Uma breve análise acerca do mito do amor materno e as implicaçÕes que decorrem a maternidade compulsória



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Teologia Cristã
Na teologia cristã o feminino e a maternidade possuem duas figuras básicas: Eva, a mulher tentadora, erotizada que simboliza as forças perigosas e pecaminosas, é raramente pensada como símbolo de maternidade, embora como primeira mulher, seja a mãe de todos nós. Erotizada se associa a noção de castigo, de expulsão do paraíso, fraca e frívola, Eva torna-se o símbolo do mal.

Outra figura diz respeito a Maria, que concebeu sem pecado, ou seja, sem relações sexuais, assim a noção de pureza, caridade, humildade e da obediência liga-se a imagem da maternidade santificada, dissociada do exercício da sexualidade, condição sinequa non da possibilidade de redenção.

Retome-se a bíblia em seu primeiro capítulo Gênesis: a criação do homem, que mesmo antes de sair das mãos criadoras de Deus, dá nomes aos animais que existiam antes dele, vendo-o decepcionado, sentindo-se sozinho, Deus o adormece e retirando uma de suas costelas da origem a fêmea, que será sua companheira. (BÍBLIA SAGRADA, 1990).

A mulher é criada, se torna responsável pelo pecado do homem, com o discurso da serpente, que dizia ser semelhante a Deus e ter o conhecimento do bem e do mal. Persuade seu companheiro a comer o fruto. Questionado por Deus o homem diz: “A mulher que me enviastes como companheira me deu da árvore e eu comi”. (BÍBLIA SAGRADA, 1990).

Assim seguem todas as maldições enviadas por Deus o todo poderoso, ela é a culpada pela expulsão do jardim do Éden e condenada a sentir suas dores do parto triplicadas, sua paixão será para teu marido e ele a dominará.

O conceito de paixão aqui está estreitamente ligado a ideia de passividade, submissão, e alienação atributos que prevaleceram na nova condição feminina. Adão em sua posição de senhor foi condenado apenas a trabalhar arduamente e morrer como Eva.

Pensadores da igreja vão dificultar ainda mais a situação primeira de Eva, incutindo a serpente no seu interior, sendo a serpente e a própria mulher, demônios. Eva se transforma no símbolo do mal. Assim pensadores como Santo Agostinho vão dissertar e proclamar aos quatro cantos, a insuficiência da mulher, e sua inferioridade.
Se pudéssemos livrar o mundo das mulheres, não ficaríamos afastados de Deus durante o coito. Pois que verdadeiramente, sem a perversidade das mulheres, para não falar da bruxaria, o mundo ainda permaneceria à prova de inumeráveis perigos. Tu não sabes que a mulher é a Quimera, embora fosse bom que o soubesses; pois aquele monstro apresentava três formas: a cabeça, nobre e radiante, era a de 94 um leão; o ventre obsceno era o de uma cabra, e a cauda virulenta era a de uma víbora. Queria assim dizer que a mulher, embora seja bela aos nossos olhos, deprava ao nosso tato e é fatal ao nosso convívio. (INSTITORIS, 1997)
Outro importante pensador São Paulo ameniza a condição feminina dizendo, que os homens e as mulheres possuem os mesmos direitos e deveres, no entanto, não nega a hierarquia que há do homem sobre a mulher. O homem deve ser o chefe do casal, pois foi criado primeiro. É a ele, portanto que cabe o poder de mandar. No século XIV São Paulo lança uma fórmula famosa que perdura por séculos: “Vós maridos amai vossas mulheres, como também cristo amou a igreja… assim como a igreja está sujeita a cristo, vossas mulheres estão sujeitas ao marido” (Epístola dos Efésios séc. XIV, São Paulo).

Deveras, assim que lançadas as preposições da moral eclesiástica, permanece até o século XX a subordinação da mulher ao marido. Os pensadores da igreja legitimaram sempre o poder do marido sobre a mulher e os filhos/filhas, reforçando a teoria filosófica de inferioridade feminina.

Ressalte-se, inclusive que a mulher carecia de qualidades ontológicas: os teólogos fizeram dela um ser maligno, na melhor das hipóteses uma invalida, até os dias de hoje os homens se lembram disso.

No Código Civil Francês, encontra-se presente a autoridade marital, ligeiramente abalada no século XVIII. Na época, Napoleão retomou alguns preceitos bíblicos que estavam sendo esquecidos, e insistiu para que no dia do casamento a esposa reconhecesse explicitamente e publicamente o poder do marido e seu dever de obediência a ele. Legisladores deram forma ao preconceito napoleônico e basearam-se no poderio marital no duplo fundamento da invalidez feminina, e da necessidade de uma direção única da família. (VERUCCI, 1987).



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