Trabalho: 36: a educação Ambiental como uma Possibilidade de Promover Cidadania aos Catadores de Materiais Recicláveis



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Anais do 2º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária

Belo Horizonte – 12 a 15 de setembro de 2004


A Educação Ambiental como uma Possibilidade de Promover Cidadania aos Catadores de Materiais Recicláveis
Área Temática de Meio Ambiente
Resumo

Atualmente vem aumentando cada vez mais o número de pessoas que trabalham com coleta seletiva de lixo. Entender os sentidos que a profissão tem para os catadores é imprescindível para o desenvolvimento de um trabalho de Educação Ambiental junto a eles. O presente artigo trata de uma pesquisa desenvolvida num Projeto de Extensão da FURB, cujo objetivo foi compreender como os catadores vêem sua profissão e como são afetados pela desqualificação social vivida por eles para, mediante essas informações, oferecer subsídios para futuros trabalhos de Educação Ambiental. Como metodologia, optou-se por entrevistas semi-dirigidas envolvendo seis sujeitos. Na análise dos dados observou-se que a história de vida dos catadores é marcada pela exclusão social e esta ocupação é sentida pelos entrevistados como sofrimento, humilhação, vergonha e necessidade de se sentir gente. Além disso, eles apresentam diversos problemas psicossociais relacionados às condições de trabalho, saúde e qualidade de vida. Concluiu-se que a Educação Ambiental tem um papel muito importante na atuação com projetos de extensão e demais órgãos públicos que é de valorizar o profissional que trabalha com coleta seletiva, bem como, mudar a visão que a população tem do lixo.


Autoria

Marivete Gesser - Psicóloga, Mestranda em Psicologia Social pela PUCSP.

Ana Lúcia Bertarello Zeni - Professora do Departamento de Ciências Naturais – FURB.
Instituição

Universidade Regional de Blumenau - FURB


Palavras-chave: educação ambiental; catadores de materiais recicláveis; cidadania
Introdução e objetivo

Os trabalhos de extensão vêm se apresentado como uma alternativa muito importante de promoção de saúde, preservação do ambiente e de inclusão social. No entanto, nas atividades de educação ambiental em comunidades, para que as ações sejam mais efetivas, torna-se necessário primeiramente conhecer a realidade das pessoas que lá habitam, visto que, existe uma diversidade a ser considerada nas diferentes localidades.

Inserido no projeto de extensão Assentamentos Humanos Populares da FURB, que tinha por finalidade assessorar as comunidades em situação de exclusão, buscando respostas às problemáticas vivenciadas, contribuindo com o reconhecimento de diferentes identidades e, com a construção de novos conhecimentos acerca da realidade local, o Sub-Projeto Conversando sobre a Água desenvolveu uma série de atividades com a comunidade da Rua Pedro Krauss Sênior, Blumenau – SC ligadas a Educação Ambiental. Estas foram realizadas na escola e na comunidade com o intuito de promover a construção de uma consciência ambiental, de saúde e qualidade de vida, utilizando como tema a coleta seletiva de lixo. Os principais resultados desse trabalho encontram-se publicados em Beckhauser & Zeni (2003) e Gesser & Zeni, (2003).

No decorrer do trabalho realizado, percebeu-se que uma facção da população desta comunidade encontrava na profissão de catador de materiais recicláveis, uma forma de garantir trabalho e renda. Assim, constatou-se que, seria de fundamental importância o desenvolvimento de uma pesquisa para melhor compreender o significado dessas atividades para esses sujeitos. Isso tornou-se importante pelo fato de que, o aumento das pessoas que dependem desta atividade parece estar relacionado muito mais, à necessidade que elas têm de obterem um trabalho do que, propriamente, em decorrência de um movimento de conscientização ambiental ou ainda, de uma escolha real e legítima por esta profissão.

Tais fatores fazem com que os trabalhadores que catam o lixo, apesar de toda a importância que isto representa para a nossa sociedade, continuem sendo desqualificados socialmente por exercerem tal função, pois, de acordo com Velloso, Santos & Anjos, (1997), a visão social desse grupo de trabalhadores em sua própria auto-imagem são problemáticas do ponto de vista de nossa sociedade. Ocorre um menosprezo pela referida ocupação que se origina dos próprios lixeiros, de suas condições econômicas e de trabalho adversas, que dinamicamente interagem com a imagem social da própria profissão.

