Trabalho: 147: Espaço de Discussão do Meio Ambiente e da Cidadania: Oficina Escola



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Anais do 2º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária

Belo Horizonte – 12 a 15 de setembro de 2004


Espaço de Discussão do Meio Ambiente e da Cidadania: Oficina Escola

Área Temática de Educação

Resumo


O Projeto de Extensão desenvolvido no ano de 2003, pelo Centro Universitário Luterano de Manaus – ULBRA, através da Pró-Retória de Pós-Graduação e Extensão, juntamente com o Curso de Pedagogia em parceria com a Oficina Escola de Lutheria do Amazônia, realizou atividades pedagógicas fazendo ligação de forma interdisciplinar entre o aprendizado da arte da construção dos instrumentos musicais, com as outras áreas do conhecimento como: psicologia, educação física, música, informática e principalmente com a Educação Ambiental. Com intuito de discutir com os adolescentes e jovens (14 a 21 anos) o real papel dos mesmos na construção da sociedade a qual fazem parte.
Autores

Heloisa da Silva. Pedagoga, Especialista e Mestra em Educação/UFAM

Carlos Edwin de Souza. Acadêmico de Pedagogia.

Jeane Alves. Acadêmica de Pedagogia.

Haydêe da Silva. Acadêmica de Pedagogia

Helena Borges. Profª, Psicóloga e Psicopedagoga


Instituição

Centro Universitário Luterano de Manaus - ULBRA


Palavras-chave: educação; cidadania; meio ambiente.
Introdução e objetivo

O trabalho desenvolvido pelo Curso de Pedagogia do Centro Universitário Luterano de Manaus – ULBRA, na Oficina Escola de Lutheria da Amazônia – OELA, no ano de 2003. Teve por objetivo desenvolve acompanhamento pedagógico e psicológico dos adolescentes e jovens residentes, na zona leste da cidade Manaus - no Estado do Amazonas. A OELA durante sua existência vem empenhado-se na construção de uma educação voltada para formação de cidadãos com identidade amazônica, com uma postura critica e aberta ao novo, estimulando e provocando a participação de cada adolescente e jovem no seu espaço social, ou seja, planta o protagonismo juvenil no seu espaço de atuação.

Assim a OELA oferece aos adolescentes de 14 a 21 anos, o curso de lutheria, exclusivamente para fabricação de violões, violas e cavaquinhos. Este curso possibilita os alunos e alunas a serem luthiers ou restauradores de instrumentos musicais. Mas a OELA compreende que para torna-se luthier não basta somente ter o domínio técnico do fazer o instrumento, é necessário compreender o seu papel social como sujeito presente no mundo, por isso a estreita ligação da discussão do trabalho com a arte e conseqüentemente com a educação.

Neste período de existência as atividades da OELA expandiram-se quanto ao seu atendimento junto à comunidade amazonense, sua credibilidade e suas conquistas ultrapassaram o Amazonas. Evidente que tudo isso só foi possível com apoio e a parceria de varias entidades de forma concreta, como é caso do Centro Universitário Luterano de Manaus – ULBRA, através da Pró-Reitoria de Extensão e do Curso de Pedagogia, e da Universidade Federal do Amazonas, em especial dos agentes financiadores que também acreditaram na proposta. Neste sentido é importante ressaltar a presença da UNICEF.

Assim a OELA vem desenvolvendo na prática ações em conjunto com outras instituições de ensino e organização da própria comunidade, principalmente no município de Boa Vista do Ramos, com a Casa Familiar Rural, Associação de Artesões de Boa Vista do Ramos – AABVR, Escola Agrotecnica Federal de Manaus – EAFM, Prefeitura de Boa Vista do Ramos. Tendo todas essas parcerias o objetivo geral de promover à educação profissionalizante ao nível básico, tecnológico e pós-técnico na área do beneficiamento e processamento da madeira e na atuação no manejo florestal.

Desta forma atua em varias áreas dos conhecimentos como: tecnologia, biologia, Informática (básica) e especial na área de humanas com a pedagogia, psicologia, antropologia, música, etc. Deste modo a OELA oferece aula de teoria musical, noções de ecologia através das aulas de educação ambiental, informática básica, educação física (voltada para o desenvolvimento e postura do corpo) e atendimento psicológico e pedagógico.

