Universidade federal do ceará


Categoria Respostas afirmativas



Baixar 1,04 Mb.
Página28/37
Encontro30.11.2019
Tamanho1,04 Mb.
1   ...   24   25   26   27   28   29   30   31   ...   37
Categoria

Respostas afirmativas

% de respostas (*)

N

%

Horário de funcionamento

8

13,1%

22,9%

Qualidade da alimentação servida em festas e eventos

7

11,5%

20,0%

Limpeza e manutenção do ambiente

15

24,6%

42,9%

Coordenação

1

1,6%

2,9%

Atendimento da equipe lotada no PAI

1

1,6%

2,9%

Número de aposentados participantes das atividades

9

14,8%

25,7%

Preços cobrados pelas atividades oferecidas

6

9,8%

17,1%

Qualificação e didática dos facilitadores

1

1,6%

2,9%

Tem outras sugestões para o PAI

13

21,3%

37,1%

Total

61

100,0%

174,3%

(*) Como a questão comportava mais de uma resposta, para cada rotina o percentual foi calculado considerando N = 90

Fonte: Pesquisa de campo (questionário)


Na tabela 12 foram agrupadas outras sugestões que os integrantes da amostra fizeram, compreendendo 13 (treze) manifestações.


Tabela 12 - Outras sugestões sobre o PAI

Itens sugeridos

N

%

Transporte para os participantes que não têm condições de pagar a passagem

1

7,7

Membro da família poderia ter direito a participação gratuita para servir como acompanhante do aposentado

2

15,4

Ter um estacionamento próprio e adequado

2

15,4

Melhorar o estacionamento, por exemplo, liberar estacionamento do outro lado da rua

1

7,7

O curso de computação deveria ser priorizado para os funcionários do estado

1

7,7

A organização da feira deveria ser local

1

7,7

Ter uma fonoaudióloga para orientação do coral

1

7,7

Cursos de auto-estima

2

15,4

O espaço reservado para a feirinha deveria ser coberto

1

7,7

Os jardins poderiam ser reformados com a colaboração dos órgãos do governo e empresas particulares

1

7,7

Total

13

100,0

Fonte: Pesquisa de campo (questionário)
Os dados da tabela 12 trazem outras sugestões, em que vale salientar a preocupação com melhora e ampliação do estacionamento, indicando que são beneficiários proprietários de veículos e também uma melhor renda. Outro aspecto novo nesta tabela refere-se à preocupação com as pessoas que não dispõem de transporte próprio e com os que dependem de acompanhante para frequentar o programa.

Tabela 13 - Outras atividades que os aposentados gostariam que o PAI promovesse


Categoria

Respostas afirmativas

% de respostas (*)

N

%

Mais Atividades físicas

19

20,7%

34,5%

Mais cursos

14

15,2%

25,5%

Mais festas

9

9,8%

16,4%

Mais passeios

27

29,3%

49,1%

Outras

23

25,0%

41,8%

Total

92

100,0%

167,3%

(*) – Como a questão comportava mais de uma resposta, para cada rotina o percentual foi calculado considerando N = 90

Fonte: Pesquisa de campo (questionário)


Os resultados da tabela 13(com múltiplas respostas) mostram que os participantes do PAI valorizam mais atividades como festas e passeios, seguidos de atividades físicas e cursos. Sendo assim, podemos afirmar que o grupo tem interesses variados que indicam a conscientização e aderência sobre a importância do uso do tempo livre e do ócio, bem como estão atentos à necessidade de preservar a própria saúde e memória, o que pode ser buscado principalmente nas atividades físicas e nos cursos.

Quando os sujeitos foram indagados se tinham reclamações a fazer sobre o PAI, o percentual de respostas afirmativas foi menor ainda do que os que fizeram sugestões, conforme está demonstrado no gráfico 6.



Gráfico 6 - Você tem reclamações a fazer sobre o PAI?

Fonte: Pesquisa de campo (questionário)

Mesmo assim, apenas sete pessoas explicitaram suas reclamações, sendo que a única temática abordada foram os preços das atividades, considerados elevados, e que por isso não deveriam sofrer majorações.


6.2.2 Os Discursos


- Avaliação do PAI
Este tópico foi elaborado tomando por base as respostas obtidas por meio das entrevistas com os vinte sujeitos que participam regularmente das atividades promovidas pelo PAI.

