Universidade do estado de santa catarina centro de ciências tecnológicas



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3 RESULTADOS E DISCUSSÃO DE DADOS

Nesse tópico, serão apresentados os resultados obtidos das observações, abordando a relação entre a prática pedagógica utilizada pela professora e a teoria construtivista, já que percebi que os aspectos apresentados em sala de aula, se encaixam nessa teoria de aprendizagem, pois o Construtivismo propõe, “uma modalidade de aquisição do conhecimento em que o sujeito de modo ativo, compreenda cada fase do processo, perceba os nexos causais existentes entre eles e incorpore como seu aquele conteúdo e não que reconstrua por si mesmo a bagagem científica já constituída” (WERNECK, 2006, p.180).

Além disso, também será trazido o ponto de vista de alguns teóricos que são os precursores dessa prática, como Jean Piaget e David Ausubel. Para Piaget,

A principal característica do conhecimento é conseguir uma certa objetividade no sentido de que, mediante o emprego de métodos, quer dedutivos quer experimentais, haja acordo entre todos os sujeitos sobre um determinado setor do mesmo (FERNANDES; FERREIRA, 2012, p. 40).


E Ausubel, “concentra-se mais na aprendizagem sistematizada, crê na aprendizagem por descoberta, como Piaget, mas seu foco de pesquisa valoriza mais a técnica expositiva, dentro de um universo prático do ensino” (DISTLER, 2015, p.194).

3.1 FOCO SOBRE A TURMA

Nessa turma, estavam matriculados quarenta alunos, mas nos dois de observação compareceram apenas trinta.

Alguns universitários chegaram atrasados, e isso comprometeu um pouco o andamento da aula, já que quem chegou no horário já tinha iniciado as atividades. Logo, aconteceu de a professora ter que corrigir os exercícios propostos, mesmo sem alguns terem terminado, pois ficaria inviável esperar todos finalizarem.

Outro aspecto observado, foi que alguns estudantes ficaram no celular em vez de fazerem as atividades propostas, e também, em alguns grupos, percebi que nem todos os membros estavam ajudando na resolução das questões.

Por outro lado, havia alunos bem interessados nos exercícios, debatiam entre eles, faziam gestos com as mãos para interpretar gráficos e compreender melhor, houve até uma equipe que entrou em divergência numa questão, então, para solucionar, chamaram a professora, que falou para eles deixar as duas opiniões na folha, que depois que eles entregassem ela iria averiguar melhor. Esta situação vai ao encontro do que Distler (2015, p.192) coloca: “cada construção do conhecimento é idiossincrática de seu ator. Na escola, por exemplo, onde o docente apresenta à sua turma determinado conteúdo, cada aluno terá uma reação em seu aspecto cognitivo, que é única”.

As atividades propostas pela professora nessas aulas condizem com o que Piaget sugeriu para estudantes, conforme o teórico, é na tentativa de resolver problemas concretos que as operações formais podem ser estimuladas no seu desenvolvimento, e, é necessário que os alunos:

1) se confrontem com situações, espontâneas ou provocadas, que não possam expli­car prontamente, 2) pensem na situação-problema e em diversos modos de a solucionar, não pretendendo, necessariamente, descobrir conclusões finais e 3) tomem consciência de que as soluções obtidas deverão constituir probabilidades ou uma enumeração de possibilidades (FERNANDES; FERREIRA, 2012, p. 42).


Vê-se que esses três passos, estão presentes nos exercícios que a turma realizou, por exemplo, nas questões 3 e 4 (Apêndice B) os alunos inicialmente precisariam pensar num formato de gráfico que se encaixasse no problema proposto, depois, teriam que tentar desenhá-los na situação dada, e por fim, iriam observar se a solução que obteriam constituía realmente em uma possibilidade para a questão.

Segundo Fernandes e Ferreira (2012, p. 42) esses pressupostos implicam a necessidade de: “1) criar contextos de discussão sobre as possíveis causas ou razões para um determinado problema, 2) descobrir meios que permitam verificar ou refutar as razões sugeridas e 3) proceder a observações cuidadosas e registo de todos os dados”. O que foi feito com a turma, porque durante as atividades os alunos discutiam entre si os possíveis resultados, e depois, a professora com todos, verificava quais as possíveis formas de interpretação para o problema, os meios que poderiam ser resolvidos, e registrava tudo isso no quadro e também utilizando recursos computacionais, como o Geogebra e Excel, para a plotagem de gráficos.

Com relação a construção do conhecimento, tem-se que foram propostos vários exercícios envolvendo o conceito de função, alguns deles bem semelhantes, uma vez que consistiam de os alunos esboçarem o gráfico, encontrarem domínio e a imagem das funções e também interpretarem problemas. E essa experimentação e repetição, de acordo com Fernandes e Ferreira (2012) constituem passos iniciais indispensáveis ao desenvolvimento do conhecimento.

3.2 FOCO SOBRE O PROFESSOR

A professora iniciou a aula entregando exercícios corrigidos aos alunos – tinham feito na aula anterior. Em seguida, pediu para se juntarem em grupos para resolverem uma atividade, os estudantes rapidamente se reuniram, parece que já estavam acostumados com esse tipo de atividade.

