Trabalho: 106: Desenvolvimento de atividades de Educação Ambiental envolvendo a comunidade escolar



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Anais do 2º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária

Belo Horizonte – 12 a 15 de setembro de 2004


Desenvolvimento de Atividades de Educação Ambiental Envolvendo a Comunidade Escolar
Área Temática de Educação
Resumo

Na comunidade da rua Pedro Krauss Sênior, existem muitos problemas ambientais, relacionados principalmente à água não tratada, destino inadequado do lixo, entre outros. Desta forma, o Subprojeto Conversando Sobre a Água, em parceria com a comunidade escolar, desenvolveu atividades de Educação Ambiental (EA). O principal objetivo foi promover ações em EA de forma participativa e integradora envolvendo toda a escola com o intuito de sensibilizar e conscientizar a comunidade escolar sobre os cuidados com o meio ambiente em que vivem. Foram realizadas entrevistas com alunos, professores e funcionários de uma escola municipal, mais desenhos e redações com os alunos, para percepção e significação ambiental. A avaliação foi realizada através de desenhos posteriores, atitudes durante as atividades de EA e, pelas melhorias percebidas pela comunidade. Antes das atividades, os alunos não conseguiam perceber os problemas existentes no ambiente em que vivem, após eles passaram a retratar os problemas existentes no local. Além disso, a comunidade nas palavras dos próprios moradores “está mais organizada e limpa”. O trabalho desenvolvido foi fundamental para a conscientização destas pessoas, em relação à existência dos problemas ambientais locais e, a responsabilidade deles sobre os mesmos, pensando inclusive em possíveis soluções para amenizá-los.


Autoras

Patricia Fernanda Beckhauser: Acadêmica de Ciências Biológicas – Bolsista de extensão do Instituto de Pesquisas Sociais (IPS)-PROERC - FURB.

Marivete Gesser: Psicóloga Mestranda em Psicologia Social/FURB.

Ana Lúcia Bertarello Zeni: Professora do Departamento de Ciências Naturais/FURB.

Instituição

Fundação Universidade Regional de Blumenau - FURB


Palavras-chave: educação ambiental; subjetividade; cidadania
Introdução e objetivo

Este artigo relata o trabalho desenvolvido pelo sub-projeto Conversando Sobre a Água: um Trabalho de Educação Ambiental na Comunidade (Programa de EA) que ocorreu junto ao Projeto Assentamentos Humanos Populares sendo este, vinculado à Pró-Reitoria de Extensão e Relações Comunitárias da universidade, caracterizado por uma equipe multidisciplinar composta por profissionais da Biologia, Arquitetura e Urbanismo, Psicologia, Direito, Antropologia e Serviço Social que, mediante seus subprojetos, viabilizavam ações para melhorias de diversos aspectos da comunidade.

A comunidade da Rua Pedro Krauss Sênior e Adjacências situada em Blumenau - SC, onde ocorreu o Programa de EA, é uma comunidade de baixa renda, permeada por uma série de problemas sociais, tais como: ocupação irregular e, em grande parte, “de risco”, topografia do terreno constituída por uma pequena parte plana rodeada por morros com ocorrências de deslizamento e queimadas, precário abastecimento de água, esgoto a céu aberto e, em alguns locais sem coleta de lixo; a água utilizada por grande parte da comunidade era imprópria para o consumo; inexistência de áreas próprias para lazer; alto índice de desemprego ou subemprego com baixos salários além da falta de apoio dos órgãos públicos. Frente a esta realidade constatou-se a necessidade de um programa de EA que buscasse possíveis soluções para os problemas ambientais existentes no local, mas, de maneira que envolvesse vários segmentos da sociedade. Este trabalho ocorreu na escola e na comunidade, porém, neste momento, estaremos apresentando as principais ações desenvolvidas na escola.

O trabalho de EA começou a acontecer na escola com a divulgação, em um evento da comunidade, dos resultados das análises da água consumida pela população, a diretora e a professora de Ciências da escola local, tendo acesso a estes dados, se interessaram pela atuação do Projeto também dentro da escola.

Para que as ações em EA fossem mais efetivas e levassem em conta toda a diversidade de significações que os alunos, professores e funcionários possuem acerca do meio ambiente onde vivem, tornou-se necessário aplicar entrevistas de significação ambiental, para que fornecessem subsídios para ações de EA. Para Vygotsky (2000) toda a vida humana está impregnada de significações sendo que estas são construídas mediante as relações que o sujeito tem com os outros, com o ambiente e pela maneira de como ele se apropria destas relações e constrói os sentidos, afetos e emoções.

