Transcrição: D07 Filosofia da Educação Descartes



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Encontro23.05.2020
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Transcrição: D07 - Filosofia da Educação - Descartes

Será que todas as coisas que já penetraram em minha mente não são mais verdadeiras que as ilusões dos meus sonhos? Ou, talvez, toda a minha vida seja algum tipo de sonho? Incluindo a crença de que tenho um corpo? Será que um gênio maligno, tentando me enganar de que o que penso ser realidade, é ilusão, poderia me levar a crer que pensar é não existir?”

Nas primeiras décadas do século XVII, essas e centenas de outras perguntas faziam parte do cotidiano e do método investigativo do filósofo francês René Descartes.

“Penso, logo existo”, disse ele. Com o exercício da subjetividade e a confiança na razão, Descartes revolucionou o pensamento filosófico e científico, até então subordinado a autoridade da igreja, a escolástica, e aos líderes políticos, ditos escolhidos por Deus. Contra as disputas religiosas sangrentas que reinavam na Europa, descartes ofereceu a razão. O seu subjetivismo, que valorizava o sujeito científico, indicava o caminho para a objetividade e para o rigor intelectual igualitariamente. Ele colocou ao alcance de todos as ferramentas para a descoberta da verdade. Sua tese mais importante foi propor que cada um pensasse por si mesmo. A autoridade da filosofia passou a se fundar não mais nas escrituras, ou nos sábios, mas na mente do filósofo.

Esse paradoxo da objetividade dentro da subjetividade, com a exigência da certeza e a isenção da dúvida, para o êxito da investigação cientifica, inaugurou um novo estagio no pensamento filosófico - motivo pelo qual Descartes é considerado o pai da filosofia moderna.

René Descartes ou Renato Cartesius, como ele se assinava em latim, nasceu em 1596 na pequena La Haye, na França. De família aristocrática, órfão de mãe, estudou interno no colégio jesuíta “La Fleche”, e formou-se em direito. Acabou se alistando como voluntario militar na Guerra dos Trinta Anos, no exército de Maurício de Nassau. Morou na Holanda mais de 20 anos, e faleceu em Estocolmo, como mestre de filosofia da rainha Cristina da Suécia, pouco antes de completar 54 anos.

Influenciado pelas ideias de Galileu, e pela amizade com o físico e matemático holandês, Isaac Beakman, Descartes tomou do amigo o raciocínio simples e fácil que os geômetras empregam para chegar as suas mais difíceis demonstrações, como ele mesmo observava, bem humorado.

E saiu em busca ambiciosa de um novo sistema de conhecimento. Um método único que mensurasse todas as realidades observáveis no mundo físico, celeste ou terrestre. Ele queria explicar o mundo a partir da mecânica elementar das partículas, usando os princípios da figura, do tamanho, da posição e do movimento das partículas da matéria.

Para ele, todas as coisas que caem sobre o conhecimento humano estão interconectadas da mesma forma, como escreveu em uma de suas obras mais conhecidas, Discurso do Método (Discours de La Méthode), publicada em 1637. O modelo matemático do sonho de Descartes abarcava todos os saberes em uma só unidade. Tanto que ele criou a metáfora de uma árvore do conhecimento, onde o tronco era a física, sustentando todas as ciências com seu raciocínio analítico.

Na busca da premissa da evidência, Descartes propunha o exercício da dúvida metódica, radical, hiperbólica como método até o nível do absurdo, quando a própria dúvida forneceria, então, a verdade indubitável.

O primeiro era nunca aceitar coisa alguma por verdadeira, sem que a conhecesse evidentemente como tal, quer dizer: evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção. E não aceitar nada nos meus juízos, se não o que me apresentasse tão clara e distintamente ao meu espírito, que eu não tivesse nenhuma ocasião de o colocar em dúvida.”

Depois de eleger a evidência, Descartes sugeria dividir em partes tantas quantas necessárias para análise. Então, colocar os conhecimentos em uma certa ordem, dos mais simples aos mais complexos. Era a ordenação. E o último, fazer sempre enumerações completas e revisões gerais para nada omitir.

A concepção de mundo e de homem de Descartes se baseava no que ficou conhecido como “dualismo cartesiano” - a divisão da natureza em dois domínios opostos: o da mente ao espírito, que ele chamou de “res cogitans” – a coisa pensante, consciente de si, livre e sem dimensão espacial. E o da matéria, que ele chamou de “res extensa”, a coisa extensa, isso é, a material, mensurável, espacial, sem consciência e mecanicamente determinada.

Deus, para Descartes, representava a ponte entre o mundo subjetivo do pensamento e o mundo objetivo da verdade científica. A mente e a matéria são criações de Deus, um ser perfeito, legitimador das evidências verdadeiras da razão. Quando a razão atinge a ideia clara e distinta, fala por Deus, seu autor primeiro.

Em sua premissa mais famosa, “Evidência Número Um”, que fundamenta todo o raciocínio cartesiano, Descartes exercita a dúvida até atingir o seu ápice.

Notei que, enquanto tentava supor que tudo fosse falso, era necessário que eu, que pensava isso, fosse alguma coisa. E observando que essa verdade: “eu estou pensando, portanto, eu existo” era tão firme e certa, decidi que poderia aceitá-la como primeiro princípio da filosofia que procurava.”



Vídeo da transcrição: https://www.youtube.com/watch?v=M3oLEGlzs6k&t=

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