Sala de aula e novas tecnologias – um pouco menos



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Sala de aula e novas tecnologias – um pouco menos...

Prof. José Pedro Boufleuer1

Já houve um tempo em que se acreditava que o professor deveria, antes de tudo, ser um psicólogo, ou um economista, ou um ativista de esquerda, ou, então, um entendido em relações humanas. Hoje há os que acreditam que para ser professor é preciso estar enfronhado no mundo digital, dominar todos os modernos sistemas de comunicação, saber das múltiplas oportunidades da Internet, ser um adepto das mídias sociais. Sem tudo isso, dizem, como seria ele capaz de se entender com os alunos que vivem o tempo todo conectados, inclusive em sala de aula? Afinal, se os alunos estão “nessa” não poderia o professor estar “noutra”...

Quem tem uma noção de quantas vezes os educadores já deram “meia volta volver” por terem embarcado ou apostado em alguma pretensa solução nova ou até mágica para as suas dificuldades certamente concordarão conosco: “um pouco menos...” Um pouco menos de empolgação com as soluções tecnológicas para os problemas da sala de aula. Um pouco menos de cobrança para que os professores saibam tanto ou mais de tecnologia do que os seus jovens alunos.

Para tratar do uso de novas tecnologias ou de quaisquer tecnologias em sala de aula é importante começar pelo que se pode entender como a razão de ser de uma sala de aula. Isso porque a sala de aula constitui um espaço em que há um operar em termos de formação humana e não, por exemplo, um operar em termos de edificação de um prédio. Neste último caso, do prédio, ele já é um fazer tecnológico. Por isso a articulação de mais uma tecnologia ou de uma nova tecnologia a esse fazer nem precisa de justificação. Simplesmente se aplica. Mas em se tratando de formação humana importa que nos ocupemos de modo preliminar com alguns aspectos específicos da educação para, num segundo momento, pensar o uso de tecnologias no ambiente de sala de aula.

O ponto de partida de toda e qualquer educação se encontra no fato de termos um mundo humano que nos faz uma espécie diferenciada em relação às outras espécies animais. Um mundo humano que resulta de modos específicos de agir que fomos capazes de desenvolver nas interações com o mundo natural, com os outros e conosco mesmos.

Assim:

- Temos cultura – nossos padrões de interação com o meio natural vão se modificando. Ou seja, revelamo-nos como criativos e inventivos, com o que acumulamos, através dos tempos, tecnologias, modos de intervir na natureza, de potencializar nossas capacidades de ação.



- Temos sociedade – nossos padrões de interação com os outros vão se modificando. Nosso comportamento não é regido tão-somente pelos instintos ou pelas inclinações naturais. Estabelecemos valores morais e éticos, regras de convivência e inventamos a política, ou melhor, somos animais políticos (Aristóteles).

- Somos sujeitos – temos personalidade e identidade. Fazemos escolhas e nos afirmamos na singularidade de nosso modo de ser.

O nosso esforço ou disposição em educar os filhos, e as novas gerações de um modo geral, se deve ao fato de acreditarmos que esse mundo humano – crenças, valores, técnicas, competências, modos de ser etc. – constitui um legado que vale a pena ser transmitido às novas gerações. Temos um aprendizado de espécie que desejamos seja incorporado pelas novas gerações. Podemos dizer que esse desejo se expressa no dizer dos pais: “Queremos o melhor para nosso filho. Queremos que nosso filho tenha uma vida boa”. É quase impossível imaginar um pai ou uma mãe dizerem: “Quero que meu filho se estrepe, que se dê mal”.

Esse “melhor” e “vida boa” representam a compreensão que esses pais têm em relação ao que seja propriamente o “humano” em suas relações com o meio natural, com os outros e consigo mesmo. Tudo isso remete à idéia de que educar, em última instância, consiste no esforço em “contar o mundo às novas gerações”. Frente a isso se colocam as questões: como contar? Como funciona isso? Como isso é possível?

Em primeiro lugar, essa “contação do mundo” funciona porque somos uma espécie aprendente. E aprendente em ritmo rápido. Muitos dos aprendizados ocorrem em função das circunstâncias em que vivemos, pelo contexto em que estamos, pela necessidade de resolver problemas no dia-a-dia e, inclusive, pelos percalços que vamos tendo em nossa trajetória de vida. Em todo caso, a criança que nasce hoje tem condições de incorporar os aspectos fundamentais do legado da espécie em poucos anos.