Segundo Oliveira (1998) é importante que a escola tenha uma visão democrática, propiciadora de oportunidades para que as pessoas e os grupos desenvolvam sua criatividade, eliminando os limites artificiais entre mestres e aprendizes, entre gerações, entre gêneros e entre saberes. Gascho (2000, p.32) coloca que a escola tem o papel de contribuir com a comunidade para transformá-la, pois “A escola reveste-se de uma dimensão dialética, pela qual ela é produto da realidade na qual se insere e, simultaneamente, um elemento que julgamos capaz de intervir sobre a própria realidade; indivíduos e realidade que se encontram, fundamentalmente, num coletivo chamado comunidade, onde a escola surgiu como instituição”.

No Brasil, freqüentemente, são realizados programas de EA em parques e reservas, em unidades de conservação e de produção. Normalmente, são locais onde se verifica a afluência de um público interessado em conhecer os diversos aspectos do patrimônio da natureza. Há também grande tendência ao envolvimento da EA nas atividades de ecoturismo, lazer e recreação. Entretanto, Xavier (2000) coloca que há ainda muita carência de Programas de EA em diversos campos, como, por exemplo, para populações residentes em áreas de risco.

Convém lembrar que a escola deve assumir a EA como atividade obrigatória, conforme previsto na Constituição Federal do Brasil e na de diversos Estados. De fundamental importância seria o fato de que as escolas, em todos os níveis de ensino, desenvolvessem trabalhos de EA. Dentre as várias justificativas para um procedimento de tal natureza, destaca-se o fato de que a escola tem papel fundamental na formação do sujeito, além de mostrar efeito multiplicador das informações, possuir grande alcance e contribuir para a formação da consciência (Xavier, 2000).

O objetivo deste foi de desenvolver ações em Educação Ambiental de forma participativa e integradora envolvendo os alunos, professores e funcionários da escola com o intuito de mudar a percepção que a comunidade escolar tem do ambiente em que vivem e, com isso, mudar suas atitudes em relação a ele, principalmente em relação à forma de como pensam a água e o lixo, que foram os problemas que mais apareceram e causam sérios danos a saúde.
Metodologia

Foram realizadas entrevistas de Percepção e Significação Ambiental com professores, alunos e funcionários, os resultados destas foram divulgados em uma primeira reunião com os professores. Nesta ocasião também foram discutidas ações já realizadas e, em andamento em EA, além da exposição do trabalho realizado pelo programa junto à comunidade e das melhorias e desafios que já haviam sido alcançados. Procurou-se ressaltar a importância do trabalho conjunto com a escola para se conseguir resultados mais efetivos na comunidade. Também foram realizadas outras reuniões com os professores para que fosse possível um planejamento das atividades.

As atividades de Educação Ambiental que foram desenvolvidas junto aos alunos passaram por várias etapas: visitas a campo na comunidade, visitas ao galpão de seleção de lixo reciclável, palestras sobre os temas água e meio ambiente e, a análise e discussão de uma cartilha intitulada Conversando Sobre a Água, confeccionada com base nas informações dessa comunidade.

As visitas à comunidade foram feitas com o intuito de evidenciar os problemas ambientais existentes no local. Segundo Zakrzevski e Sato (2002, p. 152) conhecer as comunidades é fundamental, pois a escola não é isolada de seu entorno devendo ser buscada uma aliança entre todos os participantes da comunidade escolar. As visitas ao galpão de coleta seletiva de lixo foram realizadas com a finalidade de conhecer o processo de separação do lixo e reciclagem. Já as visitas à sede social da Sociedade Promocional de Blumenau do Menor Trabalhador (PROMENOR), foram importantes para relacionar os benefícios que pode-se obter com o reaproveitamento do lixo.

Após as visitas, construiu-se uma cartilha relacionada com o tema lixo com o material que os próprios alunos elaboraram e temas escolhidos pelos professores. Para tanto, solicitamos a participação de todos os professores com o desenvolvimento de atividades em suas respectivas turmas. Além disso, montou-se uma comissão que visou a seleção de trabalhos e organização da mesma. O programa de EA apenas assessorou na organização da cartilha, sendo a escola responsável pela sua construção. Alguns professores e, praticamente todos os alunos ficaram muito entusiasmados com a possibilidade de poderem ter uma cartilha construída por eles próprios e terem os seus trabalhos mais visíveis para todos.