Um dos pontos mais enfatizados com os alunos e alunas é a necessidade de se trabalhar com matéria prima com critérios sócio-ambientais, dando preferências às madeiras certificadas vindas de áreas com manejo florestal ambientalmente adequado, socialmente justo e economicamente viável, utilizando-se de madeiras recicladas e/ou reaproveitado os resíduos de serrarias e marcenarias.
Metodologia

Todas as atividades trabalhadas são de forma indisciplinar para ajudar na formação da personalidade e da vida profissional dos alunos. Adotando os procedimentos, ou melhor, estratégias pedagógicas na sua atuação, nas suas unidades I, II, III e IV:

Assim, podemos descrever um pouco dos princípios que norteiam a intervenção desenvolvida pela Oficina Escola de Lutheria da Amazônia, em conjunto com Centro Universitário Luterano de Manaus – ULBRA.

Na Unidade I as atividades desenvolvidas são através de aulas de Educação Ambiental (com a finalidade de discutir sobre a preservação e o conhecimento sobre os tipos de madeira, etc.), Informática Básica (conhecimento básico de Word, Excell e Windows), Educação Física (com objetivo de auxiliar no desenvolvimento físico dos mesmos), o acompanhamento psicopedagógico (feito conforme a necessidade do aluno, em sala apropriada), as aulas de Teoria Musical que são feitas em sala de aula convencional com atendimento individualizado semanalmente, e as aulas de práticas em lutheria, que se dão através de seis módulos que correspondem à construção das partes do instrumento musical, como: tampo, braço, laterais e contra-faixas, fundo, escalas e cavaletes, marchetaria e técnicas de fino acabamento. Uma vez construído o instrumento, correspondendo há 180 horas/aulas, o aluno estará apto a receber um certificado de conclusão do Curso Básico em lutheria, em que deverá desenvolver as seguintes módulos:

1 - Módulo de Marchetaria: Conceitos básicos de lutheria; Corte central da roseta; Calibragem a 2mm do tampo; Calibragem e corte das bordas; Elaboração de projetos; Marcação interna de barros e leques; Colagem de bordas; Acabamento interior; Montagem.

2 - Módulo do Fundo: Escolher as madeiras; Lixar laterais; Calibrar; Desenho do fundo na madeira;

3 - Modulo Escala: Corte longitudinal (radial); Corte de espessura 1 cm e 47 cm de comprimento, 7 de largura; Calibragem para redução da espessura de 1 cm para 8,5mm; Corte de ajuste; Pestana ângulo de 62 cm; Boca ângulo de 69 mm e com comprimento de 43,5cm; 19 divisões de casas; Corte pulsante; Padrão da medida; 1ª casa; 2ª casa; Gabarito das medidas na escala;

4 - Modulo Cavalete: Cortes transversais; Corte longitudinal; Extremidade/ lateral; Bloco cordal; Rebaixamento do ângulo das cordas; Rebaixamento das patas do cavalete; Rebaixamento do ângulo das cordas; Marcar e furar os espaços entre as cordas no bloco cordal; Terminação das patas em forma de meia lua; Terminação do bloco cordal com marchetaria; Acabamento final com lixa;

5 - Modulo Braço: Acople do tacão e colagem; Plainar peças; Colagem do ângulo da pala e repasse do braço carto e cara; Cortes no comprimento e fazer rasgo central; Fazer os cortes das entradas das laterais; Fazer os escupilmento do salto; Colar a capa de coluta; Esculpimento da pala; Marcar e fazer os furos das tarraxas e rasgo central da pala; Terminação final com lixa.

