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MEDIAÇÃO: TRÂNSITO ENTRE O TEXTO E O LEITOR




Almaiza Fernandes de Medeiros - UFRN-DEPED-NEPELC

A pesquisa O ensino de literatura: professores e aprendizes e a atuação na comunidade de intérpretes nas escolas da rede estadual do Rio Grande do Norte (CNPq, 1999), contempla indicadores da mediação do professor em sala de aula, ao desenvolver atividade de leitura do texto literário, no 2° ciclo (4ª série), do Ensino Fundamental. Ao longo do nosso trabalho, abordamos o recorte da categoria mediação, na sessão de leitura do livro A Bela Borboleta, de autoria de Ziraldo e Zélio (1995). Analisamos as habilidades e competências do professor ao desenvolver estratégias de acercamento do texto com seus alunos.

Entendemos por mediação de leitura a ação do professor, orientando o olhar do aluno para explorar a literatura no que diz respeito às linguagens verbal e não-verbal. A categoria em foco tem a finalidade de suscitar as relações entre o texto e as experiências de vida do leitor, ou entre o texto e as leituras anteriores. A mediação do professor nesse estudo está pautada no objetivo de formar, progressivamente, os alunos em leitores autônomos, analíticos, críticos, capazes de serem desafiados por qualquer texto ao extrair dessa experiência prazer e conhecimento (Amarilha, 1999). A partir dessa reflexão, compreendemos que a mediação possibilita a formação do leitor com esse perfil.

A mediação, como uma opção metodológica, favorece a interação leitor-mediador-texto, como afirma Smolka (1993, p. 9): a elaboração cognitiva se funda na relação com o outro, ou seja, o conflito sócio-cognitivo(Almasi, 1995) do aluno se dá no momento da interlocução com um leitor mais experiente, no caso com o professor. Por fim, buscamos apoio em Smith (1989), que elege as estratégias de leitura previsão, seleção, inferência e verificação, como categorias necessárias à compreensão do texto.

De posse dessas estratégias, o leitor, no ato da leitura, está constantemente estabelecendo previsões ou levantando hipóteses para significados, acontecimentos, ações dos personagens, ou construindo possibilidades de desvelamento das metáforas, a partir do seu conhecimento prévio, sobre o assunto, o autor e a linguagem empregada. Nesse processo, o leitor seleciona determinadas pistas e despreza outras, ao mesmo tempo faz inferências, sobre as pistas oferecidas pelo texto. Simultaneamente, o leitor utiliza-se da verificação, controlando a eficácia de uso das demais estratégias, que confirmem ou neguem as hipóteses.

Analisamos as categorias habilidade e competência com base em Perrenoud (2000, p. 15), que define competência profissional, em sentido amplo, como uma capacidade de mobilizar diversos recursos cognitivos para enfrentar um tipo de situação. Ao relacionar com a formação profissional dos professores, acrescenta que essa competência mobiliza, de uma situação de trabalho para outra, os saberes teóricos ou metodológicos adquiridos sistematicamente ou de forma assistemática, assim como as experiências acumuladas, as vivências cotidianas, as ações e as atitudes necessárias ao exercício do professor. Dessa forma, compreendemos que a competência está situada no campo operacional, ou seja, realiza-se no fazer pedagógico do professor, envolvendo esquemas de ação, repertório de condutas e domínio de rotinas para todo o processo educativo. A habilidade, por sua vez, é uma categoria de significado mais restrito, envolve o domínio de determinada capacidade. Por exemplo, o professor pode ter habilidade para realizar um plano de aula bem estruturado, mas não ter a competência de operacionalizá-lo. Na perspectiva deste estudo, entendemos que o professor engaja o aluno em um processo cooperativo de questionamento e auto-aperfeiçoamento no qual professor e aluno buscam refinar habilidades e conhecimentos (Ruddell apud Amarilha, 1999, p. 9).

Ao longo dessa apresentação, fazemos referências às falas dos alunos e às dos professores sujeitos dessa pesquisa e, gradativamente, apresentamos sugestões de intervenções pedagógicas para que o professor exerça uma ação mediadora competente, no trato com o texto literário.

Para o exercício da mediação o professor deve ter por base o plano da aula de leitura de literatura, ou seja, exercer uma interação própria que é requerida nas fases da pré-leitura, leitura e pós-leitura. Na pré-leitura, o mediador, através de perguntas, suscita, principalmente, o levantamento de hipóteses para a atribuir sentidos ao texto, mobilizando a atenção e o interesse dos alunos para o que vai ler. Na leitura, realiza-se o contato do leitor com as linguagens verbal e não-verbal do texto, a seleção das informações mais importantes e a construção de outras hipóteses, que, passo a passo, podem ser confirmadas ou não. Na pós-leitura, desenvolve-se a discussão como uma atividade colaborativa de construção de sentidos que vai promover o avanço dos leitores, através do conflito sócio-cognitivo (Amarilha, 1996, p. 23) que se instaura na comunidade de leitores. Portanto observamos que se efetuam, simultaneamente, nesse processo de leitura, as estratégias propostas por Smith (1989).



Ao explorar a capa do livro A Bela Borboleta, na fase de pré-leitura da 1ª sessão de leitura, as professoras desencadearam o processo antecipatório, conforme veremos nos seguintes episódios.

Turma A


Profª: Este livro tem como título A BELA BORBOLETA e é de Ziraldo. O que é uma Borboleta para vocês?

Rildo: É um inseto que voa.

Profª: Muito bem! Rildo. Quem mais quer falar sobre a borboleta? Por que a Borboleta é bela? Como vocês relacionam essa Bela Borboleta branca com o jardim colorido?

Josias: Uma paisagem bela.

Júlia: Ela, ela é o destaque.

Profª: Júlia está dizendo que ela é o destaque do jardim, vocês concordam?

Alba: Não!

Vários: Concordo!

Profª: Por que vocês concordam?

Júlia: Professora, porque ela é a única coisa branca.

Profª: Vamos abrir o livro e começar a leitura.
Com essas perguntas, a professora instaura a curiosidade dos alunos para o texto e, conseqüentemente, ativa suas respostas na perspectiva de levantamento de hipóteses. Ao perguntar Que relação você faz da Bela Borboleta com o jardim colorido, e ter como resposta Ela, ela é o destaque, a professora poderia refazer seu questionamento, provocando a aluna para ampliar o seu pensamento com a questão:



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