Neste sentido, precisa-se desenvolver pesquisas com esses profissionais, para ampliar a compreensão de sua profissão, para que, junto às políticas públicas, se possa oferecer subsídios que visam oferecer melhorias tanto as condições de trabalho, como também, desenvolver uma política de valorização do catador em nossa sociedade.

Esse trabalho teve o objetivo de compreender como os catadores de materiais recicláveis vêem a sua profissão, quais os significados e sentidos construídos por eles em relação ao seu fazer e, como são afetados pelo processo dialético de inclusão/exclusão social perversa vivido por eles no seu trabalho, como também, verificar quais as condições de trabalho vividas pelos catadores de materiais recicláveis da comunidade Pedro Krauss Sênior e, mediante estes dados, apontar ações que poderão ampliar valorização social de sua profissão.
Metodologia

Como metodologia, baseado na complexidade que abrange o tornar-se catador, optou-se pelo método de pesquisa qualitativa que, de acordo com Gonzáles Rey (2002, p. xii) estuda o desenvolvimento do sujeito e dos fenômenos psicossociais a partir de uma perspectiva dialética, complexa e histórico-cultural e, se baseia na produção de sentido desenvolvida num processo constante de relacionamento mantido entre pesquisador e pesquisados. Nessa perspectiva, considera-se importante não só o que o sujeito fala, mas também o sentido da fala e o envolvimento do sujeito na pesquisa.

Com base nos procedimentos técnicos da pesquisa foi realizado um estudo de caso. Para Gonzalez Rey (2002), o estudo de caso é um método essencial para a produção do conhecimento e, além disso, permite destacar a tensão existente entre os desejos, afetos e necessidades individuais com os valores e ideologias que compõe a intersubjetividade social.

Quanto à forma como a pesquisa foi organizada, utilizou-se a realização de entrevistas semi-estruturadas com o intuito de verificar dados quantitativos, que dizem respeito às condições de trabalho e, principalmente, qualitativos que abrangem a compreensão que os catadores têm da sua profissão.

Já em relação aos sujeitos da pesquisa, foram entrevistados seis catadores de materiais recicláveis que habitam a localidade da rua Pedro Krauss Sênior em Blumenau – SC e, as entrevistas aconteceram neste mesmo local, previamente marcadas com os catadores.

Já em relação ao referencial teórico utilizado para analisar a compreensão que os catadores de materiais recicláveis possuem sobre a sua condição psicossocial, optou-se pelas reflexões propostas por Bader. B. Sawaia. A escolha por esta autora se deu em decorrência da concepção de homem que defende, um sujeito concebido como afetivo e que se emociona, que é contextualizado histórica e dialeticamente, que não é apenas determinado mas capaz de desenvolver-se de forma autônoma.

Utiliza-se neste artigo o conceito de “potência de ação”, que se baseia nas idéias do filósofo Espinosa e é proposto por Bader Sawaia (2001) para superar a racionalidade instrumental, considerando-se, a partir desse enfoque, a ética, a emancipação, a afetividade, a intersubjetividade e as emoções como potencialidades a serem desenvolvidas na superação das desigualdades sociais. Dessa forma, possibilita-se a construção de sujeitos autônomos, capazes de desenvolver formas de superação para o sofrimento ético-político.
Resultados e discussão

O destino do lixo é um dos problemas de maior gravidade em nossa sociedade. Trata-se de saber como se livrar do que é considerado inservível e, de reconhecer que se está diante de um problema ambiental de grandes proporções. Consome-se sem qualquer preocupação com a destinação do lixo e, menos ainda, com a sustentabilidade dos recursos naturais (Cozetti, 1996, p. 12).

Além disso, a quantidade crescente de lixo, fruto de um consumo exacerbado, geralmente tem manejo e destino inadequados, provocando efeitos indesejáveis outros irreversíveis ao meio ambiente (Nunesmaia, 1997).

