Secretaria municipal de educaçÃo diretoria de educaçÃo infantil gerencia de articulaçÃo pedagógica



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SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO

DIRETORIA DE EDUCAÇÃO INFANTIL

GERENCIA DE ARTICULAÇÃO PEDAGÓGICA




ORIENTAÇÕES PARA O PERÍODO DE INSERÇÃO DAS CRIANÇAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Inserção: mais que chegar, acolher!
Se em décadas atrás a família era considerada a única responsável pela educação e o cuidado da criança, nos últimos anos tem sido cada vez mais frequente e cedo o compartilhamento dessa tarefa junto ao Estado. Uma das questões que surge, decorrente dessa mudança, é o período de entrada da criança na instituição, ou seja, aquele momento peculiar de separação entre criança e família e de conquista da confiança de ambos na relação com os profissionais.

O ingresso da criança na Educação Infantil, geralmente, é a primeira transição do ambiente doméstico/ privado para o público/institucionalizado. Esta mudança traz repercussões na sua vida, pois de uma convivência e cuidados exclusivos da família, com um ou mais adultos à sua disposição, a criança passa a viver num ambiente que privilegia as interações e a coletividade, com dinâmica de funcionamento própria e diferenciada da família.

O tema da inserção não é novo para a Educação Infantil, mas a forma de organização e realização desse momento é um desafio permanente para os profissionais da área, que se veem a cada ano, diante de novas crianças e novas famílias. E são várias as questões que se colocam: como lidar com esse momento de separação da criança-família? Como iniciar relações de confiança com as famílias no compartilhamento da educação dos bebês e das crianças pequenas? O que propor nos primeiros dias de atendimento às crianças, sobretudo as bem pequenas, de modo a favorecer uma inserção mais tranquila? Como proceder com as sensações de insegurança e medo que muitas famílias e crianças sentem diante da separação? E as crianças que já frequentaram a instituição em anos anteriores, devem ter também um período diferenciado de atendimento no início do ano?

Essas e outras questões apontam para a importância da organização e do planejamento do ingresso das crianças na instituição, tendo em vista que as formas de recepcioná-las e atendê-las nos primeiros dias, assim como seus familiares, irão demarcar boa parte da relação que será vivenciada ao longo do ano.


Das implicações semânticas e enunciativas do termo INSERÇÃO
Na bibliografia especializada não há consenso em relação ao termo utilizado para identificação do período de ingresso da criança na instituição. Comumente aparecem: adaptação, acolhimento e inserção. Como se sabe, a escolha do termo revela concepções sobre as crianças e o modo de condução do trabalho dos profissionais nesse processo. Neste sentido, é necessário estar atento às palavras de modo a compreender e assumir sua semântica de forma enunciativa e intencional, visto que estas revelam e orientam a ação pedagógica.

O termo adaptação é o mais conhecido, e foi por muito tempo utilizado de forma consensual na área. Todavia, já algum tempo, estudos na área da Pedagogia e da Psicologia, tecem críticas evidenciando as contradições deste em relação às novas concepções da Educação Infantil. Segundo o dicionário Aurélio (2004,) o termo adaptação quer dizer ação ou efeito de adaptar-se; tornar apto; fazer com que uma coisa combine convenientemente com outra; acomodar, apropriar; ajustamento de um organismo, particularmente do homem, às condições do meio ambiente. Ou seja, associa-se à ideia de subordinação (dos pais e das crianças às normas da instituição).

A palavra acolhimento refere-se ao ato de acolher, refúgio, amparo, hospitalidade, receber com agrado. Não se restringe a um momento específico, visto que serve de orientação para uma postura permanente da relação educativa com bebês, crianças pequenas, profissionais e famílias.

Por sua vez, o termo inserção significa o ato de inserir, que quer dizer introduzir, incluir (-se) num conjunto, integrar, intercalar, fazer parte de (um contexto). Considera-se que o termo é mais amplo e possibilita reconhecer o caráter processual desse momento. Ou seja, ao mesmo tempo em que ocorre a separação gradual da criança com a família, mediada por um adulto profissional, também acontece um processo de construção e ampliação de uma nova rede de relações; novos relacionamentos e construção de vínculos.

Se entendermos que a Educação deve promover o desenvolvimento integral da criança, e que “o processo de desenvolvimento é sempre concretizado no aqui-agora das situações, nas e por meio das interações sociais, e envolve uma co-construção a partir das interações, isto é, de ações partilhadas e independentes, articuladas por uma coordenação de papéis” (AMORIM, VITÓRIA e ROSSETTI-FERREIRA, 2000, p.05), as ações de acomodação ou ajustamento presentes na ideia de adaptação não correspondem com tal perspectiva. Já o ato de acolher, de atender de maneira respeitosa e cuidadosa é algo que deve fazer parte do dia-a-dia do trabalho na Educação Infantil, especialmente nos primeiros dias da criança na instituição, não demarcando a especificidade desse momento.

