Universidade de são paulo instituto de Física de São Carlos



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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Instituto de Física de São Carlos

Física e Informática

Profa. Dra. Fabíola Maria Monaco

Teoria da aprendizagem significativa de DAVID ausubel

Nascido em 1918 (+ 2008) nos Estados Unidos,David Paul Ausubel é filho de imigrantes judeus e sofreu muito na escola por não ter sua história de vida levada em conta pelos professores. Segundo alguns pesquisadores, seu interesse pela forma como acontece a aprendizagem é resultado dessas experiências ruins enquanto aluno.

Formado em Medicina Psiquiátrica, dedicou-se academicamente à pesquisa em Psicologia Educacional na Universidade de Colúmbia (EUA). Sendo adepto da linha cognitivista, Ausubel entendia a aprendizagem como o processo pelo qual um conteúdo é integrado na estrutura cognitiva do sujeito (estrutura esta definida em termos de um conjunto organizado de ideias sobre determinado assunto, disciplina ou mesmo um conjunto globar de pensamentos).

Nesse contexto, uma aprendizagem significativa, ou seja, uma aprendizagem que efetivamente leve a entender os fenômenos (fatos, objetos etc.) estudados, é aquela em que novos conteúdos são integrados na estrutura de conhecimentos prévios, reorganizando-a ou modificando-a (assimilação). Daí a importância dos conhecimentos que o indivíduo já tem em sua estrutura cognitiva. Na Teoria da Aprendizagem Significativa, portanto, o fundamental são os conhecimentos prévios e é a partir deles que se deve pensar sobre o ensino. Com isso fica também enfatizada a importância da avaliação diagnóstica.

Essa estrutura cognitiva prévia, constituída por conhecimentos já construídos anteriormente, é chamada, nesta teoria, de “subsunçor”. Assim, o subsunçor é como se fosse a “peça de encaixe” da nova informação. Se o subsunçor é significativo à medida que possa servir de “encaixe”, isso significa que um conteúdo é potencialmente significativo quando o aprendiz possui subsunçor para ele.

Algumas vezes, entretanto, a estrutura cognitiva não possui nenhum conhecimento prévio que possa servir de subsunçor ao novo conteúdo de aprendizagem. Nesse caso, para que aconteça a aprendizagem significativa, o professor deve proporcionar ao aluno algo que possa servir de “encaixe”. É como se fosse assim: quando o aluno não tem seu subsunçor para aquela aprendizagem, o professor “coloca” um na estrutura cognitiva do aluno. Esse subsunçor “colocado” é chamado “organizador prévio” e esse “colocar” é a promoção da aprendizagem significativa de conteúdos pré-requisitos ao conteúdo que se pretenda ensinar. Portanto, o organizador prévio é um conteúdo aprendido de forma significativa para servir de subsunçor (encaixe) à nova aprendizagem significativa. Resumindo:

- a aprendizagem é significativa quando um novo conteúdo é integrado na estrutura cognitiva de quem aprende;

- conhecimentos prévios (que já existem na estrutura cognitiva e que servirão de “encaixe” ao novo conteúdo) são chamados subsunçores e

- os pré-requisitos (conteúdos que ainda não existem na estrutura, mas que serão fornecidos pela intervenção pedagógica) são chamados organizadores prévios.

- quando um conteúdo é passível de ser aprendido, diz-se que ele é potencialmente significativo.

Quando os organizadores prévios são proporcionados de forma mecânica (como estratégias de repetição, de uso de modelos, de memorização etc.), eles são denominados “pseudo organizadores prévios”, pois são como passos introdutórios (aprendizagem de pré-requisitos) para a aprendizagem significativa (do conteúdo de ensino pretendido). E, conforme dito antes, o subsunçor (ou o organizador prévio) ao assimilar um novo conteúdo é alterado: ou ele fica “mais completo” ou ele se modifica integralmente (quando o aluno passa a compreender de maneira diferente).

Exemplo 1: (conhecimento mais completo)



  1. Subsunçor = o açúcar é solúvel em água

  2. Conteúdo potencialmente significativo = a solubilidade do açúcar em água é limitada pelo fator de saturação

  3. Estrutura cognitiva modificada (subsunçor alterado) = o açúcar é solúvel em água até o limite da saturação

Exemplo 2: (conhecimento completamente alterado)

  1. Subsunçor = uma quantidade maior de líquido atinge um nível mais alto num recipiente do que uma quantidade menor do mesmo líquido

  2. Conteúdo potencialmente significativo = noção de volume

  3. Estrutura cognitiva modificada (totalmente diferente) = a quantidade de líquido é aferida não apenas pelo nível do líquido num recipiente mas também pela largura e pela profundidade do recipiente

O subsunçor modificado na estrutura cogniviva é produto da interação entre o conhecimento prévio (subsunçor original) e o novo conteúdo, por isso, é denominado “produto interacional”.

