Unidade de ensino de lorena curso de psicologia atividade extraclasse para a disciplina psicopatologia da vida adulta



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CENTRO UNIVERSITARIO SALESIANO DE SÃO PAULO

UNIDADE DE ENSINO DE LORENA

CURSO DE PSICOLOGIA



ATIVIDADE EXTRACLASSE PARA A DISCIPLINA PSICOPATOLOGIA DA VIDA ADULTA



ANÁLISE DO FILME INDICADO
Amanda Schubert Barbosa Fernandes Rodrigues, Maria Rita Camargo Cartagena, Mayara Costa Faria, Muria Rodrigues de Araújo Teixeira, Tayla Castro Molina.
3º Ano - B
Análise do filme Don Juan DeMarco:
O filme conta a história de um jovem rapaz, de 21 anos de idade, que se considera o personagem fictício Don Juan DeMarco. Ele se comporta como um amante das mulheres, que estaria disposto a morrer em nome de um amor não correspondido. O jovem andava pela cidade caracterizado e, em seus relatos, afirmava sair com muitas mulheres, a fim de proporcionar-lhes o que elas nunca haviam sentido, justamente por enxergá-las como nenhum outro homem as enxerga. Em dado momento, ele resolve cometer suicídio em nome de uma desilusão amorosa, e por esse motivo dá entrada em um hospital psiquiátrico.
Vê-se que o comportamento do personagem está submetido à fantasia do “Don Juan” em uma cena do filme, logo quando a internação se inicia, e os psiquiatras citam que o jovem está em delírio (sugerindo até que o quadro se encaixa no espectro esquizofrênico), sendo a sexualidade o principal conteúdo desse delírio. Porém, o personagem dá indícios de que sua fantasia é consciente (cena na qual ele conversa com seu psiquiatra a respeito de quem é).

Após convencer seu médico, ele passa a ser tratado sem medicação e inicia o processo de tentar convencê-lo de que realmente é Don Juan DeMarco. O jovem dá início às suas histórias começando pela infância e seguindo as etapas de sua vida, afirmando que desde criança tinha outro olhar sobre as mulheres, e até elas mesmas o viam de maneira diferente.

Entretanto, mesmo com todas as fabulosas e envolventes estórias do paciente, é notória a possibilidade de este se enquadrar em um quadro clínico de transtorno de personalidade não especificado. Seguindo o DSM V, podemos identificar que o comportamento de “Don Juan” atende a alguns critérios deste transtorno. O comportamento desvia do que é culturalmente esperado, manifestado (1) na cognição (tendo em vista que o jovem acredita ter aquela personalidade), que seria a forma de perceber e interpretar a si mesmo (fato observado nas cenas em que o personagem conta sua história para o psiquiatra, ao descrever ter nascido no México e ter vivido lá toda sua infância, e ser um amante das mulheres), outras pessoas (como o personagem percebe sua mãe, seu pai e sua avó e até mesmo seu psiquiatra, ao descrevê-los de forma que não condiz com a realidade), e eventos (sua distorção ao relatar a morte de seu pai); (2) na intensidade da afetividade (o relacionamento fantasioso e de forma intensa que o personagem cria ao conhecer uma garota em uma revista, o que o leva a uma tentativa de suicídio); (3) no controle dos impulsos e relacionamento pessoal; (4) além do prejuízo devido à inflexibilidade adaptativa, pois o padrão persistente é inflexível e abrange uma faixa ampla de situações pessoais e sociais (a forma como o personagem vive e age, acreditando ser Dom Juan De Marco, comporta-se como um galanteador de mulheres).

O padrão é instável (o comportamento de mudanças abruptas de humor, cena em que, ele dança com seu enfermeiro; raiva quando seu psiquiatra o questiona sobre onde nasceu e que a havia conversado com sua avó, quando seu psiquiatra questiona-o sobre sua mãe ter, possivelmente, se envolvido com outro homem. Ao ouvir isso, “Don Juan” tem uma reação agressiva; e tristeza ao relatar como perdeu seu grande amor em uma ilha). Surge na adolescência e início da fase adulta (Idade na qual o personagem desenvolve tal transtorno, ou seja, 21 anos de idade). O transtorno é não especificado, pois não se encaixa nas demais classificações. Muito embora o complexo de Don Juan tenha traços da personalidade antissocial, pois o que lhe importa é o prazer pelas conquistas, e também narcisista, pela grandiosidade e relevância.

Utilizando os conceitos de Klein, pode-se ainda entender que o jovem recorreu à identidade do “Don Juan” como um mecanismo de defesa a uma fraca elaboração do eu e não-eu, sendo assim, a relação do sujeito com o personagem se dá pela identificação projetiva, associada a uma fantasia complexa. Os mecanismos de defesa podem ser encontrados em indivíduos saudáveis, e sua presença excessiva é, via de regra, indicação de possíveis sintomas neuróticos ou, em alguns casos extremos, sintomas psicóticos (Volpi, 2008).

O médico recorre à aproximação com a realidade do paciente como método de trabalho, ao invés do uso compulsório de medicação. Em uma das cenas, o psiquiatra utiliza o teste de Roeschard que tem a finalidade de traçar um perfil de personalidade. O ponto mais interessante, talvez seja a contratransferência estabelecida, como cita Leitão (2003), contratransferência é uma criação que utiliza os diferentes componentes, de uma forma dinâmica, como resposta ao desenvolvimento do processo analítico, alterando a psicologia do analista. Em várias cenas do filme, é possível notar que o médico é completamente envolvido pela narrativa de seu paciente e tem seus próprios conteúdos trabalhados na relação, como a aposentadoria por exemplo.

Em dado momento, o paciente conta sua verdadeira história, lúcido e consciente de que não é o personagem Don Juan e que tudo, até mesmo o suicídio, foi para chamar a atenção, e nunca pensou em se matar. Relata que começou a vestir-se como o personagem aos dezesseis anos de idade, quando ficou sozinho, logo após a morte de seu pai, em um trágico acidente de carro, e a partida de sua mãe para o convento. Refere também que sua mãe cometia adultério e o convento foi uma forma de mostrar o seu arrependimento. Essa mãe, ao aparecer em uma das sessões do hospital psiquiátrico, confirma a estória de seu filho. Ao ser questionada pelo psiquiatra, alega que a criatividade está dentro de cada um, evidenciando que não havia qualquer traço de intervenção com a realidade atual vivenciada por esse jovem.

As características apresentadas pelo quadro do paciente, apesar de se assemelharem ao transtorno de personalidade não especificado, não oferecem risco iminente ao paciente e nem aos que convivem com o mesmo, por este motivo não será necessário o uso de medicamentos. Um procedimento que deverá ser utilizado é o acompanhamento terapêutico, visto que é o único meio de tratamento e a possibilidade de trabalhar questões antes não abordadas na vida do jovem.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual Diagnostico e estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. 948 p.

VOLPI, Jose Henrique. Mecanismos de defesa. Artigo do curso de especialização em Psicologia Corporal. Curitiba. Centro Reichiano. 2008. Disponível em .



LEITÃO, Leopoldo Gonçalves. Contratransferência: Uma revisão na literatura do conceito. Lisboa, Portugal. Análise Psicológica (2003), 2 (XXI): 175-183.


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