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Do homossexualismo a homoafetividade: mudam-se termos, porém persistem os preconceitos



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Do homossexualismo a homoafetividade: mudam-se termos, porém persistem os preconceitos
Se analisarmos a homossexualidade no Brasil, perceberemos que nas últimas décadas ocorreram significativas mudanças, as quais podem ser compreendidas por um conjunto de fatores econômicos, políticos, sociais e culturais. A partir da década de 1970 o Brasil passa por um forte processo de urbanização e industrialização, modificando a estruturação social e criando novos meios de sociabilização nos grandes centros urbanos que, por conseguinte influenciam no aparecimento de novas identidades e estilos principalmente no universo homossexual.

É justamente na década de 1970 que surgem os primeiros movimentos homossexuais no Brasil, os quais tinham por objetivo reunir indivíduos que se reconhecessem com qualquer uma das identidades sexuais, e que estivessem dispostos a lutar e defender o direito da livre opção sexual. Esses movimentos são frutos do que ocorrera no bairro de Greenwich Village em New York no dia 28 de junho de 1969, em que um grupo de homossexuais cansados da intolerância e da discriminação saíram pelas ruas gritando a frase “Sou Homossexual e me orgulho disso”, sendo a primeira vez que um grupo de homossexuais resistiu publicamente à discriminação, servindo de exemplo para o mundo todo. No Brasil essas iniciativas estiveram concentradas no Rio de Janeiro e em São Paulo, e junto desses movimentos na década de 1980 surge uma epidemia que acaba por reforçar ainda mais os preconceitos e aumentar a imagem negativa em relação ao homossexual, surge a chamada “peste gay”: a AIDS. Essa doença passa a ser associado diretamente com os homossexuais, por isso o termo homossexualismo, utilizando o sufixo “ismo” para designar a homossexualidade como uma doença. Essa doença até então pouco conhecida e que predominava entre os homossexuais, faz com que esses movimentos de lutas e reivindicatórias acabassem diminuindo, e quase que desaparecendo.

É principalmente nos anos 1990 que o movimento homossexual passa a ter uma maior notoriedade social no Brasil, em um momento em que o debate sobre cidadania e os direitos humanos de gays e lésbicas avança simultaneamente em todo o mundo e a ideia de homossexualidade igual a Aids, que por consequência leva a morte, já estava sendo descontruída, em consequência da doença atingir outros grupos sociais. 4

Com os avanços da medicina e um maior conhecimento sobre a doença e as formas de contágio, descobriu-se que esse não era um mal exclusivo de homossexuais, que todos estavam sujeitos a contrair a doença se não tomassem os devidos cuidados, por isso no ano de 1999 o Conselho Federal de Psicologia em um resolução, alerta aos psicólogos brasileiros, que “a homossexualidade, não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão e sim uma certa inquietação da sociedade em torno das práticas sexuais desviantes daquilo que é estabelecido como “norma” aceita pela sociedade. E a Psicologia pode e deve contribuir com seu conhecimento para o esclarecimento sobre as questões da sexualidade, permitindo a superação de preconceitos”

Hoje não se fala mais homossexualismo, utilizam-se termos como homoafetividade ou homossociabilidade, porém, esse estereótipo associando o vírus do HIV com a homossexualidade ficou muito forte e presente em nossa sociedade, mesmo com todos os avanços da medicina, das pesquisas em relação a essa doença e as advertências de que ela não é uma doença homossexual, ainda se associa o gay com a AIDS, prova disto é que mais uma vez o Ministério da Saúde proibiu a doação de sangue por homossexuais.

Por persistir essa forte intolerância e pela falta de conhecimento e informação, a homofobia tornou-se um dos últimos preconceitos ainda aceitos pela sociedade. Bastam lembrarmo-nos de vários nomes dos movimentos de defesa dos direitos que defendem publicamente o direito das minorias, étnico raciais, das mulheres, pessoas com necessidades educativas especiais, mas que se escondem quando o assunto em pauta é o combate a violência ou luta pelos direitos gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais. Na atualidade poucas pessoas ousariam expressar publicamente atitudes que venham incentivar explicitamente o preconceito contra a população negra, contra população judaica ou sexismo contra mulheres. Entretanto, falar publicamente, não ter simpatia, ou até mesmo odiar pessoas homossexuais ainda não só é tolerado como constitui de forma bastante comum de afirmação da heterossexualidade masculina. 5

Nesse sentido da afirmação em quanto homem e heterossexual, devemos destacar as situações de violência, pois a violência serve como uma possibilidade no desempenho do papel social do homem, ela é estimulada como uma forma de sociabilização entre os meninos caracterizando-se como um determinado tipo de subjetividade masculina, 6 desta forma, agredir fisicamente um homossexual serve não apenas para mostra a reprovação de um determinado comportamento, mas também para afirmar a masculinidade do agressor.

Na própria palavra masculinidade está embutido o significado de “viril”, “enérgico”, “forte” e “ativo”, características que não são esperadas em um homossexual, pois a representação de um homossexual está sempre mais para o lado feminino do que o masculino, e esse falso estigma é constantemente reafirmado pelos meios midiáticos, os quais apresentam o gay como afeminado, frágil e indefeso muito parecido com as representações femininas do início do século XX, mas estas já foram superadas a tempo pelas lutas e reivindicações femininas. Nolasco aponta que no ocidente a masculinidade não é adquirida facilmente, ela deve ser conquistada através de muito esforço, existindo entre a masculinidade e a violência uma estreita relação, visto que brigar é sinônimo de masculinidade. O autor aponta ainda que na Inglaterra Jacobina os piores insultos a um homem era dizer-lhe que tinha jeito de mulher ou que era um bom menino7. Esse tipo de mentalidade se faz muito presente em nossa atualidade, pois quando se pretende ofender um homem é comum chama-lo de “gay” ou similar.



Se hoje não se fala e nem se aceita mais o termo homossexualismo por o termo “ismo” remeter a uma doença que não é exclusiva dos homossexuais, na prática os preconceitos persistem, não se fala mais que Aids é coisa de gay explicitamente, mas ainda se pensa, não só por que o ministério da saúde proíbe homossexuais a doar sangue, mas principalmente por estar muito forte a ideia de promiscuidade associada a esse grupo. A televisão ajuda e muito a construir esse falso imaginário, em programas humorísticos, novelas e entrevistas em jornais o gênero que prevalece são os mais afeminados e vulgarizados, dificilmente se vê o gay com uma postura séria que possa o identificar a um heterossexual.


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