Quando perguntamos o que as pessoas faziam antes de se inserirem nas atividades do PAI obtivemos duas categorias de respostas. A primeira delas está representada a seguir:

Nunca gostei de ficar parada, sempre fui disposta, trabalhando ou fazendo parte de algum esporte, ou participando de algum acontecimento social. [E01]

Antes a minha vida era de muitos passeios e diversões [...] e viajar. [E02]

Eu frequentava a Universidade sem Fronteiras. Eu me aposentei, mas nunca fiquei parada, nunca fiquei deitada numa rede, sempre em atividades. [E05]

Eu sempre procurei andar, fazer caminhada em companhia de um colega, e sempre procurei grupos de pessoas para ter comunicação. [E07]

Sou uma pessoa que gosto muito de movimento, eu fiz cursos aí por fora, faço pintura em porcelana, eu pintei tecidos, gosto de fazer ginástica, então vida é muito movimentada, minha vida era assim. [E09]

Participava de algumas atividades, na área do sindicato, do conselho, que eu fui a presidente. Depois de minha aposentadoria também participei de alguns projetos sociais, mas eu tive um problema de saúde e achei que era o momento de parar, de dar alguma parada e de aproveitar para fazer algumas coisas que eu não tinha tido tempo de fazer na minha vida. [E14]

Eu já era aposentada como professora. Estou na ativa em meu consultório, então antes de frequentar o PAI eu atendia pela manhã, tarde e noite. Estava me sentindo assim, muito sobrecarregada. [E15]

Chegou a época da minha aposentadoria, eu preferi sair, porque eu tinha um sonho. Eu comecei a trabalhar com 17 anos e eu queria parar realmente aos 55 anos, porque eu queria viver o outro lado da minha vida. [E17]

Sempre gostei muito de me comunicar [...], não paro de jeito nenhum, leio meu jornal todo dia, assisto televisão [...] sou muito dedicado a família, nós fazemos parte de um movimento de Igreja, nós nos dedicamos muito, temos reunião quinzenalmente [...] a minha vida é bastante ativa, preenchida e boa. [E18]

A outra categoria de respostas está representada pelos discursos seguintes:

Eu tinha meu marido, morava no Rio de Janeiro, aí dada a violência já daquela época, minha família toda aqui e a dele também, eu resolvi vir embora [...] eu cheguei sem ter o que fazer, porque eu estava aposentada eu me aproximei do PAI [E03]

Sou aposentado, era de uma rede para outra, dentro de casa, quase entrei em depressão. Até a empregada mandava: vai para a rua dar uma voltinha, sai de dentro de casa! [E04]

A minha vida era carente, carente de uma oportunidade, carente de uma vivência maior com outras pessoas, porque logo que eu me aposentei, eu fiquei vivenciando somente o ambiente doméstico. [E10]

Eu pensava que seria uma coisa muito vazia minha vida, trinta anos de trabalho, e depois eu ia parar e ficar uma dona de casa [...]. É isso aí, eu estava com esse receio. [E12]

Fui aposentada pela compulsória [...] Então foi um baque muito grande para mim, que eu chequei em casa chorando e disse para meu marido “meu filho o meu mundo caiu”. Eu não sabia fazer outra coisa na vida, a não ser educar. [E13]

A minha vida era uma vida de trabalho doméstico em casa, e de oração. [E16]

O primeiro grupo de discursos mostra que significativo número de pessoas vinculadas ao PAI por ocasião da pesquisa, anteriormente tinham uma vida bastante dinâmica, desenvolvendo um conjunto amplo de atividades. Como o grupo era muito ativo, de alguma encarou a aposentadoria como uma transição, envolvendo expansão, redefinição e mudança nos papéis, pois as atividades que dependem do contato com colegas de trabalho tendem a diminuir (MAGALHÃES, 2004). Para este grupo a vinculação ao PAI veio como uma complementação ao que já tinham hábito de desenvolver, como forma de realizar atividades mais prazerosas ou ainda para manter a vida social. Possivelmente essa disposição subjetiva é um dos fortes fatores que mantém essas pessoas vinculadas ao programa.