Os assuntos a serem trabalhados foram elencados pelos próprios professores, de acordo com os interesses de cada turma, somente sugerimos alguns temas que foram citados pela comunidade como de maior importância e/ou problemática. A metodologia também foi escolhida pelos professores de acordo com a idade e interesse de seus alunos. O programa colocou-se a disposição de todos os professores da escola caso estes tivessem necessidade de algum tipo de assessoria no desenvolvimento das atividades, principalmente bibliográficas

Quanto aos pais, estes receberam através dos filhos “tarefas à distância” relacionadas ao tema ambiental, onde puderam participar do trabalho.

A avaliação dos resultados se deu através de análises das entrevistas, desenhos e redações feitas pelos educandos antes e depois do trabalho, mudanças ocorridas na comunidade, e depoimentos dos pais.

Para Vygotsky, nos desenhos e redações, em função destes entrelaçarem emoção, pensamento e ação, é possível obter o sentido que o sujeito dá a este, que no caso da presente pesquisa consiste no sentido do meio ambiente.
Resultados e discussão

Primeiramente serão expostos os principais resultados das entrevistas de Significação Ambiental e dos desenhos aplicados antes do início do trabalho, mostrando os resultados sobre a percepção e significado ambiental. Em seguida, se abordarão as principais atividades de EA desenvolvidas pelos professores em parceria com o Programa EA. Após isso, serão apresentadas as mudanças que ocorreram nos desenhos após o desenvolvimento do trabalho e, por último, as principais dificuldades tidas durante a implantação das atividades de EA e como estas foram superadas.

Em relação às entrevistas de Educação Ambiental desenvolvidas na escola, houveram diferenças entre alunos, funcionários e professores. Quando a comunidade escolar foi questionada sobre o seu entendimento de meio ambiente, os alunos responderam “natureza ou cuidar dela e também vida” em 90,2%, “não sei” 6,9% e “onde a gente vive” somente 2,8%. Os professores e funcionários responderam de forma semelhante, mas “meio onde vivemos” que equivale a “onde a gente vive”, aumentou para 25% e 37,5% respectivamente. Isso demonstra que, para a maioria, existe uma concepção de que o ser humano não se vê como parte do meio ambiente e dos processos naturais.

Os elementos presentes nos desenhos aplicados antes do desenvolvimento do trabalho de EA também não possuíam relação com a realidade vivida pelos educandos. Estes retratavam a natureza de forma idealizada e paradisíaca, sendo que apresentava rios e cachoeiras limpas, tendo em volta muitas flores, árvores, sereias, palmeiras, enfim, uma realidade completamente diferente da existente no ambiente em que vivem. De acordo com Schramm (1992), está ocorrendo uma ‘crise da relação’ (eco-lógica), ou seja, crise da moradia na qual a vida se faz, crise da racionalidade das relações que os seres estabelecem entre si, com outros seres vivos e com a própria moradia e ‘crise de valores’, uma vez que, frente a situação de integração mundial de nosso tempo, a cooperação é imprescindível, mas seria necessário o estabelecimento de novos valores para o enfrentamento de tão rápida transformação. Já Silva e Schramm (1997) apontam que uma das causas desta crise foi o método cartesiano que defende a cisão entre homem/natureza, corpo/espírito, ou seja, a visão de separação e dominação tornou-se predominante no mundo ocidental não possibilitando que as pessoas se sintam como parte do ambiente onde vivem.

Durante a realização do trabalho de EA na escola, ocorreu integração entre diversas disciplinas, sendo que, na disciplina de Língua Portuguesa foram realizadas redações. Em Educação Artística história em quadrinhos, brinquedos, sucata, painéis, a música Planeta Água de onde retiraram-se as palavras difíceis para procurar o seu significado, entre outras atividades. O Professor de Geografia trabalhou a topografia do ambiente. Em História e Matemática foi realizada uma pesquisa sobre a relação do aumento da população com o agravamento dos problemas ambientais e confecção de gráficos.

Alguns professores trabalharam a questão do lixo dando um enfoque nas questões ambientais locais e, na importância dos 3 Rs (reduzir, reutilizar e reciclar) para que a comunidade fique mais limpa e ocorram melhorias na qualidade de vida. Outros já enfocaram mais a possibilidade de se ganhar dinheiro com a reciclagem do lixo e obter sustentabilidade. A professora de Ciências, por exemplo, mobilizou os alunos para que trouxessem lixo limpo de casa para a reciclagem. Desta forma, ela organizou uma gincana com os alunos das diversas salas de aula para ver quem arrecadava maior valor com a venda do lixo e, com o dinheiro obtido, organizaram passeios culturais e de lazer, lanches em sala de aula e jogos para recreação.

