Uma breve análise acerca do mito do amor materno e as implicaçÕes que decorrem a maternidade compulsória



Baixar 63,49 Kb.
Página5/8
Encontro16.09.2018
Tamanho63,49 Kb.
1   2   3   4   5   6   7   8
Instinto Materno
A alegação de que a mulher indispensavelmente deve parir é uma ideia que implica em uma forma brutal de violência. Por mais que ao longo da fixação de um conceito da maternidade natural, as mulheres se encontram presentes no imaginário coletivo da sociedade, a maternidade não é uma vontade intrínseca ou inerente ao gênero feminino.

A priori, leis naturais não admitem nenhuma exceção. Substituir-se o conceito de lei (universalidade) pelo de regra (geral), é necessário constatar que há inúmeras exceções à regra do instinto materno. O amor no reino humano, não é e não pode ser simplesmente uma regra. Nele intercede demasiados fatores que transcendem a norma, diferentemente do reino animal, submergido na natureza, e submetido a seu determinismo, o humano, no caso, a mulher, é um ser histórico, capaz de simbolizar, colocando-se acima da esfera propriamente animal.


Mais precisamente, os defensores do amor materno "imutável quanto ao fundo" são

evidentemente os que postulam a existência de uma natureza humana que só se modifica na "superfície". A cultura não passa de um epifenômeno. Aos seus olhos, a maternidade e o amor que a acompanha estariam inscritos desde toda a eternidade na natureza feminina. Desse ponto de vista, uma mulher é feita para ser mãe, e mais, uma boa mãe. Toda exceção à norma será necessariamente analisada em termos de exceções patológicas. A mãe indiferente é um desafio lançado à natureza, a a-normal por excelência”. (BADINTER, 1985)


Esse ser social que possui desejos e tem quereres, para além de sua estrutura hormonal, dispõem de uma consciência e inconsciência que predominam as características naturais, esses fortemente influenciados pelos fatores externos e próprios à vida particular de uma mulher, assim sendo, os hormônios femininos que regem o sistema reprodutor pouco dizem respeito às vontades próprias das mulheres.

É possível traçar uma análise sucinta entre a maternidade como escolha feminina e a compulsoriedade social, em se tratando da amamentação. O desencadeamento hormonal inerente à maternidade traça em cada mulher uma maneira própria de encarar essa fase e aciona nela uma espécie de alerta em relação ao filho/filha. É indubitável que o desejo de acalmar o recém-nascido leva a diferentes qualidades do ato materno levando-se em conta a obrigação imposta e a escolha por ela que decorre da própria maternidade. Generaliza-se a prática e a torna homogênea.

Analisa-se a enorme importância de colocar de lado as universalidades, e comparações com o mundo animal mamífero e voltar-se para contingências e particularidades que são privilégios do ser humano, pois é, por meio de sua vontade e desejos que o conceito de liberdade é definido, pois somente valorizando quereres próprios é que possuímos a liberdade de ir e vir, e assim de poder optar por ser ou não mãe.
Não será, porém, chegado o momento de abrir os olhos para as perturbações que contradizem a norma? E mesmo que essa tomada de consciência da contingência ameace nosso conforto, não será necessário levá-la finalmente em conta para redefinir nossa concepção do amor materno? Isso nos proporcionará uma melhor compreensão da maternidade, benéfica tanto para a criança como para a mulher. (BADINTER, 1985)
No que se refere às normas sociais tão intransigentes e rígidas, uma mãe que escolhesse hoje não ter filhos e filhas seria considerada normal? ou anormal no tocante as normas da natureza? Aqui se percebe que o determinismo social e o imperativo biológico caminham juntos no que concerne à maternidade. E como se falaria, então que quando uma mulher escolhe ser mãe esse é um desejo próprio ou apenas mais uma norma social impiedosa?

Torna-se evidente o abismo no qual se posicionou as mulheres ao percorrer-se as teorias do instinto materno e da rotulada boa mãe, sendo aquela que não pode opinar, posto um instinto, como proceder de maneira contraria, como negar o ventre ao qual reduziu-se a condição feminina de esplendor e satisfação. Se ela instintivamente deve ser mãe, a mesma deve esquecer-se de si mesma, para o cuidado com a prole ser devidamente executado, por meio do sacrifício e devoção.



: upload -> trabalhos
trabalhos -> Oficina de Psicologia unati (Universidade Aberta à Terceira Idade)
trabalhos -> Grupos com terceira Idade e idosos asilados na unati/Assis
trabalhos -> Aos dias atuais. Bruna Maria Cristina da Silva Mota
trabalhos -> A construçÃo da personalidade ética e a formaçÃo do psicólogo – reflexões a respeito da educaçÃo de profissionais do ponto de vista ético
trabalhos -> A educaçÃo e o investimento na (hetero) sexualidade
trabalhos -> Jogos de regras em sala de aula: construçÃo de um espaço solicitador para aqueles que não aprendem thais Oliveira da Silva
trabalhos -> PrevençÃo de acidentes infantis de intoxicaçÃo e a mulher: um estudo com responsáveis por escolares do ensino fundamental
trabalhos -> AdministraçÃo escolar: introduçÃo pós-crítica paulo Henrique Costa Nascimento. Graziela Zambão Abdian
trabalhos -> Uma casa sem rua: as possibilidades do desenvolvimento da autonomia moral num espaço de privaçÃo de liberdade
trabalhos -> A dimensão Pedagógica do Amor Genivaldo de Souza Santos


Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8


©psicod.org 2017
enviar mensagem

    Página principal