Entretanto, o produto interacional não se constitui imediatamente na estrutura cognitiva do aprendiz. Segundo Ausubel, a aprendizagem significativa acontece num processo de assimilação progressiva e de organização cognitiva:



  1. Inicialmente há a assimilação: o subsunçor assimila o novo conteúdo, mas ainda há uma distinção entre eles na estrutura cognitiva;

  2. Numa segunda etapa, essa distinção entre subsunçor e novo conhecimento vai ficando cada vez mais difícil, ou seja, a assimilação vai evoluindo de forma que o conhecimento prévio vai agregando o produto interacional e modificando a estrutura cognitiva (isto é, a compreensão vai ficando mais completa ou vai se modificando completamente, como nos exemplos anteriores). Essa etapa é chamada de “diferenciação progressiva” e a fase da assimilação é chamada “assimilação obliteradora”

  3. Quando o subsunçor e o novo conteúdo não se diferenciam mais significa que o novo conteúdo foi efetivamente assimilado. Nesse momento, o subsunçor se modificou e é quando ele se torna um “produto interacional” (no sentido de que é um produto da relação entre conhecimento prévio e novo conteúdo). Nesse ponto o processo de aprendizagem significativa deste conteúdo está concluído (e esse produto interacional servirá em algum momento de subsunçor para um novo conteúdo – e assim por diante). Nesse caso em que o subsunçor se modifica ao assimilar o novo conteúdo, Ausubel chama a aprendizagem significativa de “subordinada” (aprendizagem significativa subordinada)

  4. Há também casos em que o processo de assimilação não modifica o subsunçor, mas estabelece uma relação entre subsunçores que não estavam ligados na estrutura cognitiva até então. Neste caso, Ausubel refere como aprendizagem significativa superordenada (ou aprendizagem significativa combinatória)

Ausubel ainda define diferentes tipos de aprendizagem significativa, de acordo com a natureza dos conteúdos a serem aprendidos:

  1. Aprendizagem representacional: quando os conteúdos são representados por símbolos. Por exemplo: a aprendizagem das operações na teoria dos conjuntos por meio dos símbolos (e não dos conceitos de conjuntos), como H = { x € N / 9 ≤ x ≤ 15 }. Outro exemplo: conceito de psicologia.

  2. Aprendizagem de conceitos: quando os conteúdos são mais genéricos, abstratos e representam regularidades. Por exemplo: conceito de conjunto, conceito de psicologia educacional, psicologia social, psicologia organizacional etc.

  3. Aprendizagem proposicional: o conteúdo é dado e definido por proposição, como a definição de números primos (todos os números divisíveis apenas por 1 e por ele mesmo. Outro exemplo é a definição de número racional (proposição: um número é racional quando pode ser escrito na forma p/q sendo p e q números inteiros e q ≠ 0).

Mas, assim como não basta que o aluno esteja motivado para que aconteça a aprendizagem significativa, também ela não acontece apenas pelo fato de existir o subsunçor na sua estrutura cognitiva. É preciso que as duas situações estejam articuladas, ou seja: o conteúdo ser potencialmente significativo (existir o subsunçor para ele) e o aluno estar motivado para aprender. Se essas duas condições não estiverem satisfeitas, a aprendizagem segundo Ausubel, acontecerá de forma mecânica: o fato de o aluno conseguir definir conceitos, discorrer sobre eles ou mesmo resolver problemas complexos, não significa que teve aprendizagem significativa. Isso porque uma longa experiência em fazer exames faz com que os estudantes se habituem a memorizar não só proposições e fórmulas, mas também causas, exemplos, explicações e maneiras de resolver problemas típicos.

Dessa maneira, o aluno deve ter clareza quanto ao conteúdo aprendido e deve ter desenvolvido competências para transferi-lo para (ou aplicá-lo em) situações novas, diferentes daquelas que foram usadas para o seu ensino. Para isso as estratégias de ensino devem se basear em formulações de questões e problemas de maneira nova e não familiar para os alunos, em propostas de atividades que exijam a máxima transformação possível do conhecimento aprendido, a articulação daqueles conhecimentos com outros conhecimentos já construídos, a aplicação deles em situações que simulem contextos da vida real dos alunos ou contextos bem diferentes daqueles apresentados nos exemplos e explicações do material instrucional a fim de que os alunos sejam levados transferir conhecimentos do contexto instrucional para um contexto próximo da vida e mais significativo para os aprendizes (onde eles “vejam” o uso, a importância e a aplicabilidade daquele conteúdo de aprendizagem).

Além disso, segundo o autor, a estrutura cognitiva é organizada hierarquicamente: os conceitos (conteúdos) mais específicos são ligados a conceitos (conteúdos) mais gerais, de forma que a estrutura cognitiva é na verdade uma estrutura hierárquica de conceitos. Isso significa que os subsunçores são conceitos mais gerais do que o os conteúdos de aprendizagem e, assim, deve-se sempre partir do mais geral para o específico, do geral para o particular (como por exemplo, das regras para as exceções, proposições ou conceitos específicos). Nesse contexto, para Ausubel as dificuldades de aprendizagem são menores quando a partir do todo se olha as partes, do que o contrário (tentar entender o todo a partir das partes).

Para aplicar esses princípios no planejamento de ensino, Ausubel propôs o uso de diagramas indicando as relações entre conceitos (ou palavras para representá-los): são os chamados mapas conceituais. Que veremos na próxima aula.



Exercícios de aprendizagem:

Podemos verificar que a aprendizagem significativa opõe-se à a prendizagem mecânica. Explique.


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