Uso Indevido de Drogas por Universitários Resumo Simpósio


Fenomenologia hermenêutica e prevenção do uso de drogas por universitários: possíveis articulações



Baixar 22,6 Kb.
Página3/6
Encontro17.10.2018
Tamanho22,6 Kb.
1   2   3   4   5   6
Fenomenologia hermenêutica e prevenção do uso de drogas por universitários: possíveis articulações

O interesse básico da fenomenologia husserliana é o de “retorno às próprias coisas”, pretendendo com isso a superação da oposição entre a consciência e o mundo. Isto quer dizer que as essências não existem fora do ato de consciência que as visa, caracterizando-se a fenomenologia pela análise do dinamismo do espírito, que atribui sentido(s) aos objetos do mundo vivido - Lebenswelt. (Husserl, 1980)

Conduzido por esse princípio, Merleau-Ponty (1994) insiste em caracterizar a existência como palavra vivida, sendo a cultura a sua manifestação e a linguagem, a sua expressão. Então, é a existência cultura vivida expressa pela palavra, que possui naquela e nesta vários sentidos.

Uma das características da fenomenologia é a concepção existencial do símbolo, expressado essencialmente em seu sentido etimológico (cf. Grego: syn ballò), qual seja, sua concentração semântica do sentido e dos sentidos (polissemia).e sua articulação numa estrutura concreta, no interior da qual também há sentido. Desse modo, a descrição fenomenológica coloca seu fundamento na compreensão, sendo esta a responsável pela dinamização daquela, esforçando-se por trazer à tona os significados do símbolo, que são advindos de uma concretude existencial. Da descrição e da compreensão decorre a interpretação (hermenêutica), que corresponderá à construção do desvelamento. (Resende,1988)

Neste sentido, a educação hermenêutica se pauta pela necessidade da ruptura da regularidade lógica, para se voltar ao entendimento do ser como possibilidade contínua.

Pensando por esse prisma, compreender e intervir sobre o fenômeno do uso de drogas pelos universitários requer em primeira mão “retornar-às-coisas-mesmas” (descrição) e no encontro com o outro pela linguagem (compreensão), buscar conhecer a polissemia trazida pelo fenômeno (interpretação), que encontra seu fundamento na cultura e no processo histórico da humanidade, reafirmando a mútua implicação entre homem e mundo e, neste caso, entre o homem e a droga. Concebe-se dessa forma, que o significado do uso trazido pelos sujeitos contribuirá para o entendimento cada vez mais crítico e amadurecido do lugar que a droga ocupa em suas vidas, assim como propiciará aos educadores pensar em intervenções que sejam mais adequadas. Intervenções estas que, por meio de debates contínuos, viabilizem a maior conscientização relativa ao uso. Metodologia

Embasando-se nos pressupostos teóricos apontados, propôs-se desenvolver uma pesquisa qualitativa, tendo como categoria o estudo de caso.

Tem-se analisado uma experiência de intervenção relativa a um programa institucional de prevenção do abuso de drogas entre universitários – intitulado PROGRID2, desenvolvida por uma equipe interdisciplinar de um centro de extensão de estudos sobre toxicomania, de uma instituição universitária situada em Belo Horizonte, a partir do ano de 2004. A equipe é composta por profissionais e alunos estagiários dos cursos de Pedagogia, Psicologia, Farmácia, Nutrição, Odontologia, Psiquiatria e Direito. O programa consta de ações interativas junto aos estudantes, incluindo oficinas temáticas, palestras interativas, fóruns virtuais, entre outras. As atividades são inseridas nas estruturas curriculares, envolvendo professores e alunos, sendo avaliadas pelos participantes, por meio de questionários auto – aplicáveis, objetivando analisar a percepção referente à implantação da proposta e sua metodologia. Alguns participantes são convidados para a entrevista semi-dirigida que visa apreender suas percepções relativas ao tema e importância do programa no meio universitário. Tal técnica tem permitido o alcance da espontaneidade necessária à compreensão dos significados trazidos pelos entrevistados.

A abordagem metodológica preconiza “ir –às-coisas-mesmas” e, neste sentido, as atividades partem do entendimento que os sujeitos possuem sobre o fenômeno droga e suas relações para, daí, possibilitar uma consciência crítica relativa às questões em discussão. Busca-se a interação entre os participantes, utilizando-se uma linguagem que aproxime ao máximo da sua realidade social e histórica.


: anteriores
anteriores -> Formação de professores e pesquisa: metodologias de participação, colaboração e autoformação
anteriores -> MediaçÃo da aprendizagem no ensino de psicologia de educaçÃo sob a perspectiva de reuven feuerstein: uma pesquisa-açÃo no curso normal nível médio
anteriores -> A influência da família na construçÃo da noçÃo de lucro na criança trabalhdora de rua de curitiba
anteriores -> EducaçÃo científica e atividade grupal na perspectiva sócio-histórica
anteriores -> O aprender do adulto: contribuições da teoria histórico-cultural
anteriores -> As implicaçÕes das emoçÕES, dos afetos e dos sentimentos na prática pedagógica a partir da psicologia sócio-histórica
anteriores -> Referências bibliográficas
anteriores -> Da inovaçÃo técnica à inovaçÃo edificante: o ensino de Didática em questão
anteriores -> O estágio supervisionado na formaçÃo do(A) professor(A) de educaçÃo física
anteriores -> RepresentaçÕes de alfabetizaçÃo em discursos escolares: harmonia entre palavras proferidas e coisas feitas


Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6


©psicod.org 2017
enviar mensagem

    Página principal