6 - Módulo Tampo: Desdobramento de a madeira juntar e colar; Desenho do tampo na madeira; Recortar as silhuetas com serra fita; calibrar a peça; Corte da rosita; Ajuste e colagem da marchetaria central; Colagem das bordas; Montagem no braço;

Na Unidade II, aulas de forma prática e teórica. Teoria Musical, a prática em Lutheria, Educação Física e Acompanhamento psicopedagógico. As aulas práticas acontecem na oficina, pois nela contém todo o material necessário para a aprendizagem, tais como: máquinas pesadas e ferramentas para uso com madeira. Esta unidade funciona através de convênio com a Escola Agrotécnica Federal de Manaus – EAFM, e que, portanto o curso é ministrado dentro de suas dependências. O aluno para fazer parte dessa unidade, deverá ter concluído o Curso Básico em Lutheria, e ainda ter concluído o ensino médio, em Instituição de ensino regular. Nesta Unidade o aluno está sendo preparado para atuar como Líder de Produção Semi – Industrial.

Na Unidade III é atendido um público bem específico no Município de Boa Vista do Ramos (BVR) como:

Centro de Treinamento do Processamento da Madeira - atende aos adolescentes e jovens da associação dos artesãos de BVR, na estruturação social, na formação profissional e na busca de mercados para os produtos;

Casa Familiar Rural - Apoio institucional para as atividades pedagógicas oferecidas aos alunos filhos de agricultores;

Grupo de Capoeira Curumim Senzala - grupo de criança e adolescentes, com o apoio às ações culturais e a busca do fortalecimento institucional;

Grupo de Formadores de Educadores Ambientais-apoio institucionais ao grupo nas atividades de Educação Ambiental;

Grupo de Jovens Marial Vicentino - apóio a estruturação de uma associação de produção agrícola para jovens agricultores.

Unidade IV - é constituída do Barco Escola “Educador” (Unidade Móvel), que atende as comunidades ribeirinhas de BVR com os projetos acima mencionados e o apoio ao manejo florestal comunitário e um programa de educação ambiental.

Neste sentido, a OELA vem possibilitando essa interação proposta pela LDB, aos adolescentes, que participam nas suas unidades de ensino, durante os 6 (seis) anos de sua existência, possibilitando a escola o respeito e a credibilidade não só dos seus financiadores com da sociedade amazonense, especialmente no campo do meio ambiente com a conquista do selo verde FSC (Forest Stwardship Council – conselho para Manejo Florestal. Este demonstra que as madeiras utilizadas estão obedecendo aos princípios e critérios do manejo florestal, tornando-se a primeira escola a conquistar este selo).

Dentro da perspectiva ambiental a idéia é de desenvolvimento sustentável – no sentido de desenvolver ações na Amazônia no intuito de buscar alternativas e construir um novo modelo de desenvolvimento para a região que seja de forma sustentável, que propicie ao homem da Amazônia conhecimentos e compreensão da sua região para que possa utilizar conscientemente todo o potencial de riqueza que a floresta oferece.

Quanto à visão de a adolescência, trabalha-se numa construção social, pois tem conotações culturais. “As percepções da infância e da adolescência, assim como a maneira em que seus direitos são protegidos, têm suas raízes em realidades culturais e políticas que variam de um país a outro. Como qualquer outra população, é difícil estabelecer características ou semelhanças que definam o grupo em sua totalidade. Os adolescentes não conformam um grupo homogêneo: o que têm em comum é a idade. Vivem em circunstâncias diferentes e têm necessidades diversas e é uma fase especial de desenvolvimento da identidade e afirmação da autonomia do indivíduo”. (UNICEF, 2001).

Concebemos os adolescentes como cidadãos com direitos e que precisam de proteção seja da família, seja do Estado e/ou da sociedade civil, principalmente por se tratar de indivíduos que vivem um momento peculiar de suas vidas no qual vão tecendo suas definições pessoais e sociais. Esses jovens vivem a fase de construção de suas identidades.

Uma vida digna para todos exige a reinvenção do mundo do trabalho e do papel que têm as iniciativas e os movimentos sociais que interferem na organização do cotidiano e no atendimento das necessidades das pessoas, engendrando uma nova consciência social, que pressupõe mudança de valores. Educação e trabalho são um binômio que a sustentamos em nossa proposta de formação.