O segundo grupo de discursos que foi apresentado corresponde às pessoas para quem a aposentadoria representou, inicialmente, um período de incertezas, de inatividade e de sensação de vazio. Alguns chegaram a se sentir deprimidos. Os papéis sociais que elas desempenhavam diretamente relacionados com os colegas de trabalho, pelo menos inicialmente, foram fortemente atingidos.

A literatura indica que tendo em vista a concepção predominante na sociedade sobre o trabalhador que se ausenta das atividades laborais, podem ser esperados desdobramentos no momento em que convergem em uma mesma pessoa o afastamento do trabalho e a velhice.

Com os sujeitos do segundo grupo de discursos ocorreu o indicado por Romanini et al. (2005), ou seja, com a aposentadoria, muitas vivências acabam ou se reduzem, entre elas o reconhecimento da sociedade que tem como referência a profissão, os compromissos, os horários e a sensação de ser útil.

Na concepção de Magalhães (2004) os efeitos disso na vida pós-aposentadoria dependerão da importância atribuída pelo sujeito a esses papéis. Tais efeitos tendem a ser mais significativos para os mais dependentes do trabalho que podem ter mais dificuldades de encontrar substitutos satisfatórios para as atividades antes desenvolvidas.

Em relação aos dois grupos de discursos é possível constatar, ainda, que em maior ou menor grau, os sujeitos se ressentiram da ausência do trabalho e de suas regras, com uma maior ou menor dificuldade de vivenciar o ócio. Muller (2003 citado por Aquino e Martins, 2007, p. 483) afirma que “a educação costuma sonegar o direito ao ócio; observa-se que as escolas tendem a preparar a criança para importância da profissão e do trabalho futuro, porém, não há orientação nesse processo para o uso adequado do ócio, um fator de vital importância para edificação de um indivíduo equilibrado”.

Para Ferrari (2002), o tempo livre é uma conquista não valorizada pelos aposentados. Acostumados ao ritmo intenso de trabalho, quando se vêem liberados, não sabem o que do tempo livre nem como utilizá-lo. Sugere reorganizar e redistribuir o tempo, continuando os projetos de vida com criatividade e energia para que a vida continue a ter significado e adquira novo ritmo, evitando a sensação de vazio.

Quando questionados quanto a possíveis mudanças em suas vidas, depois que passaram a frequentar o PAI, constatamos que todos os sujeitos, com exceção de um deles que negou a ocorrência de mudanças, admitiram ter ocorrido mudanças positivas. Os discursos abaixo representam o conjunto das mudanças por eles referidas:

Houve uma mudança muito grande, estou andando para cá, só isso é uma mudança grande, é um exercício, só a caminhada que dou para cá, eu venho a pé e volto a pé, mudou muito [...] estou mais alegre, mais integrado na vida, tenho mais vontade de viver, estou mais feliz. [E04]

Estou fazendo também tai-chi-chuan e danço, eu faço dança de salão, então eu acho que melhorou muito, consideravelmente, a minha vida e a minha saúde, que graças a Deus é boa. [E05]

Houve mudanças, porque eu não sabia manusear o computador, já estou no segundo ano de informática básica [...]. Agora eu faço caminhada. No dia que não tem alongamento no PAI, eu chego em casa e vou fazer meu alongamento e já estou me sentindo bem melhor, depois que estou fazendo o alongamento. [E06]

Houve e muita, porque inclusive, a gente vai se adaptando e vai aparecendo mais coisas. Você entra num curso, daí a pouco já aparece outro curso que você vai se interessando. Então você se envolve, às vezes a gente vem para cá só para se sentar e conversar, porque é um ambiente muito gostoso, uma traz uma besteirinha e a gente faz disso aqui uma extensão da casa. [E09]

Antes do PAI eu estava me sentindo isolada, minha comunicação era praticamente com a família [...]. Danço, brinco com os dançarinos. É um projeto amigo, tem a dança, o alongamento, então eu me tornei uma pessoa mais comunicativa. Eu estava entrando talvez para uma depressão pior, então eu me tornei uma pessoa melhor e o PAI me levantou. [E10]

Houve uma ampliação das amizades e solidificação de outras, houve uma transformação na minha vida para melhor. Encontrei mais sentido de viver integrada e muito mais feliz. [E13]

A principal mudança foi a consciência do seu eu, da sua maturidade, da sua identidade, de você como uma pessoa, que embora aposentada é uma pessoa que pode ainda gerar muito trabalho, muita criatividade. A participação no PAI faz com que sua auto-estima melhore. [E15]