Por outro lado, o aumento da produção de rejeitos, junto à diminuição dos empregos formais, vem contribuindo para que, cada vez mais pessoas se insiram na coleta seletiva, vendo esta como uma possibilidade de sobrevivência. Porém, ser catador de materiais recicláveis, apesar da importância que esta classe tem para a diminuição de materiais depositados nos lixões e aterros sanitários, e da preservação dos recursos naturais, como já destacado anteriormente, ainda é uma atividade que implica em uma intensa desqualificação social.

Deste modo, na análise dos resultados, observou-se que, a história de vida dos catadores de materiais recicláveis é marcada pela exclusão social e que a ocupação de catador é sentida pelos entrevistados como sofrimento, humilhação, desqualificação social, vergonha e necessidade de se sentir gente.

“A gente sente muita vergonha se ser catador, porque mexer com o lixo dos outros é muito ruim, depois, as pessoas olham para nós como se nós fosse uns coitadinhos, me sinto muito mal, trabalhar com o lixo é muito ruim, tenho a impressão que o valor que eles dão para a gente é nada, as vezes me sinto um lixo” (catador).

Baseado na fala acima se pôde perceber que, o que mais aflige os catadores de materiais recicláveis é o olhar que a sociedade em geral tem acerca de sua profissão. Este constitui o processo dialético de exclusão/inclusão social perversa que eles vivem e que, de acordo com Sawaia (2001), é um processo complexo que apresenta três dimensões: a dimensão objetiva mediante a desigualdade social, a dimensão ética através das injustiças e a dimensão subjetiva através do sofrimento psíquico.

Na dimensão objetiva, todos são inseridos de algum modo, nem sempre decente e digno, sendo que os catadores de materiais recicláveis estão inseridos mediante a insuficiências e as privações.

Já a dimensão ética é representada pelas condições mínimas de exercer a cidadania, pois em nossa sociedade, os valores éticos são construídos historicamente para possibilitar a inclusão de uns em detrimentos de outros. Nesta dimensão os catadores novamente são excluídos, pois não têm acesso a cidadania e sofrem em decorrência da discriminação social.

Na dimensão subjetiva, essa lógica dialética inverte a idéia de inclusão social, desatrelando-a da noção de adaptação e normatização, bem como, da culpabilização individual para ligá-la aos mecanismos psicológicos de coação. Ou seja, conforme Sawaia (2001, p. 9) existe o processo de exclusão que é disfarçado, ocultado e ainda responsabiliza o sujeito pela sua condição de incluído pela exclusão. É o que podemos perceber quando investigamos os motivos que os levaram o catador a optar por tal profissão. Todos eles enfatizaram que o principal motivo é a falta de escolaridade, apenas um dos seis entrevistados tem o primeiro grau completo. Três dos sujeitos entrevistados também destacaram o aumento do desemprego visto que, este fator contribui para a exclusão deles no mercado formal de trabalho.

“É, eu não estudei, é por isso que hoje estou numa pior, se tivesse estudado, poderia tem um emprego com carteira assinada e estar muito bem. Mas o mercado de trabalho está muito difícil, é por isso que quem não tem estudo acaba não arranjando emprego” (catador).

Como se pode constatar no depoimento acima, existe uma tendência por parte da sociedade em geral, que se reflete na própria maneira de como o sujeito se vê, de culpabilização individual pelo fato de não conseguir um emprego com carteira assinada, porém, não se pode deixar de ressaltar que o problema não é meramente individual, e sim psicossocial. Pois, como demonstram as pesquisas de Antunes (1997), atualmente o estudo não necessariamente é sinônimo de sucesso profissional, pois estão ocorrendo diversas transformações no mundo do trabalho e estas, vêm contribuindo para a crise do desemprego estrutural onde, inclusive, pessoas com terceiro grau completo se encontram desempregadas. O autor também destaca que, nos dias atuais é impossível ignorar o extraordinário efeito das metamorfoses. A contínua redução industrial e o crescimento menor dos serviços têm ampliado o desemprego e a insegurança no trabalho, pois, com a redução de postos de trabalho, a qualidade desses empregos afasta-se dos padrões desejáveis, aumentando, assim, o trabalho precário, com a conseqüente ampliação das desigualdades sociais, da pobreza e da exclusão.