O fazer político-pedagógico combina as seguintes idéias pedagógicas:

Educar significa utilizar práticas pedagógicas que desenvolvam simultaneamente razão, sensação, sentimento e intuição e que estimulem a integração intercultural e a visão planetária das coisas, em nome da paz e da unidade do mundo (Clodoaldo Cardoso, cit. in Almanaque de Metodologia, CENAP, Recife 1998, p.47);

Educar é um processo que respeita o ritmo de cada pessoa, visando a saúde do corpo, o equilíbrio emocional e o despertar da razão. Objetiva juntar a natureza, a sociedade e o ser humano;

Educar para a autonomia, solidariedade e inventividade;

O princípio da participação coletiva subsidia as práticas pedagógicas.


Resultados e discussão

Amazônia possui uma diversidade no seu espaço geográfico conseqüentemente na sua paisagem diversificada. Sua ocupação deu-se em dois momentos: 1º) ciclo da borracha (final do século XIX e inicio do século XX), atraindo migrantes de outras regiões para os seus municípios, principalmente da região do nordeste; 2º) ocorreu no após golpe de 1964, em que sua ocupação foi fundamentado na doutrina de segurança nacional, com objetivo básico do governo militar de implantação de um projeto de “modernização”, que levou a uma radical reestruturação territorial de investimento e, portanto, de mão-de-obra ( Zona Franca).

Desde 1966, o governo federal definiu os limites da Amazônia Legal, constituída pelos estados do Acre, Rondônia, Amazonas, Roraima, Pará, Amapá, Mato Grosso e atualmente Tocantins e, parcialmente, pelo estado do Maranhão. Onde sua área corresponde a cerca de cinco milhões de Km², o que equivale a 57,4% do território brasileiro. Abriga um quinto de toda a água doce disponível na Terra e a maior biodiversidade do Planeta (Becker, 1992). A extensão territorial de sua população é de 18,7 milhões de habitantes, sendo que destes 62,4% vivem na zona urbana e 37,6 % na zona rural. A densidade demográfica média na Amazônia é de cerca de 2,9 habitantes/ Km², enquanto que no restante do País está a media de 18,38 hab/ Km². Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatístico – IBGE (1999).

O crescimento repentino e desordenado da população amazônica, principalmente nas décadas de 70 e 80, sem levar em consideração os aspectos sociais preexistentes e naturais da região, causou problemas de todas as ordens, dentre os quais podemos destacar:

Destruição de seringais, castanhais e lagos que representavam a fonte de alimento e renda de populações tradicionais, remanescentes dos fracassados ciclos de desenvolvimento econômicos implementados na região;

Aumento do desmatamento de florestas homobrófilas;

Êxodo rural, tendo como conseqüência o inchaço das cidades e a pauperização de sua população;

Destruição de valores culturais e agravamento do risco social a crianças e adolescentes;

Altos índices de analfabetismo de adolescentes de 12 a 17 anos de idade com 45,6% conforme UNICEF (2002);

Alto índice de violência com criança, adolescentes e jovens;

Diante deste quadro a região norte (estados: Acre 12,4%, Roraima 3,1%, Rondônia 2,5%, Amazonas 9,2%, Amapá 4,2% e Pará 8,5%), não poderiam apresentar uma realidade boa quanto a sua qualidade de vida e educacional, mas sim um quadro deficitário na escolaridade das crianças e dos adolescentes desta região, conforme Relatório da Adolescência brasileira do UNICEF (2002).

No Amazonas a população é de 2.812.557, sendo uma população de 407.578 de pré-adolescentes e adolescentes na faixa etária de 12 a 17 anos de idade, com um percentual de 9,2% de analfabetos. Na população infantil de 0 a 6 anos de aproximadamente são de 430,6mil pessoas, sendo 6,48% das crianças de 0 a 6 anos que ainda não freqüentam a escola, 19,54% são crianças de 7 a 14 anos que não freqüentam a escola.

Na cidade de Manaus conforme UNICEF (2002), a população é de 1.405.835, sendo 186.500 de pré-adolescentes e adolescentes de 12 a 17 anos de idade, com uma porcentagem de 2,5% de analfabetos.