Com o encerramento das atividades no que tange ao tema lixo e também do ano, alguns professores deram início a organização da cartilha com a exposição dos trabalhos. Esta ficou pronta em meados de dezembro de 2002 e foi distribuída para todos os alunos, professores, funcionários e para toda a comunidade. Além disso, pelo fato de ser produzida com as atividades dos alunos, ficou bonita, prática e de fácil compreensão, tanto por eles como pelos seus pais que, majoritariamente, (65,2%) não completaram o ensino fundamental.

Após o desenvolvimento do trabalho de EA estes desenhos mudaram, passando a mostrar a natureza sendo degradada pelo homem, através de queimadas, lixo sendo jogado no rio, desperdício de água, poluição do ar, bem como animais sendo excluídos do ambiente em função da poluição. Isto demonstra que os alunos mudaram sua significação sobre o meio ambiente tornando-se mais realistas. Isto foi muito importante, pois o primeiro passo para resolver os problemas é percebermos que eles existem.

Para ampliar a análise dos resultados, neste momento cabe trazer a psicologia sócio-histórica de Vygotsky. Esse autor, ao desenvolver a noção de processos de significação, Vygotsky introduz uma distinção muito importante entre significado e sentido. Esta lógica pretende entender a tensão que existe entre os significados universais e o sentido individual. Para ele, os significados são estáveis, ideologizados e dicionarizados não apresentando diferenças significativas entre os sujeitos. No caso da presente pesquisa, existia na comunidade escolar um significado hegemônico que diz respeito a visão do meio ambiente como algo distante deles, que contribuía para desimplicá-los com os problemas ambientais existentes na comunidade.

Já os sentidos são menos estáveis e mais particulares de cada sujeito. Eles até são mediados pelo social, mas não um mero resultado deste e sim a maneira como o sujeito se apropria deste social. Eles variam com o momento histórico em que o sujeito vive, com as condições materiais que possui, seus desejos, afetos e necessidades. “o sentido de uma palavra é a soma de todos os fatos psicológicos que ela desperta em nossa consciência” (Vygotsky, 2000a, p. 465).

Baseado nas considerações teóricas acima desenvolvidas podemos afirmar que ocorreu uma mudança tanto em nível de significado, como também, no sentido que os alunos possuem sobre o meio ambiente. No início do trabalho havia uma grande cisão entre o meio ambiente e eles próprios e, com o desenvolvimento das atividades de EA, eles tiveram mediadores (professores e equipe do projeto), que possibilitaram o desenvolvimento de um novo sentido que promovesse a integração deles com o meio ambiente implicando-os com os problemas ambientais locais.

Para que essa mudança de significação ambiental ocorresse, foram de fundamental importância todas as ações desenvolvidas com a comunidade escolar descritas na metodologia. Isso porque quando uma pessoa entra em contato com determinada realidade e tem a possibilidade de se apropriar do conhecimento acerca desta, mudam os afetos em relação a ela. Em outras palavras, percebeu-se que, após os alunos terem se percebido como parte do ambiente em que vivem, através das visitas e discussões em sala mudaram e começaram a se sensibilizar em relação a este, demonstrando revolta em relação a maneira como os seres humanos o tratam. Vejamos os depoimentos dos alunos após o trabalho de EA:

“Eu acho que se todos cuidassem um pouco de onde moram, o bairro não seria assim, tão poluído” (aluna da 7ª série).

“A falta de consciência e amor pela natureza combinadas com comodismo que leva as pessoas a tomarem atitudes mais rápidas e fáceis. É mais fácil jogar o lixo nos ribeirões de que separá-los para reciclagem e acondicionar o lixo comum em sacos plásticos apropriados” (alunas da 5ª série).

“Se o nosso país tiver consciência de que o lixo pode ser reciclado, podemos ter um país com mais empregos, mais águas limpas e ter mais saúde e ter um país que acredita que tem coisas reaproveitáveis e da para reciclar” (aluna da 8ª série).

“A água fica poluída quando recebe o lixo e a sujeira, como os produtos químicos jogados por fábricas, além de fezes, urina e detergentes lançados pelos esgotos” (aluna da 7ª série).

Na escola também observou-se melhorias significativas, tanto na relação dos alunos e professores acerca dos conceitos água e lixo como também, nas relações escola-comunidade.

No início das atividades de EA, apesar deste ocorrer na escola por solicitação da Direção e da professora de ciências, houveram algumas dificuldades no que tange a aceitação da atuação do Projeto EA, houveram resistências por parte do corpo docente ao processo. A coordenação e alguns professores não viam a importância deste para a comunidade e, colocavam que era mais importante a preocupação com a fome do que com o ambiente. Pádua (1992) coloca que em países pobres a ecologia ainda é colocada como uma questão de luxo e um problema supérfluo comparado com a preocupação de se encontrarem saídas para a miséria. É o que podê-se perceber nos depoimentos da coordenação:

“De que adianta um trabalho para ensinar os alunos e famílias a ferver a água para matar as micróbios se boa parte da população nem sequer tem acesso à água em suas casas”.