Embora se possa dizer que temos uma disposição genética para aprender e que ao nascer já nos inserimos numa dinâmica de aprendizagem, o que de fato potencializa a aprendizagem humana é a interação com outros humanos e, especialmente, com quem aprendeu antes. Os casos de crianças que convivem com bichos ou que ficam isolados de outras pessoas ilustram muito bem o quanto o aprendizado permanece precário nessas situações e, consequentemente, o quanto somos dependentes do convívio com outros que se constituíram em humanos. Com isso se pode dizer que o específico do aprendizado humano é o de aprender com ou diante de outros.

E como o aprendizado efetivamente ocorre? Ele ocorre como uma realização do sujeito aprendente, em perspectiva própria, como processo de subjetivação. Ou seja, ele não se dá por repetição ou por simples transferência. Todo conhecimento precisa articular-se com o universo de experiências, referências e sentidos do sujeito aprendente. Caso contrário ele não gruda no sujeito, não se sustenta como um saber, como uma capacidade, como uma competência. Ele necessita incorporar-se e converter-se em uma “figuração” interna do sujeito aprendente. Isso implica em empenho, em esforço, em disciplina. E não há como driblar essa condição da aprendizagem. Deixemos, portanto, de lado as noções de aprender por osmose, por estar na companhia de um sábio, ou qualquer forma que sugira uma assimilação passiva do conhecimento ou que dispensasse o empenho e a cumplicidade do aprendente.

Resumindo: aprendemos mediante envolvimento, engajamento pessoal, cumplicidade e, em regra, com ou diante de outros, especialmente se esses aprenderam antes o que gostaríamos de aprender, ou seja, em situação pedagógica.

Por essas razões constituímos instituições pedagógicas como a família, a escola e a universidade. Essas duas últimas surgiram em função da necessidade de uma aprendizagem em ritmo cada vez mais intenso e sistemático. Na origem da escola e da universidade está pressuposta a insuficiência do autodidatismo ou da autodeterminação na construção das aprendizagens que o mundo atual exige2. Essas instituições surgiram para “atropelar” o que seria o ritmo espontâneo ou “natural” de aprendizagem das novas gerações. Para alguém constituir-se em “cidadão do tempo presente”, no sentido de conseguir fazer parte da vida social e cultural que o tempo presente oportuniza, é preciso que ele desenvolva competências em ritmo acelerado, o que implica, em boa medida, se submeter a esforços de aprendizagem quando ainda não percebe a sua necessidade e nem visualiza a sua importância. E é isso que torna o fazer pedagógico um fazer tensional.

Nesse sentido importa observar que a educação interessa antes aos pais e educadores do que aos filhos e educandos. Isso porque se esperarmos que estes percebam a sua importância e se interessem por ela, já terá sido tarde... A educação, portanto, implica uma antecipação ao educando por parte do educador. A referência dela é o educador e o mundo que representa e não a perspectiva ou o interesse do aluno.

Imaginemos, agora, hipoteticamente um lapso de gerações, ou seja, que uma geração não conviva com a seguinte. Certamente teríamos uma situação que poderíamos caracterizar como “retorno à estaca zero”. De nada valeriam os códigos de escrita, as tecnologias existentes e tudo o mais se não houvesse essa mediação de uma geração precedente. Com isso estamos indicando para o fato de que tradições culturais e tudo o que temos como mundo humano só se transmite através de pessoas.

Podemos dizer que todo conhecimento está intimamente vinculado a uma experiência humana e, como tal, só pode ser aprendido, só pode ser interpretado e compreendido em sua razão de ser mediante uma comunicação entre humanos. Todo saber humano foi constituído mediante criação, e por que não dizer, com sangue e suor de humanos. Por isso é preciso que os humanos indiquem a forma como esse saber deve ser entendido e valorizado.

A comunicação entre humanos, desde os primórdios, tem se realizado de forma direta, face-a-face, mediante o uso de uma linguagem que articula sons, gestos e uma infinidade de sinais conscientes ou inconscientes que funcionam como formas de manifestação de uns diante de outros. Com os códigos de escrita e o uso de imagens, bem como de demais formas de articulação e preservação da experiência humana, passamos a ter o que poderíamos chamar de tecnologias que podem nos auxiliar nessa comunicação. A questão é em que termos e até que ponto essas tecnologias podem substituir, em maior ou menor grau, a interação face-a-face.

