Valdirene brüning de souza


DISCUSSÕES SOBRE A ESTRATÉGIA CLÍNICA EM ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL ESTRUTURADA NA GESTALT TERAPIA



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DISCUSSÕES SOBRE A ESTRATÉGIA CLÍNICA EM ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL ESTRUTURADA NA GESTALT TERAPIA

Conforme anteriormente discutido, a estratégia clínica em orientação profissional foi descrita por Bohoslavsky (2003), como uma forma de intervenção baseada na modalidade clínica de compreensão do processo de escolha profissional. A modalidade clínica, em oposição à modalidade estatística (também descrita pelo autor) compreende o sujeito do processo de orientação profissional como ativo, capaz de tomar as próprias decisões, com uma personalidade que se define na ação e se modifica na relação com o contexto onde ele está inserido.

A estratégia clínica, não se limita a uma teoria psicológica específica, nem a uma demanda específica.
Para nós, falar de “estratégia” implica em ressaltar o tipo de “observação” e de “atuação” sobre o comportamento humano sem importar tanto o que se observa ou sobre o que se age. [...] se relaciona como vocábulo de origem militar, que se refere às ações planejadas ou previstas, tendentes a atuar sobre uma situação, com a finalidade de modificá-la segundo determinados propósitos. Neste sentido, toda estratégia tem um caráter intencional consciente, ou seja, que a emprega sabe por que e para que a utiliza. (BOHOSLAVSKY, 2003, p.6-7)

Assim, a estratégia clínica se refere às estratégias de ação do psicólogo frente às diversas queixas. No caso da OP, trabalha-se com a demanda em que a queixa do cliente é uma dificuldade em definir o caminho profissional a ser seguido, podendo ser a busca por um curso superior ou o estabelecimento de uma carreira já escolhida ou mesmo a finalização desta. Neste sentido o público da OP pode compreender desde adolescentes até idosos em situação de aposentadoria.

Partindo desta concepção de estratégia clínica, entende-se que é possível implementar a estratégia clínica em OP estruturada na GT, uma vez que esta traz em seu bojo uma visão de homem que parece complementar a visão de sujeito descrita por Bohoslavsky (2003).

Esta afirmação se baseia na descrição da visão de homem para a GT feita por Ribeiro (1985) na qual descreve o ser humano a partir do Existencialismo: um ser em processo, único e singular, livre para fazer suas escolhas, em relação com a realidade que o cerca, integrado e concreto na sua vivência do aqui-agora.

Assim como para a GT cada homem é único e assim deve ser tratado pelo psicólogo, evitando quaisquer generalizações ou rótulos, para a estratégia clínica de OP cada processo de escolha profissional deve ser abordado pelo psicólogo como único e não como um caso a ser enquadrado em certas características.

Na modalidade clínica, base da estratégia clínica, Bohoslavsky (2003, p. 4) afirma que “o adolescente pode chegar a uma decisão se conseguir elaborar os conflitos e ansiedades que experimenta em relação ao seu futuro”. Entende-se por esta afirmação no contexto de dúvida, o sujeito se encontra com uma necessidade em aberto e que para fechá-la adequadamente necessitaria elaborar os conflitos e ansiedades despertados por esta necessidade.

Para a GT, isto seria possível por meio da ampliação da awareness do cliente sobre os aspectos relacionados a esta dúvida específica. Na GT, acredita-se que as necessidades abertas ou gestalts produzem um grau de excitamento que diminui conforme a necessidade é atendida restaurando o equilíbrio. Diante de uma necessidade aberta o organismo busca o fechamento, ainda que inadequado para poder retornar ao equilíbrio. Há casos em que acontece o bloqueio ao atendimento da necessidade. Isto também faz diminuir o excitamento, porém bloqueios ou fechamento inadequados constantes podem resultar em situações não-saudáveis para o sujeito. Neste sentido, a necessidade de escolher uma profissão pode ser entendida como uma necessidade aberta para o sujeito, sendo que a awareness das possibilidades do campo pode levar a uma escolha mais saudável para o sujeito.

Desta forma, buscou-se realizar um processo de OP utilizando o referencial gestáltico para embasar a estratégia clínica. Deste processo, pode-se destacar alguns pontos que sugerem a possibilidade de relacionar a GT à OP como uma prática eficiente e que supera a visão tradicional da OP. A seguir serão apresentados alguns pontos que fomentam essa discussão.