No curso de memória muita coisa eu aprendi, muita coisa eu procuro vivenciar, houve uma melhora na minha memória. E as festas do PAI, aquele lazer, a alegria, que o PAI tem aqui, da gente conversar, trocar idéia, isso é muito bom, mudou muito. [E16]

Aqui eu me senti acolhida, protegida, me senti segura em fazer atividades que são coordenadas pelo grupo daqui. Então, a minha vida mudou em muitas coisas, tanto do lado da atividade física, como cultural, como cientifica, como com o encontro com as pessoas que a gente tem depois da aposentadoria, essa rede de relacionamentos que o PAI proporciona tão bem aqui. [E17]

A avaliação do PAI pelos sujeitos foi extremamente positiva, pois quase a totalidade deles referiu melhoria do que eles identificam como qualidade de vida, sempre associando as mudanças positivas à participação nas atividades do programa. Isto foi expresso pela identificação principalmente da elevação da auto-estima e da segurança pessoal, decorrentes dos benefícios gerados pelas atividades físicas, cursos, festas e outras atividades que favorecem a integração, o sentido de pertença e a sensação de contar com uma rede de apoio.

Nesta pesquisa, aparentemente, foram confirmados os resultados de outro estudo que levantou o que motiva pessoas idosas a participarem de programas em grupos de convivência, em universidades de terceira idade e outros similares: o primeiro está relacionado a saúde, já que os médicos recomendam, ou pela conscientização dos próprios idosos sobre a necessidade de realizar atividades físicas; o segundo motivo está relacionado a aspectos psicológicos como a melhoria da autoestima e bem-estar; o terceiro refere-se a utilização do tempo livre através da prática de novas atividades que possibilitam estabelecer novas amizades (VALÉRIO, 2001 citado por FENALTI; SCHWARTZ, 2003).

Vale acrescentar que, quando perguntados acerca das atividades promovidas pelo PAI, todos os vinte sujeitos entrevistados se pronunciaram demonstrando satisfação, confirmando o que foi visto nos discursos anteriormente apresentados.

Os trechos dos discursos a seguir reforçam a avaliação positiva que os sujeitos fizeram do PAI:

Aqui tudo é bom, isso aqui é um ambiente bom, sadio, onde tem muita camaradagem, aqui não se critica ninguém, não se manga3 de ninguém, todo mundo aqui dança, requebra, faz tudo, aqui ninguém censura ninguém. [E04]

Eu vivo recomendando as pessoas que sei que são aposentadas, as pessoas que são depressivas. Eu aconselho vir para cá porque aqui você tem alegria, aconchego, tanto das amigas que fazem parte do programa como das pessoas que trabalham no PAI. [E06]

Se eu pudesse eu iria no setor onde tem todos os aposentados, para ver o nome de todos. [...] eu gostaria de fazer isso como eu fiz uma vez, procurei o nome de todos os aposentados da minha repartição para fazer um grupo e trazer aqui para o PAI. [E11]

Quando eu encontro qualquer pessoa lá na Secretaria, que diz que já está pensando em se aposentar... pois já vá pensando em entrar no PAI, assim que você se aposentar, porque lá você tem uma recepção muito boa. [E12]

Recomendei e continuo recomendando, no PAI nós não nos sentimos velhos, e sim pessoas idosas, porque “nascer é um acontecimento, viver é um risco e envelhecer é um privilégio”. [E13]

Vejo aqui pessoas dançando, muito falantes e alegres. Eu indico para todas as pessoas que tiverem acesso aqui. [E15]

Eu recomendo aos aposentados do Estado que tenham interesse em ter uma vida mais social depois da aposentadoria, que tenham problemas de saúde, porque aqui tem atividades voltadas para isso e para aqueles que estão em casa sem fazer nada, porque acham que não têm espaço para gente fazer muita coisa, inclusive contribuir com o próprio programa aqui dentro mesmo. [E17]


Portanto, se as pessoas entrevistadas indicariam para outros aposentados a participação no PAI, na perspectiva delas o programa tem desempenho predominantemente satisfatório. As pessoas que efetivamente frequentam o PAI parecem satisfeitas. Isto foi ficando claro com o decorrer da pesquisa, conforme passamos a apresentar em seguida.

