Uma breve análise acerca do mito do amor materno e as implicaçÕes que decorrem a maternidade compulsória



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INTRODUÇÃO

Os depoimentos acima descritos são autênticos e comuns de serem ouvidos, demostram o cansaço, o desencanto o peso de algumas mães em relação à maternidade.No entanto, dizer que essas mulheres são más por não conseguirem ou não quererem criar seus filhos/filhas é um tanto injusto e dizer-se ia até uma deturpação histórica.

A questão que se coloca não está na maternidade em si, mas sim em como está estruturada a sociedade patriarcal, a sociedade dos homens, que em todo seu percurso de formação e consolidação, usou e subjugou o gênero feminino, em suas teorias do instinto materno com a finalidade de melhor viverem. Com o discurso da incapacidade masculina e capacidade total da mulher, em gerar, criar, alimentar, vestir, educar, puderam seguir seu caminho na vida pública.

O amor de uma mulher quando mãe, para com o seu filho/ filhas, faz grande diferença na vida da criança até a vida adulta, assim como o amor destinado para uma criança sempre lhe trará benefícios, não necessariamente somente o amor da mãe que fará a diferença, o amor do pai, dos tios e tias, dos avós, da sociedade dos amigos/amigas), todas essas formas de amor são grandiosamente válidas, e extremamente importantes para a criança e também, para a mãe. Todavia existe aqui uma necessidade que não raras vezes é de fato vivida pelas mulheres. Quando, após anos de namoro, resolvem noivar, se casar, após determinado período, já se ouve da família questionando a não gravidez: “e o bebê? “Você está demorando muito para engravidar”!

Desta forma, realmente pressionada, é quase impossível se pensar na possibilidade de não ter esse tão esperado e aguardado bebê, desejo da família. Com todo esse encargo a mulher já providencia uma gravidez ou as consequências de decisão contrária, serão os constrangimentos próprios da sociedade dos homens.

Durante esse percurso se algo como a infertilidade surgir, ou até mesmo a decisão for não ter filhos, decorrerá toda uma tensão familiar e social difícil de encarar ou até mesmo constrangedora. Ainda, quando a empreitada é positiva, toda uma felicidade toma conta dos familiares dos amigos do trabalho, ou na faculdade, ou seja, no meio social em geral. Sendo o rebento um menino a felicidade aumenta exponencialmente, até nos dias de hoje isso é possível de notar, o entusiasmo a força, a virilidade de estar recebendo mais um homem na família, no meio e na sociedade. Comentários são como esses: “então é um varão”, “esse você acertou, esse é macho”!

Ao receber a notícia de uma menina, não haverá uma expressão tão sincera de infelicidade, mas sendo uma menina percebe-se uma forma bem menos entusiasmada, delicada, e o que é mais claro, de submissão, de controle, evidentemente não há o mesmo deleitamento.

É importante mencionar que há necessidade de reflexão por partes das mulheres, uma vez, que a divisão com os cuidados com um filho(a), é quase nula na maioria dos casos, e majoritariamente são as mulheres as verdadeiras responsáveis pelos cuidados.

Essa constatação não diz respeito à questão de instinto, mas sim de costume, determinismo biológico, período histórico, economia, patriarcado entre outras implicações e formas de cercear o corpo feminino.

Há pouca importância por parte dos homens nessa decisão de ter filhos/filhas, afinal, em geral eles querem que suas mulheres os tenham.A questão é que pouquíssimas vezes essa decisão é das mulheres, e repetidas vezes vê-se o sofrimento que acompanha uma criança indesejada, uma mãe obrigada, sozinha,se casada cujo marido só faz trabalhar e vê em sua casa o espaço de descanso, sempre limpo, arrumado, os filhos bem cuidados, educados, quietos, sem bagunça, sua alimentação bem servida, ou seja, os obstáculos a serem saltados para uma boa maternidade são insuperáveis, o que demonstra que boa parte das mães estão realmente cansadas, desencantadas,se esforçando muito para realizarem seus papéis de boas mães e mesmo assim se sentem culpadas por não realizarem um bom trabalho maternal.

Portanto o sentimento materno oscila de acordo com as invariáveis socioeconômicas da história. No fim do século XVIII é que se começou a enfatizar a importância da presença da mãe na transmissão dos fundamentos de educação e religião, a partir daí se estabeleceu o costume da criança ficar sob os cuidados da mãe até os sete anos. Inicia-se, então uma exaltação materna. Naquele século, Rousseau importante pensador iluminista, a respeito do comportamento da mulher na sociedade e a questão materna, soube desenvolver um pensamento de dominação de corpos, com uma suposta liberdade feminina, detalhando e especificando muito bem os caminhos que essa nova mulher mãe deveria trilhar.

Desta forma o desenvolvimento do tema proposto, viabiliza a reflexão, a respeito do conceito de amor materno e seu desenvolvimento ao longo da história do ocidente, que o elevou a um patamar de sacralidade, sofrimento, desprendimento próprio, dedicação total, e uma espécie de mãe-heroína, com o propósito de trazer átona, dados históricos que mostram que nem sempre a maternidade foi realizada dessa maneira.

No que diz respeito a maternidade compulsória, é traçar um paralelo, com o mito do amor materno, na tentativa de elucidar que a escolha da maternidade na maioria das vezes passa por cima da decisão da mulher se tornando uma coerção social, resultando em uma maternidade desgostosa, sozinha, cheia de tensões, com muitos empecilhos justamente por que essa mulher não pode escolher realmente ser ou não mãe.


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