O atendimento se deu a partir do contato da cliente, aqui identificada pela letra “C”. C é uma jovem de 19 anos, de classe média-alta, que mora com os pais e um irmão e havia suspendido sua matrícula no quinto semestre do Curso de Odontologia. Estava em dúvida sobre qual carreira seguir: manter a Odontologia, iniciar Medicina ou iniciar Arquitetura. Em linhas gerais, segundo C, sua dificuldade com relação ao curso de Odontologia se iniciou com uma experiência vivida por ela nas atividades de estágio, na qual se percebeu despreparada para realizar um procedimento em um paciente da clínica escola de sua faculdade. Segundo ela, no dia em que esta experiência aconteceu, os professores foram pouco acolhedores e sustentaram um discurso negativo sobre a vida profissional do dentista, o que a fez ficar em dúvida quanto a sua decisão profissional.

Baseando-se na estratégia clínica, o primeiro e o segundo encontros tiveram como objetivo central conhecer C em sua situação de dúvida, buscando-se compreender os pontos conflitivos a fim de traçar possíveis hipóteses diagnósticas. Estas hipóteses serviriam para traçar a estratégia do trabalho e foram constantemente revistas e descartadas conforme se mostraram inválidas ou trouxeram respostas que fomentaram novas hipóteses no processo.

O objetivo fundamental da primeira entrevista é a elaboração do primeiro diagnóstico; eventualmente e formulação do contrato de trabalho e, também eventualmente o encaminhamento do entrevistado para outro tipo de atendimento. [...] a primeira entrevista é uma entrevista, não um interrogatório, daí assumir um caráter aberto. Portanto deve-se evitar que as perguntas formuladas pelo psicólogo impeçam (por sua quantidade, qualidade e oportunidade) a visão de como se configura a situação do entrevistado. (BOHOSLAVSKY, 2003, p. 74)

Neste sentido, o trabalho de OP na estratégia clínica se inicia com um diagnóstico a partir das primeiras entrevistas. Daí se analisa a demanda avaliando a possibilidade de orientação, uma vez que a queixa pode nem sempre corresponder à necessidade manifestada pelo cliente. Existem situações em que os conflitos apresentados são de tal complexidade que precisam ser resolvidos em outros contextos, por exemplo, pela psicoterapia.

De acordo com Bohoslavsky (2003), o primeiro diagnóstico é apenas o primeiro passo e deve ser revisto a cada encontro com o cliente a fim de verificar a sua validade. Desta forma, ao longo do processo, são feitos diversos diagnósticos que orientam a estratégia a ser adotada. Portanto, a estratégia clínica se baseia nestas informações, e se mostra flexível e dinâmica.

Bohoslavsky afirma que para implementar a estratégia clínica em OP o profissional psicólogo deve ter o que ele descreve como atitude psicológica. Para o autor, uma das características da atitude psicológica é “[...] por constantemente a prova as hipóteses que formula sobre a situação. Istos requer uma enorme plasticidade e, ao mesmo tempo, a faculdade de efetuar uma contítua indagação e investigação das próprias predições.” (BOHOSLAVSKY, 2003, p. 15)

Sob a ótica da GT, pode-se afirmar também que os primeiros encontros são os passos iniciais para o processo diagnóstico, sendo que além de coletar as informações objetivas sobre a situação de C, buscou-se observar outros aspectos tais como possíveis resistências ou interrupções de contato, o suporte de C, pontos relacionados a outros aspectos de sua história de vida (para confirmar a demanda de OP), aspectos corporais, funções de contato.

Destas observações, percebeu-se que a demanda de C era pertinente à OP. Por outro lado, surgiu a hipótese de que a demanda de OP estava relacionada ao seu funcionamento geral em outros aspectos da vida, e que este funcionamento geral estava fortemente marcado por um movimento introjetivo e projetivo. Outra hipótese levantada foi de que o trancamento do curso não estava ligado à falta de interesse pelo curso ou pela profissão, mas pelas informações introjetadas através da fala dos professores na experiência referida por C e na projeção que C fazia sobre a intervenção nos sujeitos que iria atender na clínica escola. Então, a estratégia escolhida para iniciar o processo de OP foi a de ampliar a awareness de C sobre o seu interesse pelo curso e pela profissão e trabalhar os introjetos acerca das falas dos professores. Num momento posterior, poderia-se verificar a hipótese relacionada à projeção. Esta estratégia foi elaborada pelo terapeuta no decorrer dos dois primeiros encontros, no próprio contexto da sessão e na elaboração do relatório escrito. Porém, a forma de implementar a estratégia não foi definida a priori, e sim durante as sessões. Por exemplo, no segundo encontro, ao relatar a situação a qual atribuiu o “trancamento” da matrícula, percebeu-se que C havia ficado mais energizada, manifestando isso em seu tom de voz (mais alto e com o ritmo alterado). Além disso, haviam sinais físicos como manchas avermelhadas nas bochechas e pescoço de C.



Diante disso, seguiu-se o diálogo abaixo. A letra C se refere à cliente e P à psicoterapeuta:



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