Uma breve análise acerca do mito do amor materno e as implicaçÕes que decorrem a maternidade compulsória



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O Amor Materno
Ao pensar em uma definição de amor materno, imaginamos que esteja relacionado a valores que comumente associamos e escolhemos para significar esse sentimento. Como por exemplo: um amor mais forte que tudo, melhor que todos os outros, o mais obstinado.

Mas será possível defini-lo? Comparando-se a relação mãe-bebê atualmente em relação a realidades anteriores, ou seja, outras gerações chegam-se à conclusão de que elas são bem diferentes. Todavia, pode-se supor que esse sentimento não é sempre o mesmo na história da humanidade, percorre diferentes concepções ao longo da história.


A história do comportamento materno das francesas nos quatro últimos séculos não é muito reconfortante.Ela mostra não só uma grande diversidade de atitudes e de qualidade de Amor, mas também longos períodos de silêncio. Alguns dirão talvez que palavras e comportamentos não revelam todo o fundo do coração e que resta algo de indizível, que nos escapa. A estes, somos tentados a responder com a frase de Roger Vail-land: "Não há amor, há apenas provas de amor." Então, se faltam provas, por que não deduzir as consequências dessa. (BADINTER, 1985)
No entanto, a compreensão da sociedade em relação as mulheres e mães continuam rodeadas de culpabilização, determinismos, religiões e autonomia restrita das mulheres na decisão de ser ou não mães.

No que diz respeito ao amor materno, cabe entender-se a posição do homem/pai/marido, e sua relação com a mãe e filho ou filha. Nota-se que desde a antiguidade o papel do pai não mudou consideravelmente. O poder paterno que acompanha a autoridade marital, que tem por função de zelar pela família possui também um direito absoluto de julga e punir. O pai é o chefe.

Desde a Grécia antiga com as teorias aristotélicas, existem os que foram criados para mandar e os que foram criados para obedecer, a cidadã criada para obedecer é essencialmente inferior, não possui inteligência, seu lugar na concepção é secundário, semelhante a terra, que precisa ser semeada, seu maior mérito é seu ventre.

O homem a criatura devidamente acabada, é natural que ele comande o restante das criaturas intermináveis indefinidas. Como Deus comanda suas criaturas, como o Rei comanda seu reino. Esses postulados de Aristóteles serão rigorosamente retomados pela teologia cristã e pelos teóricos da monarquia absoluta.

Na Grécia antiga Aristóteles, já deixava bastante claro a inferioridade da cidadã em relação ao homem. Todo brutal império romano passando pelos séculos XVI, XVII, XVIII onde o conceito de amor materno era outro, as crianças eram entregues as amas desde muito cedo e voltavam para a casa dos pais, quando já tinha por volta de cinco anos, prevalecendo uma cultura de indiferença materna.
A condição do Pai-Marido-Senhor todo-poderoso não pode ser explicada senão pela sua essência. Criatura que mais ativamente participa do divino, seus privilégios devem-se apenas à sua qualidade ontológica. É "natural" que a mais acabada das criaturas comande os demais membros da família, e isso de duas maneiras: em virtude de sua semelhança com o divino, como "deus comanda suas criaturas", e em virtude de suas responsabilidades políticas, econômicas e jurídicas, como um "Rei comanda seus súditos". (BADINTER, 1985)
Outro aspecto histórico importante a ser considerado, é que desde muitos séculos, a fecundidade é tida como benção divina, ao passo que a infertilidade é tida como castigo. Em determinados períodos históricos a procriação torna-se particularmente imperiosa, como por exemplo, no século XVI, quando a peste negra dizima um terço da população europeia. Períodos como esse geram repercussões na representação social da maternidade, em tais circunstancias é necessário que as famílias tenham uma grande prole.

Neste momento o lugar da mãe cresce na sociedade ao mesmo tempo em que o da criança. A maternidade que até então cumpria uma função apenas biológica, passa a cumprir uma função social. No entanto apesar do discurso médico e filosófico, as nobres, as ricas e as burguesas continuavam a confiar seus filhos, filhas a “amas mercenárias” até o fim do Século XIX.


Mas que dizer dessas mulheres das classes abastadas, sobreas quais não pesava nenhuma das duas hipóteses, já que seus maridos não precisavam do trabalho delas? Que pensar dessas mulheres que tinham todos os meios para criar os filhos junto de si, e amá-los, e que durante séculos não o fizeram? Parece que elas julgaram essa ocupação indigna de si, e preferiram livrar-se desse fardo. E o fizeram, aliás, sem provocar o menor escândalo. Pois, com exceção de alguns severos teólogos e outros intelectuais (todos homens), os cronistas da época parecem achar a coisa normal. (BADINTER, 1985)
Não há uma conduta materna universal e necessária. Contrariando a crença generalizada em nossos dias, ela não está profundamente inscrita na natureza feminina. Observando o desenvolvimento das atitudes maternas, verifica-se que o interesse e a dedicação à criança, não existiram em todas as épocas e meio sociais. As diferentes maneiras de expressar o amor vão do mais ao menos, passando pelo nada ou quase nada. Toda doutrina patriarcal é construída na regulamentação dos corpos femininos seja pela ciência biológica que respalda essa forma de viver seja pela própria filosofia que caminha lado a lado com esse sistema de desenvolvimento humano que beneficia os homens em detrimentos das mulheres. Construindo toda uma rede de pensamento que vem desde os primórdios da história ocidental.

No século XX, especialmente sob a influência da psicanálise, reforça-se a tendência de responsabilizar a mãe pelas dificuldades e problemas que surgiam nos filhos(as). A mãe ganha aqui a responsabilidade de cuidar do inconsciente e da saúde mental e emocional dos filhos. Freud, estudioso da psicanálise, traz uma ênfase um tanto exagerada da importância da relação mãe/filho, acentuando a imagem de devoção e sacrifício que caracteriza a boa-mãe que se torna deste modo personagem central da família. (Badinter, 1985).



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