A primeira questão da folha de atividades era “Para você, o que é função?”, ou seja, antes da docente explicar aos alunos, ela primeiramente pediu para eles responderem. E, de acordo com Werneck (2006, p.181), “o Construtivismo defende a teoria de que o conhecimento é construído pelo aluno e não transmitido pelo professor”.

Na segunda questão, pedia para os alunos darem um exemplo prático que envolvesse função. Por estarem no Ensino Superior, os estudantes, possivelmente, já teriam visto este conteúdo no Ensino Básico, então a professora, provavelmente, estava verificando os conhecimentos que eles traziam. Uma das perguntas feitas por um aluno era como teriam que responder essas duas primeiras questões, e a docente disse “não é uma questão fechada, você pode interpretar da maneira com achar”. Visto isso, percebe-se que ela segue a linha construtivista, já que nessa abordagem, deve-se configurar uma unidade de intervenção educativa com atividades que “permitam conhecer os conhecimentos prévios dos alunos em relação aos novos conteúdos de aprendizagem” (ZABALA, 2009, p.165).

Na questão 5, em um dos momentos era para calcular a média aritmética, um aluno chamou a professora e perguntou o que era, primeiro ela tentou explicar usando os dados do problema, porém, o aluno mostrou em sua expressão facial que não tinha compreendido. A seguir, a docente o questionou “como você calcula sua média nas notas?”, e o aluno falou, assim ela explicou que nesse problema era a mesma situação, apenas os dados mudavam. Distler (2015, p. 195), coloca que,

Em seus relatos, Ausubel preconiza que os educadores devem criar situações no cotidiano buscando descobrir o que o indivíduo já sabe. Essa ideia está expressa da seguinte forma: ‘o fator isolado mais importante que influencia a aprendizagem é aquilo que o aprendiz já sabe. Averigue isso e ensine-o de acordo’. Essa afirmação é o ponto inicial do trabalho, a aprendizagem significativa leva em consideração as características do indivíduo.
Em outro momento da aula, uma aluna contou à docente sobre a chuva da cidade, e que próximo à casa dela, já chegou a alagar pela quantidade de água, então a professora também falou sobre algumas situações que ela passou na cidade por causa do grande volume de chuva. Elas chegaram a esse assunto devido a letra b da questão 5, que questionava se os dados que tinha encontrado na resposta, faziam sentido com a experiência do aluno em Joinville.

A professora também se mostrou preocupada com os alunos, uma hora ela foi perguntar para uma aluna se ela tinha conseguido acessar a plataforma Moodle, a estudante respondeu que ainda não, pois apesar de já ter tentado, não tinha dado certo. A docente disse a graduanda que era para ela enviar o trabalho – esse não trabalhado em sala – para o e-mail dela.

3.3 FOCO SOBRE A ESTRUTURA DA AULA

No primeiro dia de observação, após deixar um tempo os alunos fazerem, a professora corrigiu as questões no quadro. Nessa correção, ela pede para eles falaram o que fizeram ou irem até no quadro explicar seu pensamento. Na primeira questão, os estudantes falaram suas repostas e a docente foi anotando no quadro, e depois, construiu uma definição que chamou de informal para função. Então, com base nas informações que tinham, ela formalizou a definição de função, e explicou outros conceitos relacionados, como domínio, contradomínio e imagem.

Na questão 3, nenhum aluno quis ir ao quadro desenhar seu gráfico, assim a educadora colocou algumas representações que ela tinha visto das equipes. E nesses gráficos ela perguntava se a turma achavam que estava correto ou errado e o porquê. Em uma representação a docente começou a falar que estava incorreto, pois não fazia sentido a forma da linha traçada para a maré do mar, já que as ondas quebram, porém, um aluno a questionou, “professora, onda não quebra no meio no mar” – era isso que dizia o problema – deste modo, ela compreendeu o aluno, e falou que ele tinha total razão, e, portanto, a questão estaria correta, diferente do que ela tinha falado inicialmente.

Percebe-se com essa atitude que a professora mostra valor para a opinião do aluno, a respeito disso, Massabni (2006, p. 108) diz que, “entende-se que um dos aspectos positivos do Construtivismo pedagógico é valorizar a ação do aluno como construtor de seu conhecimento e tirar o professor da posição de detentor soberano do saber”.

Não deu tempo de corrigir todos os exercícios num dia, então na aula seguinte ela fez, mas não de todos. No segundo dia de observação, primeiro ela devolveu aos alunos as atividades que eles tinham resolvido, depois foi para o quadro e comentou que percebeu com as resoluções das equipes, muitos não tinham entendido o que era precipitação, assim, explicou o que significava.

Após tirar as dúvidas com relação a primeira parte das atividades sobre funções, entregou mais uma folha com dois exercícios para os alunos resolverem em equipes. E, passados uns 30min, foi corrigi-los no quadro.

No exercício 9, após chegarem ao resultado de salários de empresas diferentes, precisavam responder qual era mais vantajoso. E surgiu o seguinte diálogo:




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