Uma cruzada que justifica até os excessos por Ivan Berger/jornalista



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Encontro12.01.2020
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UMA CRUZADA QUE JUSTIFICA ATÉ OS EXCESSOS

Por Ivan Berger/jornalista

Com o governo petista nos estertores, ao que tudo indica dando seus últimos suspiros, algumas perguntas cruciais martelam a cabeça da gente. Quanto tempo Dilma ainda aguentará, se sairá via impeachment ou por força do cerco implacável da Lava-jato ?; se será uma deposição tranquila ou o bicho vai pegar; se assume o vice Temer ou a limpa será geral, já que tanto ele como o presidente da câmara, Eduardo Cunha, também estão na mira do justiceiro Sérgio Moro ? E Lula, vai mesmo em cana ou ainda tem bala na agulha para voltar por cima ?

Perguntas, dúvidas, questões que para os governistas, passam pela manjada e recorrente teoria conspiratória, desta vez não só midiática mas num suposto conluio envolvendo o Poder jurídico e a Polícia Federal. Ilações, procedentes ou não, com que tentam não só justificar a profusão de mazelas que continuam vindo à tona como fundamentar o direito de continuar no poder, como se o resultado das urnas fosse uma espécie de salvo conduto para toda sorte de ilicitudes.

Já foi o tempo em que conjecturas dessa natureza tinham bom trânsito na sociedade, amparadas pelos inegáveis êxitos logrados nos oito anos de mandato de Lula. Êxitos fugazes e funestos, como se veria depois, na medida em que deram sustentação ao descalabro generalizado em que se transformou o segundo mandato de sua sucessora. Fugazes, porque pouco ou quase nada restou dos ganhos da era lulista; funestos, pelos prejuízos imensuráveis oriundos do grandioso esquema de corrupção e rapinagem do patrimônio público desvendados pela Lava-Jato. Prejuízos em todos os âmbitos, que vão se agravando em função da sucessão de escândalos e o consequente turbilhão político que se realimenta da própria crise.

TRIBUNAL DA INQUISIÇÃO

Nesse quadro caótico e fervilhante, o fato é que as artimanhas e justificativas governistas só encontram eco em sua abduzida militância, cuja subserviência e fanatismo, como se viu nas manifestações da última quinta-feira, não dá mostras de se render as evidências. Para essa galera cooptada ou catequizada, a palavra de ordem é manter o poder a qualquer preço. Se as falcatruas são irrefutáveis, outros nomes, partidos da oposição e governos anteriores também tem culpa no cartório, alegam em uníssono. A diferença seria o tratamento diferenciado da grande imprensa, novamente responsabilizada por criar factoides e fomentar o clima de insatisfação e revolta reinantes. E desta vez em conluio com setores do Judiciário, em particular o juiz Sérgio Moro, acusado de liderar uma espécie de tribunal da inquisição, em que as delações seriam arrancadas mediante coação e tortura psicológica. Com direito a flagrar a própria presidente confirmando de viva voz a sua preocupação com a blindagem de seu mentor.

O problema, como já disse, é o desgaste e a falta de credibilidade de um discurso que o grosso da sociedade não engole nem aceita mais. O país está exaurido, enojado com tanta desfaçatez e enganação, a ponto de eventuais excessos sejam até aplaudidos, como a condução coercitiva de Lula, e até mesmo os grampos discutíveis envolvendo a própria Dilma. O importante para a grande maioria é que os impostores sejam desmascarados e devidamente enquadrados. Sem falar que possíveis deslizes estão longe de invalidar ou depreciar o admirável trabalho da força tarefa comandada por Sérgio Moro.

Digo isso por tratar-se de uma cruzada que, só não vê quem quer, transcende os interesses político-ideológicos. A rejeição das massas às tentativas de intromissão de políticos oposicionistas nos protestos é uma demonstração clara do caráter eminentemente cívico da população. Mesmo as novas lideranças que emergem desses movimentos tem se mostrado apartidárias, comprometidas com uma causa maior que é justamente depurar o meio político. Dai a falácia governista de atribuir essas mobilizações a um suposto inconformismo da oposição pela derrota nas eleições.

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

É notório o esforço petista no sentido de politizar o movimento em curso, rotulando a pressão pelo impeachment e defenestração do petismo de golpismo, quando na verdade razões para isso não faltam, a começar por improbidade administrativa.

Improbidade administrativa que não se atém apenas as tais pedalas fiscais, passíveis de perda de mandato sim, e para todos os efeitos, uma das causas do desmantelamento da economia em curso. São inúmeras as demonstrações de que o governo Dilma está à deriva, sem rumo, sem apoio no Congresso para aprovar as medidas mais básicas, e com uma rejeição popular só comparável a deposição do execrado Fernando Collor de Melo.



Uma situação tão grave e desesperada que nem o tumultuado reforço de Lula para ocupar o cargo de ministro da Casa Civil surtiu efeito. O que era para ser uma cartada de mestre, na medida em que a nomeação em tese fortaleceria o governo e livraria o ex-presidente das garras da Lava-Jato, foi uma espécie de tiro que saiu pela culatra, já que sua posse não durou mais do que 40 minutos, suspensa por força de uma liminar concedida por um juiz do Distrito Federal, e posteriormente confirmada pelo Ministro do STF, Gilmar Mendes, que de brinde, determinou o retorno das averiguações sobre o suposto enriquecimento elícito de Lula ao crivo do juiz Sérgio Moro.

Os próximos capítulos prometem.

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