Chegamos com isso à questão que é objeto de tematização deste texto, ou seja, o uso das novas tecnologias em sala de aula, como os computadores, os multimídia, dentre outros. De saída afirmamos que só é possível tratar dessa questão a partir da consideração do que é fundamental e indispensável na configuração de uma sala de aula ou de um ambiente pedagógico de aprendizagem. Um ambiente que, como se sabe, deve oportunizar o engajamento do aluno e conferir ao conhecimento o caráter de uma produção humana.



Vamos descrever essa situação de sala de aula de uma forma um tanto idealizada. Idealizada não num sentido pejorativo, de impossível, mas como configuração de uma situação de aprendizagem otimizada pela mediação de um professor3. Vamos fazer isso em quatro momentos, como se fossem momentos da dialética da relação pedagógica:

  1. Constituição da docência (como tarefa preliminar do professor):

  • Aprender antes o conhecimento a ser ministrado, incorporá-lo como uma percepção sua, como uma competência no âmbito da cultura, como um modo seu de se situar no mundo;

  • Aprender em perspectiva própria mediante a pesquisa para que o conhecimento se configure de modo original e novo para o professor;

  • Compreender o porquê da validade ou importância do conhecimento, as razões de este conhecimento constar do currículo de sua disciplina de ensino;

  • Fazer com que o conhecimento efetivamente passe por ele antes de este passá-lo ao aluno..., evitando que ele (o conhecimento) constitua um elemento terceiro em relação ao seu mundo (do professor), alheio à própria experiência de sua vida;

  • Conferir ao conhecimento o caráter de um saber de homens, digno de ser apresentado para as novas gerações;

  • Construir uma idéia ou compreensão preliminar em relação ao conhecimento, sabendo que esta necessitará ser testada ou revisada mediante ou após a interação com os alunos, o que significa que o professor, como qualquer um, não aprende de vez, isto é, de forma completa.

  • Em síntese, antes de iniciar uma aula é necessário o professor fazer uma espécie de exame de consciência, perguntando-se: — Qual o significado para mim do assunto que me proponho abordar com meus alunos? Encontraria em mim motivos para atestar a importância de sua aprendizagem?

  1. A hora da aula e a interação pedagógica propriamente dita:

  • O professor testemunhar a própria aprendizagem, apresentando-se como quem já tem uma interpretação do conhecimento, como quem está atravessado por ele;

  • O professor realizar um esforço para envolver os alunos, de modo que se tornem participantes ativos da dinâmica da sala de aula;

  • Buscar uma comunicação que é mais instigação e perturbação do que transmissão;

  • Acionar inúmeros canais de comunicação: fala, escrita, imagem, gesto, olhar – entre professor e alunos e entre os alunos;

  • Buscar estabelecer uma sinergia, um “magnetismo”, resultante da cumplicidade recíproca, do envolvimento que se espera possa ser de todos os participantes da aula;

  • Reconhecer o conhecimento em seu caráter histórico, cujo valor depende da forma como é incorporado pelos aprendentes, seja por parte do professor, seja por parte dos alunos;

  • Ao expor seus argumentos, ao expressar o conhecimento, o professor reafirmar ou refazer suas convicções, considerando as reações, as dúvidas ou a concordância dos alunos;

  • Enfim, considerar a sala de aula como tendo dois pólos aprendentes: o professor e os alunos (sendo que cada um destes aprenderá, ainda, em perspectiva própria).

  1. Auto-avaliação do professor:

  • O professor perguntar-se sobre o que aprendeu ou reaprendeu em relação ao conhecimento ministrado;

  • Caso tenha reaprendido o que acreditava saber possivelmente terá tido uma interação efetiva com os alunos;

  • Caso saia da aula com as mesmas percepções com que entrou não terá estabelecido uma situação pedagógica de aprendizagem e, neste caso, poderia ter sido substituído por algum artefato tecnológico capaz de levar informações ou dados aos alunos...

  1. Avaliação do aluno:

  • Registro da aprendizagem por parte do aluno como expressão do que incorporou em termos de novas percepções, de novas capacidades;

  • Essa avaliação, a rigor, só pode ser uma auto-avaliação, mas o professor pode avaliar, pelo registro, o envolvimento havido por parte do aluno e a aproximação, em maior ou menor grau, para com a interpretação do saber que se convencionou na tradição (grau de objetividade).

