Título: Estresse e bem-estar no trabalho: Uma revisão de literatura Title: Stress and well-being at work: a literature review Identificação dos Autores Autora



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Conclusão
A presente revisão cumpre com seu objetivo ao trazer um panorama geral dos estudos nacionais e internacionais que relacionam estresse e bem-estar no trabalho, destacando preditores, moderadores e mediadores desta relação. Em nível nacional, traz uma contribuição adicional, pois os dois estudos brasileiros de revisão encontrados analisaram somente os preditores de BET, sem considerar moderadores e mediadores. A revisão também deixa evidente o surgimento de novos modelos mais complexos e sofisticados, oferecendo novas luzes para a compreensão dos processos e da dinâmica do bem-estar. Além dos fatores do trabalho, incorporam-se nesses modelos os recursos pessoais (resiliência, autoeficácia, competências emocionais, RE, desapego psicológico), a interface trabalho-vida pessoal e os fatores no nível do grupo, esclarecendo o papel que desempenham na relação entre estresse e bem-estar.

Sobre os fatores organizacionais os resultados apontam que a ausência de suporte, de recursos, de boas relações e de outros aspectos relacionados ao trabalho repercutem mais negativamente nos indicadores de BET do que a sua presença contribui positivamente para o BET. A percepção de suporte organizacional e os recursos no trabalho, especialmente a autonomia e o suporte social de pares e chefias atuam como moderadores, reduzindo o impacto negativo do estresse sobre o BET. Sobre os recursos pessoais, eles se revelam capazes de fazer a pessoa preservar o seu bem-estar no trabalho mesmo em condições adversas. As competências emocionais e as estratégias de regulação emocional funcional além de serem preditoras de BET atuam como moderadoras eficazes, minimizando os efeitos negativos dos estressores. Vale ressaltar que apesar de algumas estratégias utilizadas para lidar com situações estressantes serem consideradas adaptativas ou desadaptativas, por estarem associadas com maior frequência a indicadores positivos ou negativos de bem-estar e saúde, as consequências podem variar dependendo do contexto. A estratégia de enfrentamento focada no problema, por exemplo, traz mais benefícios que a de esquiva, embora esta última possa ser útil provisoriamente em situações em que não se consegue ter controle sobre um ambiente aversivo.

Considerando a complexidade dessa temática, mais estudos deveriam explorar as estratégias de RE intrapessoal, testando seus diferentes papéis (moderadores e mediadores), em situações e ocupações diversas, diferentes grupos etários, incluindo também as estratégias de regulação emocional das demais pessoas com quem se interage (interpessoal). Além disso, nota-se que poucos mediadores foram testados, representando uma lacuna a ser preenchida. Embora não tenha sido o foco desta revisão, é possível notar que são poucos os estudos que exploram a eficácia de intervenções em recursos pessoais (habilidades de regulação e competências emocionais) e mudanças organizacionais, avaliando seus efeitos no estresse e bem-estar.

Sugere-se ainda, testar modelos mais amplos e integrados, que considerem a variabilidade individual frente a demandas e estressores, e os resultados de longo prazo positivos e negativos na saúde e no bem-estar. Para isso, são necessários mais estudos longitudinais que permitam inferir causalidade e também compreender o processo e a dinâmica do bem-estar no trabalho. Outra lacuna quanto ao método se refere à ampliação da mensuração para além do autorrelato, com o uso de medidas de respostas corporais, de observação do trabalho, acompanhamento diário, multiníveis (p. ex., interpessoais, grupais), integrando análises quantitativas e qualitativas.

Quanto às limitações deste estudo, pode-se apontar a seleção de periódicos, que ocorreu em diversas bases de dados e revistas relevantes para a área, embora possam haver outras não consultadas. E também podem haver outros níveis de análise e abordagens sobre estresse e bem-estar no trabalho para além das utilizadas neste estudo.

Como contribuição prática, os resultados encontrados são relevantes e podem subsidiar políticas e programas de melhoria do bem-estar e de redução do estresse dos trabalhadores, a partir de um olhar mais cuidadoso sobre os estressores, os recursos do trabalho, o suporte organizacional e social, as relações interpessoais, os recursos pessoais e o equilíbrio trabalho-vida pessoal. Esses fatores mostraram-se altamente importantes e, se não tratados adequadamente, podem se constituir em riscos psicossociais, com consequências danosas para a saúde dos trabalhadores.



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