Em Manaus a zona leste, é comporta por bairros que são oriundos de invasões, sendo o maior colégio eleitoral da capital, de acordo com o IBGE (2000), onde ha 324,9 mil habitantes. Após o ano de 2000, varias comunidades foram criadas sem entrarem nos cálculos do instituto, conforme jornal A Crítica de 07/09/2003. Como exemplo podemos citar a votação do ultimo pleito eleitoral que só nesta região foram 50.588 votos, possibilitando a eleição de 6 deputados estaduais na região.

A zona leste é uma região que não possui infra-estruturas adequadas, faltas de água em pleno Amazonas, os moradores recorrem às antigas praticas das cacimbas, péssimas condições de serviço de energia elétrica, de transporte coletivo, possui três centros de saúde, três Centros de Atendimento Integral a Criança (CAIC), um Pronto Socorro Infantil e um adulto, dois hospitais.

Mas o que chama atenção é a violência, palavra comum na maioria dos bairros da zona leste, seja do mais antigo (Coroado), até mesmo na comunidade mais recente como a Grande Vitória 2, onde se tem relatos e registros de homicídios, assaltos, estupros e outros, dados que podem ser confirmados na Secretaria de Segurança Pública (SSP) e nos estudos de Cad (2000).

A região é tomada por graves problemas sociais (prostituição infantil, drogas, galeras, etc.). A Pastoral da Criança no Amazonas informa que 919 crianças com menos de 1 ano de idade, que foram pesadas no mês de setembro de 2003, 152 estavam desnutridas, ou seja, com o peso abaixo do esperado para a idade. Dentre elas, pelo menos 15% estavam com um quadro de desnutrição grave.

É neste sentido, a OELA preocupada em mudar os rumos desta realidade, procura atuar com pré-adolescentes (na informática básica), adolescentes e jovens (ensino profissionalizante básico) desta área. Sua clientela é em média composta de adolescentes de idade de 17 anos (dados da pesquisa Características sócio-demográficas da OELA: Um Estudo de Caso: 2002), onde predominam alunos do sexo masculino com 71 % e 29 % do sexo feminino. Destes, 75 % são de cor parda, 29 % de cor negra e 10% de cor branca. No que se refere à religiosidade dos alunos da OELA 47 % são católicos 46 % evangélico e 7 % manifestam não possuir nenhum tipo de religião.

O grau de escolaridade das mães e dos pais dos alunos. Sinteticamente, os resultados são os seguintes: 20% das mães estudaram até a 4a série do ensino fundamental, 38% até 8a, 27% até o ensino médio e 10% não possuem qualquer escolaridade. No que se refere aos pais: 10% estudaram até a 4a série do ensino fundamental, 36% até 8a, 37% até o ensino médio e 2% não possuem qualquer escolaridade.

Os dados revelam que pais possuem a média de escolaridade correspondente ao ensino fundamental, representando uma baixa escolaridade para os padrões da sociedade do conhecimento. É evidente, que os pais não estão dentro dos padrões exigidos pelo mercado, uma vez, que são frutos da visão tecnicista de educação da antiga lei de Reforma do Ensino n° 5.692/71(lei que trabalhava com uma concepção de conhecimento fragmentado), provocando uma fragilidade profissional. Assim nota-se na amostragem que as profissões desenvolvidas pelos pais dos alunos, não exigem um grau mais elevado da escolaridade, e que são famílias que vivem na maioria com um salário mínimo.

Quanto à moradia 95% dos alunos atendidos pela OELA possuem casa própria, em função de serem residências frutos da invasão de terras da região, 5 % moram no sistema de aluguel. A renda familiar de 54% de um salário mínimo, 15% até dois salários, 12% com até quatro salários, 7% três salários, 7% mais de cinco salários e 5% até 6 salários mínimos. Os alunos caracterizam os seus relacionamentos familiares de bom com 73%, ótimo 20%, problemático 5% e razoável 2% .

Com relação à profissão das mães 37% são donas e casa, 24% autônomas 20% empregadas com carteira assinada, 17% funcionárias públicas e 2% agricultoras. Quanto aos pais, 12% são autônomos 29% empregados com carteira assinada, 20% funcionários públicos e 5% agricultores 15% segurança e 12% encontram-se desempregados.

