Trabalho na concepçÃo de marx e a precarizaçÃo do trabalhador docente no ensino superior



Baixar 130,27 Kb.
Página1/8
Encontro22.04.2018
Tamanho130,27 Kb.
  1   2   3   4   5   6   7   8





A DIMENSÃO ONTOLÓGICA DO TRABALHO E A RELAÇÃO COM O REDUCIONISMO AO ECONOMICISMO DO TRABALHO DOCENTE NO ENSINO SUPERIOR

Polyana Imolesi Silveira de França

Programa de Pós-Graduação em Educação

Universidade Federal de Uberlândia
Robson Luiz de França

Programa de Pós-Graduação em Educação

Universidade Federal de Uberlândia

1. INTRODUÇÃO

A centralidade do trabalho na sociedade contemporânea tem sido discutida sobre diversos enfoques ideológicos a partir de considerações que envolvem a questão do desemprego crescente e da empregabilidade anunciada como meta política, social e de condição para distribuição de renda.

Apesar da defesa de Habermas, 1987, Rifkin, 1995 entre outros que defendem o fim do trabalho para uma sociedade que conseguirá alcançar essa condição entendemos que cresce a preocupação da presença da sombra do desemprego conforme Castel (1998, p.157),

Foi à relação com o trabalho que mudou profundamente. Ele é daqui para frente vivido por muitos como inquietação. O medo de perder o emprego predomina [...] Mas, é ainda sobre o trabalho, quer se o tenha, quer este falte, quer seja precário ou garantido, que continua a desenrolar-se, hoje em dia, o destino da grande maioria dos atores sociais.

A classe trabalhadora está submetida, historicamente, a um processo de exploração perverso no contexto da acumulação flexível. Essa exploração é liderada pela classe burquesa que detém o capital financeiro mundializado.

Castel (1998) demonstra que a classe trabalhadora está desamparada pelo próprio Estado de Bem Estar Social. Esse abandono ocorre de forma diferente conforme o país ou seja o desamparo é proporcional ao desenvolvimento social e cultural dos países. De uma forma ou de outro fez ruir em maior ou menor grau os direitos sociais conquistados pelos trabalhadores por meio políticas implícitas e explicitas governamentais.

No Estado de Bem Estar Social para Castel (1998), o trabalho era parcialmente desmercadorizado e, nos moldes atuais, vive-se uma remercadorização deste, com acentuados níveis de precarização das relações trabalhistas e desemprego galopante.

Pode-se afirmar que, nas últimas décadas, o capitalismo tem vivenciado um quadro crítico de crise que por sua vez, como conseqüência provocou profundas mudanças no mundo do trabalho. Dentre as principais alterações destacam-se o próprio conceito de trabalho e de trabalhador, as novas formas de gestão e organização do trabalho, a superexploração e o desemprego. Essas mudanças possuem um marco inicial que é a denominada “revolução da microeletrônica” que passou a exigir mais qualificação e produziu por outro lado menos empregos.

Outro aspecto que fragiliza as demandas dos trabalhadores nesse contexto além da falta de postos de trabalho, qualificação adequada para atender às novas exigências desse mercado está, por sua vez, explicita a partir dos anos 90 no Brasil o acirramento das privatizações, processo profundo de reestruturação industrial, ampliação das terceirizações, desemprego estrutural com conseqüente aumento do emprego informal e a inexistência de atuação efetiva dos sindicatos.

Zanella (2003, p.93), salienta que esse modelo de trabalho pós-fordista tem como base um novo contrato social que:

[...] assenta-se nos interesses individuais em detrimento aos interesses coletivos, na flexibilidade em detrimento da estabilidade e do não reconhecimento do conflito e da luta, ou seja, da negação do outro. Trata-se de um falso contrato, uma vez que é uma imposição do mais forte sobre o mais fraco, sem que o mais fraco tenha o direito de negociar.

A “negociação” – palavra amplamente difundida no contexto pós-fordista, como mecanismo de revisão de contrato de trabalho, surgiu como atributo de pessoas que se sentam em volta de uma mesa como iguais, porém como afirma Ferretti (2002, p. 114):

“[...] muito do que se denomina de negociação, nas atuais relações entre trabalhadores e empresários na grande empresa automatizada, nada mais é do que constrangimento e subordinação sob a aparência de respeito e participação”.

FERRETI (1998) afirma ainda que “[...] Isto pode significar, no limite, a ‘naturalização’ da produção capitalista e a negação, como ‘atrasado’, do embate político em torno de interesses divergentes” (p.115).

Mészaros por sua vez. Entende que a liberdade individual e a privacidade passam a ser cada vez mais indispensáveis à perpetuação do sistema capitalista e

Á medida que avança a liberação capitalista do homem, em relação a sua dependência direta da natureza, também se intensifica a escravização humana ante a nova “lei natural” que se manifesta na alienação e reificação das relações sociais de produção. Frente às forças e instrumentos da atividade produtiva alienada sob o capitalismo, o indivíduo se refugia no seu mundo privado “autônomo”. (Mészáros, 1981, p.232).

Todavia é preciso ressaltar que ao mesmo tempo em que o mundo do trabalho, sob a égide da acumulação flexível, acirra o individualismo e a competição, ocorre um apelo ao trabalho em equipe e este se sobrepõe à prática do trabalhador isolado em sua máquina dando conta de uma produção em série (MANCEBO 1999). Mas, também nesse caso do trabalho em grupo, a prática da competição entre equipes é muito apropriada para o sistema. Coletivos dessa natureza, certamente, compõem-se de pessoas que estão agregadas pela “




Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7   8


©psicod.org 2017
enviar mensagem

    Página principal