Terror e representaçÃo um estudo ideográfico



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TERROR E REPRESENTAÇÃO UM ESTUDO IDEOGRÁFICO
José Renato Avzaradel

Três são as perguntas essenciais quanto à questão do terror e representação. A primeira é quais são as condições necessárias para que os processos de representação, isto é, de formação de significados possam ser realizados e como isso ocorre. A segunda é de forma se constitui o terror e como este interfere na formação das representações, e o que resulta desta interferência. A última é de que forma a psicanálise pode interferir neste processo, detalhando os objetivos do psicanalista.

Tomarei como ponto de partida o conceito de ideograma que me parece útil e que se compreende como o resultado da vinculação de elementos materiais concretos, representados pictográficamente formando conceitos abstratos e afetivos. Isto é a construção de uma linguagem pictórica.

Uma das questões da teoria das relações de objeto é de que forma objetos primitivos concretos podem ser vinculados e transformados em objetos primitivos afetivos e abstratos. A observação dos ideogramas permite esse entendimento, bem como de que maneira novos elementos podem se agregar às estruturas mentais, fazendo incorporação de dados de memória e criando estruturas mais complexas. Isto é, a aquisição de memória se faz não como se fosse um dado de arquivo, mas ocorre uma incorporação do novo elemento ao todo, transformando-o.

Se pudermos compreender melhor de que maneira o pensamento concreto evolui para o pensamento abstrato, teremos maiores possibilidades de tratar pacientes que tem dificuldade de representar.

O estudo dos ideogramas começou com Fenolloza, autor estudado por Bion, mas referido por ele apenas em Cogitagions.

Escreveu Fenollosa: “Lendo chinês temos a impressão de observar as coisas enquanto elas vão tecendo o próprio destino… Por exemplo, o ideograma que significa “falar” é uma boca de onde saem duas palavras e uma chama”.

“No processo de compor, duas coisas que se somam não produzem uma terceira, mas sugerem uma relação fundamental entre elas”. Esta relação é que é a terceira coisa. É uma idéia de construir significados com movimento, uma idéia que seja verbo, uma metáfora. A utilização de imagens materiais para sugerir relações imateriais.”Toda a delicada substância do discurso se constrói sobre um substrato de metáforas. As relações são mais importantes e mais reais do que as coisas por elas relacionadas”.

Na sua observação atenta, somos levados a concordar com Fenollosa. Temos a impressão de observar as coisas enquanto elas vão tecendo o próprio destino. A constituição da metáfora como algo que sempre sugere movimento e, portanto gera elaboração Assim se podem constituir conceitos psicológicos complexos, como, por exemplo, desespero ou melancolia reunindo pictogramas materiais, utilizando exclusivamente o argumento relacional.

IDEOGRAMAS


Os ideogramas são grupos de pictogramas reunidos harmonicamente, constituindo novos significados. Os pictogramas são desenhos estilizados de objetos concretos, não como cópias, mas por alusão, condensação, relação, etc. Os ideogramas que se seguem expõe um nível crescente de complexidade e constroem metáforas. Vou utilizá-los para discutir uma possível abordagem psicanalítica. Não tenho dúvidas que para a compreensão dos ideogramas e do método de compô-los, é essencial a sua observação.





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