Ressaltamos que numa sala de aula o característico deve ser o fato de o conhecimento ser apresentado/comunicado em suporte dinâmico, o que só é possível ocorrer plenamente na interação face-a-face, pois necessita da constante defrontação de sujeitos, em processo de contínua interpretação e reinterpretação da tradição, motivado pela instigação recíproca entre professor e alunos e entre os próprios alunos. Com isso se demarca o caráter histórico e de provisoriedade do conhecimento humano. É isso que entendemos como situação em que há dois pólos aprendentes. Enfim, a sala de aula é o espaço em que o conhecimento também se renova, se produz, porque acaba configurando uma situação epistêmica. Afinal, a tradição cultural se recria no momento em que é comunicada.

E ousamos afirmar que é a sala de aula assim constituída e a docência assim entendida que, de fato, vale a pena ser paga ou que se manterá com valor de mercado. E é, também, nessas condições, e só nessas, que um professor conhecerá e terá o reconhecimento do seu valor enquanto atuante nessa forma otimizada de aprendizagem que é a sala de aula.

Importa observar, no entanto, que a existência de um professor com alunos em sala de aula não é nenhuma garantia de que essas condições ocorram. O professor pode apresentar-se como um suporte estático do conhecimento, que fala como se ele não estivesse envolvido nesse conhecimento, como um ventríloquo (que não é ele que fala ou que não fala por si), que repete o que ouviu dos outros, que nunca pensou na razão de ser do conhecimento apresentado, naquilo que o tornou válido ou digno de ser aprendido. Enfim, o professor pode, eventualmente, não testemunhar nada, a não ser a obsolência daquilo que está propondo, com o que, dificilmente, terá o engajamento dos seus alunos.

E as tecnologias usadas em sala de aula? Elas não são boas e nem más, mas podem ajudar ou atrapalhar, dependendo de como comparecem em meio a essa forma como configuramos a situação pedagógica de aprendizagem em sala de aula. Façamos algumas considerações sobre o tema:

Tecnologias usadas pelo professor – do quadro-verde à Internet:


  1. É preciso avaliar se corroboram o esforço de testemunho do professor e sua disposição de envolver os alunos numa dinâmica de aprendizagem. Observe-se que essa condição de testemunho de um conhecimento é o que “ainda” nos diferencia das “tecnologias do ensinar”.

  2. Se as tecnologias apenas servirem para o professor preparar a sua aula de uma vez para sempre, para poder ir junto aos alunos apenas de corpo presente (sem alma, sem sentimento, sem necessidade de escutar, de interagir...) então poderão estar atrapalhando. Por isso as tecnologias não podem ser usadas para o professor se livrar do friozinho na barriga na hora de encarar uma turma de alunos e apresentar um conteúdo. Sala de aula deve ser mais teatro do que cinema. Teatro tem o seu valor, porque é sempre uma apresentação nova, articulada com o público assistente/participante. Filme é possível de ser “pirateado” de qualquer lugar... é tudo cópia, repetição, sem inovação.

  3. Se a aula do professor tiver que ser suspensa por não funcionar o equipamento tecnológico, então o professor estará se barateando e, muito provavelmente, a máquina irá substituí-lo em breve e de forma mais barata e eficiente.

Tecnologias usadas pelos alunos:

  1. O problema certamente está em o aluno imaginar ou se comportar como que se o computador pudesse dispensá-lo do esforço de aprender, da disciplina, de escrever o próprio texto, de fazer uma configuração do conhecimento em sua mente na busca de abarcar um possível significado seu.

  2. Por isso, se o computador produzir no aluno a impressão de que todo o conhecimento está a um toque de computador ou mouse, dispensando-o de uma apropriação deste conhecimento em perspectiva própria, “vai acabar costurando chinelo para os chineses...”4

A questão da aprendizagem e de algumas possíveis ilusões quanto ao papel das tecnologias pode muito bem ser situada a partir do princípio que rege a própria vida humana: cada ganho tem o seu preço; cada vitória tem o seu custo; à coluna dos créditos sempre corresponde uma coluna dos débitos. E não tem como subverter essa lógica, esse princípio. Para a obtenção da aprendizagem temos o custo do esforço, do empenho, da determinação.