Diante dos dados apresentados podemos observar que a OELA atrai adolescentes com a média de 17 anos, esta fase tem como característica principal à busca de ideais e de valoração, sobretudo no que tange a construção da identidade e autonomia, neste sentido, observar-se uma freqüência maior do sexo masculino. Ressaltamos também uma maior freqüência e assiduidade na prática religiosa.

Mas mesmo sendo alunos oriundos das camadas populares, eles não tem uma vinculação com o mundo do trabalho, como afirmam os dados da pesquisa 49 % deles nunca tiveram sua CTPS assinada, 29 % nunca trabalharam, 15 % já trabalharam, mas atualmente não estão trabalhando e 1% já assinou carteira profissional. Apesar dos dados revelarem a não atuação dos alunos no campo de trabalho.

A situação social que rodeia a zona leste da cidade Manaus vem trazendo uma preocupada para Oficina Escola de Lutheria da Amazônia, uma vez que o reflexo dos problemas social atinge diretamente a sua clientela, como podem confirmar nos dados acima.

Assim as parcerias proporcionaram um dialogo, discussão, reflexões e principalmente no campo das políticas publica para que possamos de fato realizar uma educação para cidadania. É nesta perspectiva que trabalhamos para contribuirmos para formar pessoas capazes de decidir sobre os seus próprios destinos. Assim fazemos a ponte entre a formação para a cidadania vinculada ao ensino profissionalizante, através da construção de conhecimentos sobre a questão ambiental, a arte da lutheria, da marchetaria e aproximamos ações pedagógicas que visam a construção de fato da cidadania dos adolescentes envolvidos no projeto.

No decorre dos 6 anos de existência, a Oficina Escola entende que a adolescência sofre influência do meio ambiente, da família, dos meios de comunicações, da escola, enfim de tudo que lhe cerca, influenciando na construção social de sua personalidade. Deste modo consideramos que os papéis da escola e da família são fundamentais para a formação do individuo, visto que a escola perpassa valores e princípios que ajudam no desenvolvimento social, intelectual e cultural do individuo, pois é através dela que as crianças e adolescentes poderão tornar-se cidadãos conscientes, capazes de desempenhar papeis na sociedade.

Quanto à estrutura da família, segundo Osório (1998), dá-se a partir das funções biológicas, psicológicas e sociais. A função biológica é garantir não a reprodução e sim a sobrevivência da espécie, através dos cuidados aos filhos; a função psicológica da família é de prover o alimento afetivo indispensável à sobrevivência emocional dos mesmos, assim dá-se à manutenção da homeostase psíquica dos demais componentes; as funções sociais estão embasadas no processo civilizatório de transmissão das pautas culturais e étnicos de cada cultura. Desta forma, os pais são as fontes mais próximas e que servem de modelos e comportamentos a serem imitados pela criança e praticados mais tarde pelos adolescentes.

Nesta mesma direção podemos ainda citar Bandura (1979), que afirma que a imitação, do comportamento do adulto é feito de forma natural e espontâneo pela a criança, ou mesmo pelo adolescente. Pois o individuo no decorrer do seu desenvolvimento está exposta a modelos que vivência, vindo assim, a imitá-los, principalmente os comportamentos dos pais, ou mesmo pessoas que lhe são referencias. Mas para Mussen (1996) a identificação pode ser considerada como um impulso ou motivo aprendido para ser semelhante a outro individuo, e quando adolescente tende a comporta-se e manter as características dos adultos como suas.

Sabendo da importância e da influência que a família e a escola exercem sobre os indivíduos na sua formação de seu caráter, passamos a oferecer aos pré-adolescentes e adolescentes que vivem em área de risco social, atividades na área do ensino profissionalizante (básico) com a lutheria, informática básica, educação ambiental, aula teórica e prática de música, aulas de educação física e atendimento psicopedagógico. Todas essas atividades são fundamentais para ajudar na formação da personalidade e da vida profissional dos alunos.

