Título: Artigos junguianos sobre o tema criatividade no jap: uma revisão de literatura



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Título: Criatividade: uma revisão de artigos do Journal of Analytical Psychology.

Palavras-chave: criatividade, psicologia analítica.

Autoras: Paola Vieitas Vergueiro e Mariana Taliba Chalfon

Resumo: O presente artigo tem o objetivo de realizar uma revisão teórica sobre o tema criatividade nos artigos publicados no Journal of Analytical Psychology. Foram observados artigos que dedicam-se aos seguintes estudos: recursos criativos em análise, criatividade e sua relação com o psiquismo, imaginação ativa, estudo de personalidades criativas e leitura de obras de arte.

O interesse da psicologia analítica em explorar os movimentos relativos à criatividade é presente desde o início de sua constituição teórica. A importância da criatividade na psique e sua relação intrínseca com o arcabouço conceitual proposto por Jung convida teóricos a lançarem olhares diversos às suas origens e desenvolvimento, bem como aos seus frutos como a produção de conhecimento e cultura.

Para tal, o presente trabalho faz um recorte no amplo universo das publicações sobre o tema e analisa os artigos publicados no Journal of Analytical Psychology. O periódico em questão foi escolhido pelo fato de ser considerado uma referência teórica para a comunidade junguiana internacional, na área clínica e acadêmica.

É preciso frisar que o presente trabalho não se estabelece nos moldes de metanálise, tampouco de uma revisão sistemática. Propõe-se realizar uma revisão narrativa da literatura sobre o tema em periódico específico, buscando observar os desdobramentos teóricos produzidos sobre o tema da criatividade.    

Para a presente pesquisa foram coletados artigos desde o lançamento do referido periódico em 1955 até o ano de 2010. As revisões críticas de livros assim como as revisões de artigos, nomeada como Book Reviews e Journal Reviews, não foram incluídas nos artigos.

Para tal foi utilizada a palavra-chave criatividade e palavras a ela relacionadas como criação (creation), criativo (creative), arte (art), dança (dance), música (music) e imaginação (imagination) presentes nos títulos dos artigos. No entanto, após uma primeira busca, foi observado que as palavras arte e dança foram usadas como metáforas em alguns títulos cujo conteúdo não aborda o tema da criatividade. Estes artigos não foram incluídos. Para a presente revisão foram utilizados 36 artigos.

Simultaneamente percebeu-se que diversos artigos que se ocupam de análises de obras literárias, teatrais e coreográficas não apresentam em seus títulos as palavras-chave selecionadas para esta revisão, o que aponta que esta não esgota a relação entre arte e psicologia analítica contidas neste periódico. Em suma, existe um número maior de publicações que se ocupa da análise de manifestações artísticas que não constam na presente revisão por não apresentarem alguma das palavras-chave em seus títulos.

Dentre as publicações citadas os autores Green (2010), Hewison (2003), Izod (2000) e Johnson (1991) debruçam-se sobre obras de arte, buscando via psicologia analítica compreender possíveis direções e sentidos apontados por seus símbolos.

Algumas publicações apresentam o uso de recursos como o jogo, a imaginação e a arte como instrumentos propiciadores de ampliações de consciência que enriquecem a formação do analista: Davidson (1966), Cwick (2006), Bravesmith (2008), Addenbrooke (1997). Skar (2002) aponta a música como um recurso potencializador para o diálogo conciente-inconsciente no encontro analítico.

A mitologia aparece também em diversas publicações, aliada à arte e à compreensão junguiana do dinamismo psíquico simbólico-arquetípico, pelos autores Maduro (1980), Dougherty (1998), Zabriskie (2000).

O estudo de personalidades particularmente criativas é feito por Dougherty (1998), Storr (1983) e Plaut (1979).

Paralelamente, um grande número de autores discute a criatividade por meio de temas específicos como “morte” por Gordon (1977), “energia psíquica” por McCully (1976), “individuação” por Storr (1983), “psique, imaginação e ciência” por Zabriskie (2004), “animus” por Liotta (1997) e a “futilidade” por Perry (1989).  