Dos vinte sujeitos entrevistados, oito afirmaram que não tinham sugestões a fazer sobre novas atividades a serem promovidas pelo PAI. As respostas dos demais a esse quesito são as seguintes:

Que oferecesse mais oficinas de artesanato desse tipo, com mais tempo, para que mais pessoas participem. [E01]

Para melhorar o Programa PAI, falta só um professor de português. [E04]

Minha sugestão é que sejam feitas mais atividades prazerosas, passeios, ir para o Beach Park, ir para o Museu da Cachaça, para muitos outros passeios que tem aqui, ou até mesmo conhecer a cidade da gente, a origem que nós mesmos nem sabemos. [E06]

A primeira sugestão é um maior apoio do governo, principalmente pagando os professores. Então nós temos que batalhar para conseguir verbas para os professores. Uma opção é conseguir professor do estado para vir lecionar aqui. Então uma ajuda para pagarmos menos, então essa é a minha opinião. [E08]

Que houvesse uma maior participação do aposentado nas reuniões de socialização, realizadas às terças-feiras. [E11]

A implantação de um tipo de serviço a preço mais popular, como uma massagem, acupuntura, essas coisas. [E12]

Voltar a circular o Boletim Informativo “nosso recado”, onde os próprios aposentados junto com a equipe redigiam esse importante meio de divulgação. [E13]

Eu tentaria apoio junto a algum órgão da Prefeitura ou do Estado. A aparência dos jardins aqui do PAI poderia ser melhorada. Acho que está faltando algumas linhas do planejamento estratégico. [14]

Eu acho que era preciso uma divulgação maior das atividades do PAI, porque aqui tem muitas atividades boas e eu acho que pouca gente conhece. [E17]

Sugeriria que se fizessem mais cursos e oficinas e divulgar é uma boa opção. [E20]


Nos discursos acima podemos constatar que as sugestões agruparam-se em duas categorias: as que dependem diretamente de orçamento e outras relacionadas a uma maior divulgação das atividades do PAI. Observando-se o conteúdo das sugestões, podemos constatar que nelas não estão claramente presentes críticas ao que vem sendo promovido, mas a necessidade de ampliação e divulgação das atividades para que mais pessoas possam ser beneficiadas. Mesmo que as pessoas tenham avaliado o programa de modo muito positivo, elas percebem que ele abrange um número muito limitado de aposentados e pensionistas da administração pública do Ceará.

O conjunto das sugestões, na verdade, remete à necessidade de orçamento regular e que venha a cobrir despesas outras que até o presente momento ficam por conta de voluntários que promovem atividades gratuitas e de profissionais qualificados que se responsabilizam por atividades pelas quais cobram um preço abaixo do mercado. Em tais casos são os aposentados que pagam diretamente ao facilitador, daí porque em diversas ocasiões os sujeitos falam da falta de orçamento mais amplo ou do apoio de órgãos oficiais, ou ainda, da necessidade de serem oferecidas atividades a preço mais baixo.

Sendo assim, a necessidade das pessoas vinculadas ao programa avaliado terem de arcar com despesas para pagamento de algumas atividades, pode ser uma das razões que parecem manter as pessoas de renda mais baixa fora das atividades promovidas pelo PAI.
- Autonomia e planos para o futuro
Os entrevistados foram questionados se além das atividades que frequentam no PAI, desenvolvem outras no seu dia a dia.

Eu ainda trabalho à noite, diariamente, orientando junto à gestão escolar, nos quadros diretores da escola, e também um dia por semana, eu dou assistência a uma escola da prefeitura. Além disso, visito familiares e participo de atividades sociais. [E01]

Fico em casa, gosto de viajar para Guaramiranga, Caponga e lugares próximos. Procuro ficar em casa com a mulher e vou visitar meus filhos que moram fora. [E04]

Eu cuido da minha mãe que tem 80 anos, do meu filho, que tem 15 anos, e faço parte do grupo de mulheres que tiveram câncer de mama. Todas as terças-feiras nós temos nossas reuniões e temos muitas atividades nesse grupo, comemoramos aniversários, viajamos, fazemos parte de congressos, e fazemos palestras em hospitais, nas clínicas, para que as pessoas façam o auto-exame da mama. [E06]