Não se faz uso mais suave do cérebro sem um comprometimento do que chamamos de inteligência. Em reportagem da Revista Galileu (Ed. Globo, n° 229, agosto de 2010, p. 38-47), que discute as possíveis implicações das facilidades na manipulação de informações a partir da Internet, é referida uma pesquisa da psicóloga americana Patrícia Greenfield, da Universidade da Califórnia, em que ela argumenta que “o uso ‘mais suave’ do cérebro pode ‘destreiná-lo’ em atividades relacionadas, fundamentalmente, à inteligência”. Assim, em sua pesquisa “conclui que as novas mídias trouxeram um desenvolvimento sofisticado de habilidades visuais-espaciais. Mas, ao mesmo tempo, reduziram a capacidade de lidarmos com vocabulário abstrato, reflexão, pensamento crítico e imaginação” (p. 44).

É preciso que avaliemos, por um lado, o significado do amplo acesso às tecnologias de informação (entenda-se, tudo disponível num toque de computador) para aqueles que já estruturaram uma linguagem própria, um campo de referências, enfim, uma autonomia de pensamento e de percepção do próprio campo profissional. Nesse caso, com certeza, as tecnologias significam uma possibilidade de otimização, de ganho em escala, de facilitações de toda ordem. E, por outro, é preciso que avaliemos o alcance desse acesso para quem ainda não desenvolveu uma linguagem própria, para quem ainda não tem um pensamento minimamente estruturado, para quem ainda não aprendeu o campo teórico-conceitual de uma profissão ou de um campo de estudos.

O bom senso pedagógico parece indicar não ser adequado “escancarar o mundo” às novas gerações antes que tenham condições mínimas de compreensão e de discernimento. A “contação do mundo” que cabe à educação tem exigências que não se confundem com um zapear pelos canais de TV ou de um livre navegar pela Internet. Por isso, teríamos que pensar a tarefa da escola, e mesmo da formação inicial em nível superior, como sendo de construção de competências básicas e estruturantes da aprendizagem, de modo que o aluno ou ex-aluno possa ter as condições necessárias para continuar aprendendo.

Também é preciso pensar nos possíveis impactos das aprendizagens feitas de modo isolado, do aluno com os recursos tecnológicos disponíveis (questão que se coloca, especialmente, para a formação inicial a distância). Neste caso é preciso ficar atento para as eventuais dificuldades no que se refere a sua posterior inserção numa categoria profissional e no próprio mercado de trabalho. É bom observar que nas modernas repúblicas se prevê a obrigatoriedade da educação pública, significando que, por mais condições que alguém possa ter junto a sua família ou de aprender por conta própria, a formação das novas gerações está previsto realizar-se de forma coletiva, o que certamente indica para uma dimensão social da aprendizagem a ser adquirida.

Por fim, é possível ser otimista em relação às tecnologias de informação, no sentido de que em breve ninguém mais precisará pagar para ter acesso à informação. Frente a essa realidade será possível visualizar, cada vez mais, o específico de uma instituição pedagógica como a escola e a universidade, bem como a especificidade da atuação docente e da função de uma sala de aula. Isso permite dizer, com uma boa dose de certeza, de que se o aluno vem para a sala de aula e fica o tempo todo olhando para a tela do computador ele terá perdido a viagem... pois poderia fazer isso em casa. A dinâmica da sala de aula, portanto, terá que ser distinta.



1 Professor do Departamento de Pedagogia da UNIJUÍ.

2 Embora aqui e acolá certos indivíduos demonstrem ter essas características na elaboração do seu conhecimento, seria temeroso apostar numa forma de educação geral que se assentasse nessas condições de autonomia, de liberdade de horários, de autodisciplina, como se costuma indicar nas formas de marketing de sistemas de educação on-line ou a distância.

3 Algumas das bases teóricas desta configuração, bem como de sustentação da argumentação geral deste texto, estão contidas em vários escritos já publicados, alguns deles disponíveis na Internet, como:

BOUFLEUER, J. P. O operar pedagógico sob o primado da comunicação: a pedagogia em perspectiva auto-fundante - http://www.anped.org.br/reunioes/30ra/trabalhos/GT17-3338--Int.pdf



___. O paradigma da comunicação e a reconfiguração do espaço pedagógico - http://www.ufsm.br/gpforma/livrocultura.pdf


4 Expressão usada para designar o provável destino dos que, fascinados pelas facilidades tecnológicas, deixam de se desenvolver de forma autônima e criativa, restando-lhes, por isso, os postos de trabalho repetitivo e que dispensam criação.



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