A maior parte das publicações debruça-se sobre a análise, na qual os recursos criativos e imagéticos ocupam papel central.  Colman (2006) aponta fantasia como instrumento de transformação. McGlashan (1987) revê a teoria de criatividade artística e discute a terapêutica pela via musical; Hobson (1971) trata da imaginação como recurso para amplificação na psicoterapia; Schaverien (1999, 2005, 2007) trata da imaginação e da expressão artística como instrumentos terapêuticos; Spencer (1984) explora a terapia via dança; Carta (2002) aponta a música como possibilidade pré-representacional da emergência do Self nos sonhos e Green (2010) discute sobre a possibilidade de transformação do artista por meio da reflexão a respeito da própria obra.

A experiência clínica é fonte de informações e exemplos da grande maioria dos autores. Também a discussão teórica sobre criatividade e sua relação com o psiquismo é objetivo de diversos autores: Addenbrook (1997), Bravesmith (2008), Colman (2006), Cwik (2006), Dougherty (1998) Gordon (1977), Hayes (1959), Izod (2000), Johnson (1991), Lemaitre e Siltere (1998), McCully (1976), McGlashan (1987), Mrevlje (2004), Schaverien (1999, 2005, 2007), Solomon (2004), Spencer (1984), Storr (1983) e Zabriskie (2000, 2004).

O processo de imaginação ativa é outro ponto concêntrico de interesses: Fordham (1956, 1967 e 1977) estabelece as bases e os limites do conceito e Schaverien (2007) apresenta uma revisão do mesmo. Alguns autores estabelecem paralelos entre a imaginação ativa e aspectos do dinamismo psíquico: Davidson (1966) aponta a transferência como uma forma de imaginação ativa e Izod (2000), Amman (1998) e Schaverien (2005) apresentam paralelos entre imaginação ativa e manifestações artísticas na música, nas artes plásticas e na cinematografia. Por sua vez, Dieckmann (1971), explora os símbolos na imaginação ativa.
A arte aparece como recursos para a compreensão dos símbolos e dinamismos psíquicos, bem como a mitologia. O jogo e a imaginação, junto com a expressão artística são investigados como instrumentos para ampliação de consciência. Grosso modo o objetivo é aplicar os conhecimentos e instrumentos no encontro analítico, ou na formação de analistas, onde recursos criativos e imagéticos têm papel central.
O estudo de personalidades criativas aparece com menor ênfase, e no sentido de ampliar conhecimentos sobre a fonte da criatividade, e sua relação com a saúde psíquica. A discussão teórica tem seu espaço, pois visa discriminar a origem, função e a relação da criatividade com o desenvolvimento psíquico. Neste sentido a publicação de Zabriskie (2004) parece oferecer reflexões que podem colaborar para esta sistematização teórica, na medida em que busca um diálogo entre o termo alquímico “imaginação verdadeira” e conceitos fornecidos pelas neurociências.

As publicações a respeito do tema estudado demonstram os pressupostos junguianos. Há uma busca de consistência teórica sobre o tema e muito cuidado com as generalizações relacionadas aos processos criativos. Evita-se afirmar sobre um processo que, em sua maior parte, é desconhecido. Provavelmente em função disto, as investigações sobre os processos criativos e as análises teóricas sobre a criatividade evitam conceituá-la.

As considerações teóricas dos autores junguianos realizadas sobre criatividade permitem, contudo, por sua coerência e unidade, considerar a possibilidade de construir uma hipótese conceitual comum aos processos criativos a partir da teoria analítica, desde que se tenha o cuidado de propor um constructo teórico que não seja estático e fechado.

Diante disto pode-se observar que a investigação do tema no referido periódico tem contornos particularmente voltados para o conhecimento do psiquismo e para atuação terapêutica no ambiente analítico. Vale considerar que outras faces do tema não aparecem neste contexto, tais como a ênfase na intersecção com outras áreas de produção do conhecimento e com outros aspectos da criatividade, em particular o produto concreto da mesma.

Desta maneira, apresenta-se a alternativa de elaborar futuras tentativas de conjugação ou integração de idéias trabalhadas pelas neurociências como atualização, proto-imagem e as diferentes memórias com conceitos de símbolo, função transcendente e enantiodromia oferecidos pela psicologia analítica.   

 




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