Faço parte de grupos que se reúnem toda semana, assim a gente se reúne, tanto socialmente, como a gente assiste os meninos numa creche. [...] tenho toda semana uma aula de pintura, uma tarde maravilhosa. Fui também chamada para fazer parte de grupos, como em um supermercado [...] Lá a gente de reúne para dizer o que está errado dentro do supermercado. [E09]

Faço revisão de monografias, faço orelhas de livros, revisão ortográfica, participo de eventos culturais e sociais. Gosto muito de cantar, ler e estar bem informada dos assuntos importantes no mundo moderno. [E13]

Eu faço tai-chi-chuan também em outro local, faço outra atividade que é o pilates, pertenço ao grupo de estudos que a gente já falou e faço inglês. [...] Outra atividade que realizo com muito prazer, é o contato com meus netos. [...] É bom cultivar esse hábito com eles. [E14]

Dedico-me à família, à casa e participo de grupo de oração. [E16]

Eu participo nos terminais de ônibus do movimento familiar cristão, porque é um movimento cristão que é muito enriquecedor, a gente estuda o evangelho, estuda textos, pode ser de revistas ou de jornais. Então eu gosto muito de ler, adoro praia, adoro viajar. [E18]

No meu dia a dia eu faço artesanatos, que é o que eu gosto muito. Visito oficinas para descobrir novos designers [...] Gosto de ver o trabalho dos outros e para perceber até onde eu posso fazer o meu. Quanto eu posso cobrar pelo meu, então eu saio muito. Tenho meus momentos de saídas para pesquisar e ver até onde eu posso ir. [E20]


Constatamos que todos eles são muito ativos e que as diversas atividades desenvolvidas são bastante relacionadas às que costumavam desenvolver antes de se aposentarem. Isso não é estranhável, tendo em vista que, como vimos anteriormente, a maioria das pessoas eram bastante ativas ao se integrarem ao PAI. Este, possivelmente é um fator que os mantém vinculados ao programa ao longo do tempo, já que inicialmente havia a manifesta necessidade de se manterem em atividade.

O conteúdo dos discursos guarda convergência com pesquisa referida no Quadro Teórico e que, uma vez aposentadas, as pessoas acham importante continuar exercendo atividades como forma de adaptação à nova rotina. Entre as preferências de atividades estão: manter-se trabalhando como opção e não como obrigação, devendo o trabalho ser mais leve e adequado à idade; ter alguma atividade para ocupar o tempo e a mente(13%); dedicar-se a cursos, projetos e trabalhos voluntários por menos horas; desenvolver atividades físicas e de lazer (NÉRI, 2007).

Os entrevistados foram questionados se enfrentam limitações que afetam as suas vidas ou se tem necessidade de ajuda para realizar atividades em sua vida diária. Poucos deles referiram alguma limitação. Abaixo os discursos das pessoas que referiram dificuldades:

Eu tenho limitações porque eu fiz uma cirurgia radical, então, eu não posso pegar mais do que 5kg. [E06]

De ajuda física ou psicológica não, no momento não preciso. Pode ser que apareça, como já apareceu em algumas ocasiões. [E12]

Não preciso, uso apenas uma bengala para me auxiliar na questão do meu reumatismo. [E13]

Eu pessoalmente não preciso dessa ajuda. Mas o Estado deveria pensar que muitas pessoas podem não vir ao PAI por falta de condições de locomoção. Dentro do funcionalismo são muitas as diferenças salariais. Embora a lei assegure ao idoso o transporte gratuito, podem enfrentar outras limitações. [E17]
Constatamos que todas as pessoas têm condições físicas para a realização das atividades de vida diária, mesmo que duas delas tenham referido limitações. Tal fato reflete que os sujeitos em referência gozam de condições satisfatórias de saúde nesse estágio da vida, o que não se constitui surpresa, tendo em vista que os resultados obtidos com os questionários mostraram que a média de idade entre eles corresponde a 67,8 anos. Este é um importante indicador de qualidade de vida, já que a autonomia é uma condição essencial à manutenção da auto-estima. Nas palavras de Fallowfield (1990 citado por PACHECO, 2005, p. 610) ”Para muitos idosos poderíamos acrescentar: sem auto-estima, sem eficácia pessoal, sem amor sem companhia, sem suporte social... Todos, mesmo os mais independentes, precisam de afeto de serem amados, valorizados de terem a sensação de estar ligados a uma rede de comunicação e de obrigações mútuas”.