Além do crescimento do desemprego, está ocorrendo uma ampliação da economia informal, mostrando que as melhorias técnicas diminuem os empregos em vez de criá-los. “Nos anos noventa, enquanto a produtividade ampliou-se consideravelmente, o emprego industrial caiu mais intensamente” (Matoso, 1996, p.47).

O processo dialético de exclusão/inclusão social provoca grande sofrimento nos sujeitos entrevistados. Pois o sujeito não é só um ser biológico, que precisa de condições materiais; ele é um ser de afetos, de desejos, de sentimentos e de paixões. Sawaia (2001, p. 105) denominou esse sofrimento de ético-político: “[...] dor que surge da situação social de ser tratado como inferior, subalterno, sem valor, apêndice inútil da sociedade. Ele revela a tonalidade ética da vivência cotidiana da desigualdade social, da negação imposta socialmente às possibilidades da maioria apropriar-se da produção material, cultural e social de sua época, de se movimentar no espaço público e de expressar desejo e afeto. E o que é mais importante, na gênese desse sofrimento é a consciência do sentimento de desvalor, da deslegitimidade social e do desejo de ‘ser gente’ [...]”.

Em relação à saúde, cinco dos seis entrevistados relataram que o principal problema que os afeta são os cacos de vidro que estão junto com o lixo, ignorando os riscos associados aos microrganismos que possam estar presentes neste material, por não utilizarem equipamentos de proteção individual (EPI), podem causar-lhes diversas doenças. Acredita-se que isso é decorrência tanto da necessidade que eles têm em juntar a maior quantidade de material possível e da falta de informação acerca das doenças causadas pelo manuseio do lixo sem proteção adequada, como também, das dificuldades financeiras em adquirir equipamentos de proteção individual.

Porém, torna-se importante desenvolver um trabalho de conscientização quanto à necessidade de proteção, visto que, de acordo com a Melo (1996, p. 13), entre os catadores é grande o índice de verminose, pneumonia, bronquite e outras doenças respiratórias. Doenças de pele são tão comuns quanto acidentes, pois as pessoas estão descalças ou com simples sandálias e sem luvas. Problemas intestinais decorrem do aproveitamento, nem sempre higiênico dos restos que chegam de feiras e supermercados. Segundo dados do Posto de Saúde local, na comunidade onde foi realizada a pesquisa, também era comum a incidência de doenças de pele, verminoses, e intestinais antes da instalação da rede de água para toda a população (esta ocorreu somente no final do ano de 2002). Agora esse número diminuiu, porém ainda existem muitos casos, principalmente entre as pessoas mais pobres e que não possuem condições de higiene adequadas, onde, em decorrência da falta de equipamentos de proteção, se enquadram os catadores de materiais recicláveis.

Quanto às condições de trabalho, a principal dificuldade citada foi o problema do transporte do lixo. Alguns catadores relataram que fazem o transporte de bicicleta ou a pé e afirmaram que um carinho contribuiria muito para melhorar seu trabalho.

“Se eu tivesse um carrinho para transportar o lixo seria bem mais fácil, daria pra juntar uma maior quantidade de material e, desta forma, aumentar a minha renda” (catador).

“É muito difícil porque na bicicleta não cabe muito, então a gente ajunta o que dá né, mas com certeza se eu tivesse um carrinho seria muito melhor, daria para a gente ganhar mais” (catador).

Já em relação à possibilidade de montar uma cooperativa entre eles, a maior parte dos catadores, cinco dos seis entrevistados, afirmaram que a idéia é interessante em função de poder estar aumentando sua renda e receber um valor total no final do mês, porém, colocam que, caso isso aconteça, querem que esta seja democrática não admitindo que alguém “mande sozinho”. Isso demonstra que, por pior que esteja a situação psicossocial deles, ainda sentem necessidades de ter autonomia e dignidade. Não querem ser mandados, querem decidir de acordo com seus desejos e vontades. Tal fato revela que, mesmo na miséria, eles não estão reduzidos às necessidades de ordem biológica tendo a necessidade de respeito, reconhecimento e autonomia na sua profissão (Sawaia, 2001).