A opção pelo termo inserção se justifica pelo entendimento de que integrar-se num grupo pressupõe tornar-se parte dele, incluir-se, sendo que a criança não apenas se acomoda, mas integra-se ativamente, interfere na sua composição.

A inserção é um período rico de encontros e exige dos profissionais constante atenção, a fim de poderem encorajar e facilitar essa nova e importante experiência vivida pelas crianças e seus familiares. Nesse processo, cada criança manifesta seus sentimentos de maneira própria, o que exige a elaboração de um planejamento que privilegie o direito à atenção individual. Nesse sentido, a organização do tempo, espaços, materiais e atividades são elementos importantes a serem contemplados no planejamento.

Assim, é importante estar atento para algumas orientações que servem para sustentar, apoiar e qualificar o atendimento às crianças, famílias e profissionais no processo de entrada das crianças na Educação Infantil.


Algumas orientações gerais:


  • O processo de inserção envolve o planejamento de múltiplas estratégias para sustentar o início das relações entre profissionais, crianças e famílias no âmbito da Educação Infantil. O planejamento destas estratégias necessita do envolvimento de todos e da reflexão contínua por parte dos profissionais.

  • As famílias necessitam ser consideradas parceiras neste processo de inserção. Contudo, na maioria das vezes é a primeira vez que elas vivem este processo. Por isso, é preciso uma postura de acolhimento de todos os profissionais, de ações planejadas para conhecer, informar e trocar experiências com elas. Isso contribui para deixá-las mais tranquilas e confiantes diante da separação da criança.

  • O processo de inserção inicia já no processo de matrícula da criança na unidade. As informações sobre a creche e sobre o processo de inserção podem ser socializadas após o processo de matrícula, no final do ano, de forma que as famílias possam se organizar e se preparar no período de férias para o início do próximo ano letivo.

  • A constituição do vínculo afetivo é um aspecto importante para constituição da vida coletiva na creche, e as profissionais possuem um papel importante neste processo. Neste sentido, orientamos que elas possam acompanhar seus grupos de um ano para o outro. Ou seja, na medida do possível, uma das profissionais do ano anterior (professora ou uma das auxiliares de sala) deve acompanhar o grupo no ano seguinte. Esta orientação visa respeitar a constituição do vínculo da criança e do grupo, especialmente as de 0 a 3 anos.

  • Os horários de entrada e saída das crianças na instituição, bem como o tempo de permanência no período de inserção, não podem ser iguais para todas. É preciso considerar as que estão ingressando e sentem-se bem, as que já que frequentavam e não manifestam desconforto ou, ainda, as que se sentem inseguras, buscando equilíbrio entre a proposta dos profissionais e a disponibilidade das famílias.

  • O choro não é a única manifestação de estranhamento por parte da criança, outras reações podem ser identificadas: recusa ou ansiedade na alimentação, vômitos, dificuldade no sono, apatia, febre, isolamento, irritabilidade. É preciso estar atento a estas diversas manifestações, acompanhando-as em conjunto com as famílias.


Organização com os grupos novos na instituição:


  • Organizar horários de atendimento individualizado às crianças e suas famílias nos GI, GII e GIII novos, no primeiro dia para os grupos de período integral e nos dois primeiros dias para os grupos de período parcial, respeitando os seus turnos de atendimento. Tal organização objetiva possibilitar tempo e espaço para que as profissionais, as famílias e as crianças possam se conhecer de forma mais atenta e próxima. Para tanto, é preciso: a) organizar e dividir os horários individualizados ao longo de todo o período de atendimento (para os grupos de período integral das 7:30 às 18:30 e para os grupo de período parcial das 7:30 às 13:00 /ou das 13:00 às 18:30)1 b) Agendar com as famílias os seus respectivos horários, via telefone, antes do primeiro dia de atendimento; c) considerar que a presença da criança é imprescindível, pois trata-se de um dia letivo, organizado de forma singular face as características e necessidades da faixa etária; d) planejar o espaço de forma acolhedora às crianças e às famílias, e)elaborar questões para obtenção de informações importantes acerca da vida da criança e seu contexto social2, f) preparar informações que ajudem as famílias a conhecer o trabalho pedagógico desenvolvido pela unidade, g) registrar as informações sobre cada criança.