Quando foram perguntados diretamente sobre a existência de algum problema de saúde, mais da metade dos entrevistados responderam negativamente. Os sete que responderam afirmativamente se referiram a um ou mais dos problemas: osteoporose, reumatismo, diabetes, e hipertensão. Mesmo assim, foram enfáticos em afirmar que exercem controle médico sobre eles e que sua existência não limita a vida ativa que levam.

Vale ressaltar que todos eles avaliaram o momento da vida que atravessavam por ocasião da coleta de dados como satisfatório, embora para alguns houvesse limitações.

Eu acho que eu sou uma pessoa muito otimista e gosto de preencher minha vida ao máximo, só com ações alegres [...]. Não quero deixar espaços vazios, eu tenho que preencher; indo às igrejas, visitando alguém, estudando, refletindo. [E01]

Estou gostando da minha vida no presente momento e me sentindo participativa e produtiva. E me sinto muito bem ajudando ao próximo. [E03]

Eu sempre adorei a vida, e depois que tive o câncer de mama, agora que eu adoro a vida, porque você quando recebe o diagnóstico, você tem a sensação de morte [...]. Então eu adoro minha vida, se eu adorava, agora que eu passei a adorar muito mais a minha vida... Porque eu tenho um filho para criar e uma mãe para cuidar. [06]

Estou com 77 anos completos, e eu tenho vida ainda relativamente ativa, e eu considero que vivo muito bem, com a graça de Deus. [E08]

Sou viúva há 17 anos, mas depois de um determinado tempo, você vai se adaptando à nova vida, vão aparecendo outras coisas, você já conhece novos amores, você vai a uma festa, você dança, aí você vai preencher a vida, não tem que ficar parada. [E09]

A minha vida eu acho muito branda, muito calma, não tenho mais aquele entusiasmo [...]. Não tenho mais aquele entusiasmo, aquela juventude, que me fazia cantar, ser alegre, dar aulas, não tenho mais. [E10]

Antes eu passava, dizia nunca tinha visto isto aqui, no corre-corre. Agora eu vejo tudo, eu vejo que esta árvore está cheia de frutinhas, estão nascendo flores, passou aqueles gatinhos ali, esse contato maior, principalmente com a natureza, e também observando as pessoas. [E12]

No presente momento acho minha vida boa, me sinto ainda produtiva [...] participo de eventos culturais e sociais e participo do Programa PAI que me faz muito bem. [E13]

A minha vida no momento eu acho que está boa, dentro das novas limitações de saúde minha e do meu marido está boa. [E14]

A minha vida no presente momento, eu considero assim que é um dos momentos mais felizes de minha vida. [E15 ]

Eu aprendi na vida que para melhorar, para mudar para melhor, depende muito de mim, daquilo que eu achar que eu preciso fazer, que é bom para mim, eu tenho que ser determinante naquilo que eu quero fazer. [E16]

Eu me considero feliz. Meus sonhos nunca foram só materiais, para mim importam valores como paz, harmonia e estar perto de pessoas que gosto, realmente eu sou uma pessoa muito feliz. [E17]

No presente momento eu acho que estou bem, porque problema todo mundo tem. [E20]

Os discursos mostram que os sujeitos têm consciência de algumas limitações do atual estágio da vida, mas são otimistas e qualificam como satisfatória e até feliz essa etapa que estão vivenciando. Segundo Giardino e Cardozo (2009), a aposentadoria pode ser o melhor momento da vida de alguém, já que a pessoa é responsável por delinear um estilo de vida relaxante e revigorante. Embora isso exija muita determinação e paciência, é possível ser obtido.

