referentes à pesquisa (Campbell & Stanley, 1979).

A validação externa, por sua vez, corresponde à possibilidade de generalização dos resultados obtidos em uma pesquisa a outras populações e outros contextos (Campbell & Stanley, 1979). Há alguns vieses que ameaçam a validação externa de uma pesquisa, sendo um deles a interação entre seleção e a intervenção. Observa-se a possibilidade de ocorrência desse viés quando uma amostra é particular da pesquisa em questão, ficando assim os resultados restritos àquela população específica de pessoas, da qual a amostra foi retirada (Bandeira, 2013).

Considerando que os parâmetros utilizados para determinar o nível de desenvolvimento em que cada criança será incluída no VB-MAPP foram obtidos através de coleta de dados com crianças norte-americanas, e as diferenças históricas, culturais e de práticas educacionais que existem entre os Estados Unidos e o Brasil, parece importante buscar validação externa para estre instrumento tomando-se amostras da população brasileira.

Dessa forma, o objetivo deste estudo é realizar uma validação dos níveis de desenvolvimento do VB-MAPP para crianças típicas brasileiras, residentes em Belém do Pará, a partir da medição de seus desempenhos nos níveis de avaliação do instrumento.




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