“Não adianta tentar mudá-los, pois foram criados deste jeito e se não mudaram até agora não mudam mais”.

Gascho (2000) propõe que “todo professor deveria morar na comunidade onde está a escola na qual trabalha. Dificilmente é impulsor de mudanças reais o educador que não está integrado e comprometido com a comunidade para a qual e com a qual trabalha”.

Alguns professores também demonstraram resistência em trabalhar a EA nos conteúdos curriculares, principalmente no início do trabalho. Muitos estavam mais preocupados em trabalhar os conteúdos de forma tradicional, ou trabalhar temas transversais que eram só do interesse deles ou que estavam na moda. Penteado (1994, p. 55) afirma que: “O professor vem atestando o desinteresse, o enfado, a desatenção de crianças e adolescentes quando colocados diante de exigências de estudo calcadas apenas no ensino livresco. Pouco se leva da escola para a vida”.

O ensino formal, ao manter horários letivos sobrecarregados e grade curricular organizada de forma disciplinar, não propicia experiências interdisciplinares, como requerem a EA, colaborando para que os problemas locais, ainda que conhecidos por boa parte dos professores, não sejam vistos como questões a serem enfrentadas em sala de aula. (Grynszpan, 1999)

Esta resistência começou a diminuir com a ampliação da rede de água potável para toda a comunidade, a construção de uma praça para a população, e também, quando o ambiente da comunidade começou a ficar mais limpo (trabalhos anteriores e paralelos ao da escola). Acreditamos que isso ocorreu porque os professores e, principalmente a coordenação da escola, começaram perceber que, para um trabalho de EA acontecer e gerar melhorias junto a comunidade é necessária a união de todos. Inclusive no último mês de 2002, a coordenação começou a apoiar a elaboração da cartilha feita com o material dos alunos e, demonstrou muito orgulho do material desenvolvido por eles.

Quanto aos pais seguem alguns depoimentos:

“Eles aprendem a separar o lixo e como é importante separar cada coisa em seu devido lugar. E sabem que muitas árvores são prejudicadas através do papel”.

“Através da reciclagem, evitamos jogar o lixo no meio ambiente ajudando a preservá-lo e através também da reciclagem, muitas famílias aumentam sua renda ou dependem da reciclagem para sobreviver”.

“O lixo reciclado, não fica acumulado em casa. O bairro ficou mais limpo, as crianças, sabem que o reciclado pode ser reaproveitado, e ajudar na renda familiar”.


Conclusões

A atuação do Programa de EA teve um papel muito importante dentro da escola que foi o de sensibilizar e procurar construir novas maneiras de ver e sentir o ambiente, enfim precebê-lo diferente e, como os alunos significam o ambiente em que vivem, de forma que estes se percebessem como parte dele e, assim, se implicassem com a questão da água e o destino do lixo na comunidade.

Os próprios professores e funcionários valorizam mais, hoje seus alunos, pois eles demonstraram capacidade de mudança e não por causa de sua situação social, eles devem ser despidos de valores que nos tornam desfavorável a todos os seres humanos.

Com o andamento das atividades de EA tanto na escola como na comunidade conseguiu-se diversas melhorias referentes à questão ambiental da localidade, sendo que, atualmente, ela está mais limpa e organizada, segundo os próprios moradores.

O fato de desenvolvermos ações que promovessem a participação de toda a comunidade escolar contribuiu para o desenvolvimento do programa, principalmente no que tange aos temas água e lixo, os temas geradores trabalhados.

Acredita-se que, para que o processo de conscientização ambiental avance, é necessário que a escola continue a trabalhar temas relacionados com o meio ambiente dentro das disciplinas, mas sempre em parceria com toda a comunidade escolar e, se possível com o entorno, órgãos públicos, entre outros, pois se dividirmos o trabalho, ele ficará certamente mais leve.

Outro ponto de destaque são os professores e pais, é imprescindível que tenham mais e melhores oportunidades de também participarem das atividade e, se assim interessar participar de programas de capacitação.
Referências bibliográficas

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PÁDUA, José. Augusto. Ecologia e política no Brasil. Editora Espaço e Tempo e IUPRRJ. Rio de Janeiro, 1992.

PENTEADO, Heloisa Dupas. Meio ambiente e formação de professores. Questões da nossa época. v. 38. São Paulo, 1994.

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