Já em relação à exclusão vivenciada por eles, como já frisado anteriormente, esta não é apenas econômica e política, pelo não acesso aos direitos garantidos por lei e pelas privações que passam em decorrência da pobreza, mas também cultural, pela visão depreciativa que a sociedade tem do catador de materiais recicláveis e subjetiva, mediante vergonha e humilhação que vivem, pela sua condição. Por outro lado, apesar das dificuldades que possuem no dia-a-dia, eles relataram que ainda têm esperança de uma melhoria de vida, além de que, a profissão de catador parece ser uma forma de potência de ação, visto que, mediante ela, eles conseguem sobreviver num mundo que não possibilita que tenham espaço digno e justo. Observou-se também, que eles se sentem com direito a cidadania e acreditam em sua emancipação.

Para promover cada vez mais a inclusão e emancipação dos catadores de materiais recicláveis, precisamos potencializá-los para a ação. “Potencializar pressupõe o desenvolvimento de valores éticos na forma de sentimentos, desejo e necessidades, para superar o sofrimento ético-político” (Sawaia, 2001, p. 114). Acreditamos que o resultado dessa potência é tanto maior quanto mais catadores conseguirmos mobilizar para buscar a cidadania e dignidade. Para tanto, como educadores ambientais, temos que desenvolver um trabalho que vá além da atuação com os catadores de materiais recicláveis e consiga abranger toda a sociedade com o intuito de valorizar o trabalho deles que é tão importante para a preservação dos recursos ambientais.


Conclusões

Frente à realidade existente hoje no que tange à profissão de catador de materiais recicláveis, acreditamos que a educação ambiental pode contribuir, tanto para diminuir o sofrimento destes sujeitos valorizando seu trabalho, mostrando a importância que eles tem para a questão ambiental, como também, pode-se propor a formação de uma cooperativa de materiais recicláveis para que estes possam ampliar sua fonte de renda e terem um maior reconhecimento dos seus direitos de cidadãos. É importante destacar aqui que, conforme os depoimentos dados pelos entrevistados, não se trata de qualquer tipo de cooperativa, mais sim de cooperativas que possibilitem que eles possam se autogerenciarem e, assim, conseguirem recuperar a dignidade e a confiança em si mesmos.

Deste modo, acredita-se que a questão ambiental envolve também a questão da valorização dos catadores. Auxiliar no processo de valorização social desses cidadãos, coletores de materiais recicláveis é o passo mais eficaz para a construção de uma sociedade mais justa e um ambiente mais limpo. Neste sentido, a educação ambiental pode contribuir para a diminuição do sofrimento e promoção do orgulho de ser agente ambiental.

Além disso, baseado nos resultados da pesquisa, cabe se apontar algumas ações que podem ser desenvolvidas por educadores ambientais que atuam tanto em órgãos públicos como também, em projetos de extensão, para ampliar a cidadania desta população e ajudar a amenizar o problema do lixo que a população incluída e consumidora produz:

- Mudar a visão que a população tem do lixo, fazendo com que estes venham a perceber que estes materiais ainda têm valor. Com isso, o profissional que trabalha com a coleta também passará a ser valorizado;

- Esclarecer a importância que a reciclagem de materiais tem para o meio ambiente, para os catadores e para a população em geral estimulando a separação do lixo já em casa para evitar que os catadores precisem fazê-lo, diminuindo assim o risco de transmissão de doenças e acidentes para estes.

- Promover a implantação de cooperativas de materiais recicláveis baseadas no princípio da democracia participativa além de proporcionar programas de capacitação permanente no trabalho, qualificando estes trabalhadores;

- Potencializar essa população de catadores para que tenham orgulho da contribuição que promovem ao meio ambiente e, conseqüentemente para todos nós.

Acredita-se que, com o desenvolvimento dessas ações, poderá se propiciar a esta população que sofre o processo dialético de exclusão/inclusão social perversa, mais dignidade, cidadania e felicidade, juntamente com todos os benefícios ambientais que a reciclagem pode trazer para o meio ambiente.
Referências bibliográficas

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