  • Após este dia de atendimento individualizado organizar nos GI, GII e GIII, em acordo com as famílias, pequenos grupos com atendimento em diferentes horários, e gradativamente ampliar o período de permanência delas na instituição. O olhar atento das profissionais é fundamental, pois algumas crianças poderão inserir-se com mais facilidade, podendo permanecer em período integral ou parcial mais rapidamente que outras.




  • Para os Grupos das crianças maiores (Grupos IV, V e VI – 3 anos a 5 anos e 11 meses) com atendimento parcial, o horário deve ser de, pelo menos, 3 horas desde o primeiro dia, no período em que estão os dois profissionais em sala. Já aos Grupos com atendimento integral, devem ser oferecidas, pelo menos, 4 horas de atendimento no primeiro dia. As crianças que ficarem bem devem ser atendidas no horário normal, já no segundo dia, e as que ainda manifestam desconforto, o tempo de permanência na instituição deve ser gradativamente ampliado.


Organização com as crianças que já frequentam a instituição:


  • Para as crianças menores (Grupos II e III – 1 ano a 2 anos e 11 meses) deve ser organizado, em acordo com as famílias, dois grupos com atendimento em diferentes horários no primeiro dia de frequência da criança. Nos Grupos com atendimento integral, uma parte pode ser atendida durante o período matutino e a outra durante o vespertino. Nos Grupos com atendimento parcial, pode ser feito o atendimento em dois horários no mesmo turno. Para as que ficarem bem, o atendimento deve ser normal (considerando o período que estão matriculadas); já no segundo dia e para as que ainda manifestam desconforto, o tempo de permanência na instituição deve ser gradativamente ampliado.

  • As crianças maiores (Grupos IV, V e VI – 3 anos a 5 anos e 11 meses) devem participar, desde o primeiro dia, do horário normal de atendimento (considerando o período que estão matriculadas), se não manifestarem desconforto.


Organização da instituição:


  • Organizar as salas com diferentes possibilidades para que as experiências ocorram simultaneamente, como áreas com chocalhos, livros, brinquedos; área para os bebês engatinharem; espaço no chão com blocos de montar; espaço nas mesas para materiais de manipulação; área aconchegante com colchonetes, tapetes, almofadas. O espaço organizado pode atrair o interesse e a curiosidade das crianças, deixando-as mais à vontade para explorarem o novo ambiente.

  • Considerar os costumes que a criança tem em casa, quanto aos cuidados específicos para dormir, comer ou usar o banheiro, respeitando-os na transição gradativa de reconhecimento dos modos de cuidado e educação no espaço coletivo.

  • Permitir que a criança leve para a instituição objetos de casa, tais como: brinquedos, fotos, paninhos, chupetas, pois representam relações de afeto e familiaridade a ela.


Organização com as famílias


  • Na reunião geral de início de ano que é realizada com as famílias, destacar a importância do período de inserção e explicar o porquê de horários diferenciados de atendimento entre os grupos nos primeiros dias. Possibilitar tempo e espaço para que possam perguntar, conversar e esclarecer dúvidas, além de trazer proposições. Podem ser organizados outros encontros para avaliar esse processo por meio de registros escritos, fílmicos e fotográficos e depoimentos das famílias.

  • Todas famílias devem ficar de sobreaviso, caso seja necessário a unidade fazer contato, ou a família vir buscar a criança mais cedo.

  • Realizar entrevista que identifique a organização das famílias e as preferências das crianças quanto à brincadeira, o sono, a alimentação, casos de doenças, entre outros. Esse momento também é uma boa oportunidade para apresentar às famílias um pouco do trabalho que é realizado na instituição.

  • Solicitar um familiar (pode ser pai, mãe, irmã/o mais velho, tio/a primo/a avó, avô ou até um vizinho/a ou amigo/a próximo da família que tenha vínculo afetivo construído com a criança) para acompanhar a criança nos primeiros dias de frequência na instituição, negociando as possibilidades de tempo de permanência e turnos. É importante salientar que o papel da família não é substituir as ações do professor, mas sim, conhecer a dinâmica de funcionamento e auxiliar a criança a estabelecer uma relação de confiança frente aos desafios desse novo espaço.

  • Organizar espaço para acolhimento da família, disponibilizando fotos, vídeos e material informativo sobre a importância do período de inserção e outros temas relevantes da Educação Infantil, como: alimentação, brincadeira, mordida, sono, sexualidade, desenvolvimento infantil, projetos realizados na instituição, Projeto Político Pedagógico – PPP.




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