Não podíamos discutir o papel da família e da escola na educação sem propormos uma reflexão sobre a Identidade Cultural da Amazônia. Onde os protagonistas desta ação podem ser os educadores e os educandos, inicialmente não negando o seu patrimônio cultural, mas sim incorporando não só elementos das paisagens urbanas e do momento histórico em que vivem, como também renovando a cultura da Amazônia ao mesmo tempo através do lúdico.

No ano de 2003, foram matriculados 67 alunos (as), correspondendo 49 do sexo masculino e 18 do sexo feminino, que foram divididos nos 6 (seis) módulos, que formam as turmas, os alunos e alunas receberam 4 horas semanais de aulas de cada módulo. Os dados de 2003 revelam que as atividades desenvolvidas na OELA são de preferências masculinas. Talvez pela idéia que as profissões voltadas para as habilidades com a madeira sejam para os homens e não para as mulheres.

Os dados são bastante equiparados quanto à conclusão dos módulos de forma isolados uma vez que os alunos fazem uma aula por semana referente a cada módulos. Neste sentido os 9% de formandos são os reflexos dos 18 meses que estiveram diretamente ligados aos 6 módulos.

Quanto aos 23% dos desistentes esses são frutos da própria realidade que não permite que eles fiquem para concluir o curso, pois precisam buscar trabalho para ajudar no sustento da família, conforme informação dada por eles a secretária sobre o motivo do trancamento do curso.

A mesma situação é presente quanto aos 10% dos alunos que não concluíram os módulos, pois a escola não trabalha com reprovação, sendo assim a freqüência torna-se oscilante. Mas é trabalhada a idéia de conquistar o aluno pela importância da sua profissionalização. Um ponto que é muito justificado pelos alunos quanto as suas ausências nas aulas é falta de dinheiro para o transporte e para o lanche.

Atuação dos acadêmicos de pedagogia, da professora e da psicóloga possibilitou a realização dos atendimentos individualizados semanalmente e do ciclo de debate com vários temas como: 1) o que é adolescência? 2) a sexualidade do adolescente; 3) Ética e Cidadania.

Através das realizações observou-se que a participação assídua das turmas de informática e a participação dos alunos de lutheria da Unidade I, dificilmente foi à presença dos alunos da Unidade II.

Os atendimentos foram realizados duas vezes por semana sendo, aos alunos e seus familiares individualmente. As procuras por atendimento estão relacionadas aos problemas de: alcoolismo dos pais, separação, dificuldades de aprendizagem e concentração e drogas.

Por fim a Oficina Escola é um campo fértil para produção do conhecimento tanto no campo teórico como da prática possibilitando de fato a práxis, consideramos estes seis meses vividos de um enriquecimento profissional é que nos ensinou a pensar sobre as relações humanas não esquecendo o coletivo como um todo.
Conclusões

Os adolescentes e jovens, atualmente, estão carentes de referencial para se espelharem ou para seguirem como modelo de cidadão íntegro e moralmente conceituado em relação às suas atitudes. Isto porque os valores morais como: honestidade, lealdade, cooperação, honra, entre outros, estão cada dia mais ameaçados de extinção, pensando neste ponto, a OELA, em parceria com Centro Universitário Luterano de Manaus – ULBRA, desenvolve a concepção do trabalho coletivo, o sentido de cooperação, pois todos participam de uma construção coletiva dos instrumentos, apesar de que no final todos deverão construir um instrumento individual, esse processo se dá de forma coletiva.

Assim para que de fato o projeto fosse posto em andamento predominou a metodologia que envolveu vários profissionais de varias áreas distintas e próximas como: biológica, humana (pedagogia e psicologia), artes e informática, que aturam para atender o objetivo geral, através dos objetivos específicos do projeto.

Por fim concluímos que as atividades foram desenvolvidas com sucessos outras precisam ser melhoradas. O tempo do projeto é um dos pontos que precisa ser analisado pelos os dirigentes da OELA, uma vez que ficou atividade muitas vezes corrida como forma de se cumprir somente às tarefas, entretanto é bom lembrar que o processo educacional de aprendizagem, passa por um tempo mais longo e não imediato. Mas no geral os objetivos foram atendidos e contou com a participação do publico alvo, como podemos averiguar nas conquistas.




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