Título: Estresse e bem-estar no trabalho: Uma revisão de literatura Title: Stress and well-being at work: a literature review Identificação dos Autores Autora



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Discussão
A análise dos dados revela distinção na maneira como o BET é abordado. Alguns estudos abordam o BET em uma combinação de aspectos positivos e negativos6,23,53. Outros diferenciam o BET positivo e o mal-estar/tensão (faceta negativa do BET) adotando medidas em separado4,37. Os instrumentos de mensuração abordaram aspectos positivos como o bem-estar psicológico (BEP), o afetivo (BEA) e o subjetivo (BES); a saúde mental e física; o engajamento no trabalho; a satisfação com a vida e trabalho; e a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT). Os aspectos negativos foram abordados medindo-se o estresse psicológico, tensão, os sintomas/transtornos físicos e psicológicos e o burnout. Essa variedade sinaliza haver amplitude do conceito/modelos propostos de bem-estar relacionada à complexidade do fenômeno.

Observa-se que devido à grande diversidade de estudos, algumas variáveis tiveram diferentes papéis nos modelos testados, mostrando-se ora como preditores ora moderadores positivos ou negativos de bem-estar, ampliando a compreensão da dinâmica desse construto. A falta de suporte social dos pares e chefia foi preditor negativo de BET17,20 e a sua presença foi preditora positiva de BET17, exercendo também papel moderador no estudo de McCalister et al.58 ao amenizar o efeito negativo dos estressores. Em síntese, a falta de suporte social teve maior impacto negativo no bem-estar do que a sua presença contribuiu para o bem-estar45. No estudo de Lee et al.56, a busca por suporte social utilizada como estratégia de coping foi associada ao menor estresse e estilo de vida mais saudável, mostrando a importância desse fator para os empregados. A percepção de suporte organizacional, por sua vez, minimizou o efeito dos estressores no BET17, enquanto que a baixa percepção desse suporte teve efeito inverso, com impacto negativo no bem-estar12.

As estratégias de regulação emocional (RE) funcional e as competências emocionais foram preditores positivos de bem-estar32,42, bem como protetores de estresse nos estudos de Sonnentag17 e Kinman e Grant42. Além disso, o bem-estar afetivo, foi associado a menores níveis de estresse, depressão e ansiedade, no estudo de Uncu et al.60. Em alguns estudos, apesar de não terem sido testados moderadores, determinados fatores podem ter atuado reduzindo os efeitos do estresse. É o caso do estudo de Goto et al.59 em que os trabalhadores tiveram uma boa percepção de bem-estar (satisfação com a vida e trabalho), apesar de diversos estressores presentes. Pode-se supor que as estratégias utilizadas para enfrentá-los tenham sido eficazes. Na pesquisa de Bragard et al.35 houve alta satisfação laboral associada à percepção positiva do próprio trabalho, embora os empregados relatassem muitos estressores e burnout.

É possível notar que os fatores do trabalho (p. ex., estressores, falta de recursos, dificuldades nas relações) foram mais consolidados como preditores negativos que prejudicam o BET1,3,6,17,18,21,23,23,25,36-39, enquanto os recursos pessoais (p. ex., autoeficácia, regulação emocional) como preditores positivos de BET6,17,17,32,33,40-45. De acordo com a revisão de Sonnentag17 os resultados sobre os recursos pessoais são inconclusivos para indicadores negativos de bem-estar. É relevante ressaltar aspectos controversos e ambivalentes encontrados sobre as estratégias de coping e RE. Se por um lado o uso do coping focado no problema se mostre bastante consolidado na literatura como preditor positivo de BET6,41,44, além de relacionado ao menor estresse e melhor estado de saúde59, por outro, os resultados relativos ao coping de esquiva são contraditórios. Embora essa estratégia esteja na maioria das vezes associada a indicadores negativos de bem-estar e saúde6,45, em algumas situações parece ter efeitos benéficos41, o que reforça a ideia da importância da flexibilidade regulatória dependendo do contexto61. Ou seja, o uso de diferentes estratégias de RE de acordo com a situação facilita a adaptação aos estressores. Nesse sentido, Lawrence et al.32 ressaltam que não é a mera utilização de determinadas estratégias de regulação consideradas disfuncionais (p. ex., a supressão de emoções) que causa danos à saúde, mas o seu uso habitual.



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