Transtorno de Ansiedade Generalizada



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Encontro27.04.2018
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Não Consigo Parar de Me Preocupar

Quando a ansiedade e a preocupação crônica se tornam um problema
André Pereirai

Quem nunca se sentiu ansioso? Às vezes, por conta de uma prova importante ou devido a uma entrevista de emprego, ou em outros momentos, por temer que algo de ruim possa ter acontecido com uma pessoa querida? Não resta dúvida de que a ansiedade é uma emoção normal, experimentada por todos e que tem uma função muito importante: proteger-nos de ameaças. Entretanto, quando em excesso, ela atrapalha nosso funcionamento, perdendo seu caráter protetivo e se tornando uma experiência aversiva. Qualquer pessoa que tenha fobia de falar em público, por exemplo, poderá confirmar que o nível de ansiedade que experimenta nestas ocasiões, mais atrapalha seu funcionamento, do que lhe ajuda a se desempenhar melhor.

Quando a ansiedade é aguda e ocorre num curto espaço de tempo, ela é chamada de reação de luta ou fuga e é acompanhada por reações físicas, como: taquicardia, sudorese, tremor, falta de ar, entre outras. Além disso, essas reações são acompanhadas por sentimentos de medo intenso e uma propulsão à ação (lutar ou fugir). Em outros momentos, a ansiedade pode ser mais difusa, orientada para o futuro, e se caracterizar principalmente pela presença de preocupações, irritabilidade, tensão muscular, entre outros. Em geral, há uma antecipação de ameaça e, por isso, esta reação é denominada ansiedade antecipatória ou expectativa apreensiva.

Entre os transtornos de ansiedade, o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é um dos mais comuns, atingindo cerca de 5% da população. O sintoma chave é a preocupação excessiva, que deve ser considerada difícil de controlar pelo indivíduo. Além desta, devem estar presentes outros sintomas, como: irritabilidade, problemas com o sono, fadiga, falta de concentração, tensão muscular e inquietação. O que muitas vezes diferencia o TAG de outros transtornos de ansiedade é que o foco da preocupação está relacionado a diversos problemas do dia a dia – segurança, finanças, família, questões menores em geral – enquanto nos outros transtornos de ansiedade os indivíduos apresentam uma preocupação específica – medo de andar de avião, por exemplo.

Podemos dizer que as pessoas que se preocupam excessivamente apresentam certa alergia à incerteza. É muito comum relatarem pensamentos do tipo “E se...” quando passam por situações incertas, fazendo com que antecipem diversas possibilidades temidas. Esta estratégia está relacionada a crenças de que a preocupação pode ser uma maneira eficaz de solucionar problemas ou que estarão melhor preparados para quando o fato acontecer. Entretanto, a preocupação excessiva dificilmente é útil a estes propósitos. Por exemplo, por mais que nos preocupemos é sempre possível que sejamos assaltados ou que algo de ruim aconteça com algum dos nossos familiares. Ademais, não atenuaremos nosso sofrimento por termos antecipado estes acontecimentos.

O objetivo da terapia cognitivo-comportamental não é eliminar toda preocupação da vida de uma pessoa, mas sim, ajudá-la a distinguir aquelas preocupações produtivas daquelas disfuncionais. As primeiras estão, em geral, relacionadas a problemas imediatos e levam a ações efetivas; já as segundas, estão frequentemente associadas a problemas hipotéticos muito pouco prováveis, portanto, sem solução ou com um baixo custo benefício. Fique atento(a) aos pensamentos que você tem ao longo do dia, com o tempo que gasta se preocupando e que soluções tem utilizado para lidar com essas preocupações. Desta forma, você conhecerá um pouco mais sobre os fatores que lhe causam ansiedade e poderá implementar uma estratégia de enfrentamento logo no início do processo, quando, por ser menos intensa, é mais fácil manejá-la. Com ajuda de um psicólogo você poderá fortalecer suas habilidades para lidar com situações ansiogênicas, favorecendo o desenvolvimento de maior tolerância à incerteza.




i Mestre e Doutor em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Membro da diretoria da Associação de Terapias Cognitivas do Estado do Rio de Janeiro (ATC-Rio).



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