Ao serem perguntados quanto aos planos para o futuro, as respostas obtidas foram:

Estou pretendendo fazer um mestrado. Falta definir por qual Instituição. [E01]

O que eu penso no futuro é me divertir, passear e continuar a mesma vida que eu levo, que eu gosto muito. [E02]

Um plano de realização para o futuro aos 77 anos, eu não tenho, a intenção é ser feliz, ter saúde, administrar minha vida com lucidez. É isso. [E03]

Melhorar meu estado de saúde. [E04]

Eu vivo o hoje, porque amanhã já foi, e o futuro a Deus pertence. [E05]

A cada dia que passa eu penso em melhorar mais minha qualidade de vida, mudar meus hábitos alimentares, porque isso é muito importante, e deixar os vícios. Eu fumava muito, já deixei de fumar, depois que tive o câncer de mama. Vez por outra eu ainda tomo uma cervejinha, aí estou pensando em deixar totalmente. [E06]

Meu plano é esse mesmo, continuar aqui se Deus quiser, com saúde, continuar com minhas atividades. [E07]

O meu futuro é continuar aqui no PAI, fazer oficina, fazer curso de informática, pretendo fazer minhas viagens, continuar viajando para o exterior, ou aqui mesmo pelo o Brasil. [E08]

Meu plano para o futuro é continuar fazendo o que eu faço aqui, onde eu já frequento. [E09]

Eu não tenho mais muitos sonhos não, meus sonhos são simples, eu continuo querendo viver com a minha família, em minha casa nova. Eu queria continuar ensinando, mas já estou aposentada e agora não posso mais voltar. [E10].

É viajar, gosto de fazer viagens, e a gente conhece muita gente nas viagens. Penso muito na minha família que é pobre e precisa realizar muitas coisas, por exemplo, emprego. Eu desejo viver bem e ajudar os que me procuram. [E11]

Eu não procuro fazer muitos planos para o futuro. Eu gosto de estar no presente, eu faço planos para hoje. Hoje quando eu acordo, todo dia, eu escrevo meu plano do dia, os objetivos e a metas do dia. Quando termina o dia eu faço a minha avaliação. [E12]

O passado ficou para traz,o futuro a Deus pertence, gosto de pensar e realizar planos no presente. [E13]

Olha, para falar a verdade eu não estou pensando muito em termo de futuro. [E14]

A nível de futuro, eu considero assim, para mim a maior meta é o usufruto do que eu construí. [E15]

Meus plano para o futuro como eu falei, no próximo ano tenho planos de fazer curso de informática, dança, se possível uma língua, esse são os meus planos. Então coloco na mão de Deus, para tudo ficar bem. [E16]

Uma vida tranqüila, com muita saúde e harmonia. [E17]

O meu objetivo é procurar ter uma qualidade de vida melhor, me planejando, me programando e viajando com minha mulher. [E18]

Meus planos é pedir a Deus para ter saúde, ampliar mais os conhecimentos, ter uma melhor qualidade de vida. [E19]

Quanto aos meus planos para o futuro, pretendo viajar futuramente, por aí, ver outras coisas, que eu não conheço. [E20]

Dos vinte entrevistados todos têm algum projeto para o futuro. É certo que em muitos deles esses projetos são pouco ambiciosos, embora obedeçam à meta de se manterem saudáveis, integrados à família e realizando suas atividades rotineiras. Os planos mais ousados e elaborados incluem viagens, mudanças de hábitos e mesmo a realização de cursos de pós-graduação e outras metas de crescimento pessoal.

A diversidade de planos aproxima os resultados desta pesquisa dos que foram obtidos por Costa (2009) em estudo realizado com beneficiários do Programa Aposenta-Ação, mantido pela Universidade Federal de Santa Catarina. Naquela pesquisa a autora identificou seis grandes categorias de projetos de futuro: de desenvolvimento pessoal; relacionados ao lazer; relacionados à saúde; financeiros; relacionados a atividades prazerosas diversas; e caracterizados pela busca por adaptação e superação das dificuldades na aposentadoria.

Segundo Costa (2009), projeto de futuro pode ser entendido como o planejamento de ações para o tempo que há de vir, sendo os desejos e trajetórias individuais marcantes em sua elaboração. Portanto, o traçado de novos projetos desse tipo requer que o tempo passado e o presente sejam objeto de reflexão por parte da pessoa. Por isso ela precisa estabelecer novas referências em atividades que preencham o vazio deixado pela centralidade que o trabalho ocupou até então em sua vida.

Pelo exposto, supõe-se que pelo fato de participarem do PAI, ambiente que supostamente oferece muitos estímulos e favorece a reflexão, os sujeitos continuam formulando e buscando concretizar projetos de futuro diversos.





Compartilhe com seus amigos:
1   ...   24   25   26   27   28   29   30   31   ...   37


©psicod.org 2019
enviar mensagem

    Página principal