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Encontro03.03.2019
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Resumo


Nome: Mariana Godoi Carlos, Sérgio Henrique Rosa, Vitor Turolla, Carlos Alberto Pivatti

Semestre:

Matéria: Psicodiagnóstico - Fenomenologia  

Professor (a): Alexandra Azevedo

Texto: O Espaço

Autor (a): Marília Ancona-Lopez

Data: 10/04/2018

“O espaço só pode ser compreendido através do mundo” é com essa frase de Heidegger que iniciamos nossa busca pelo entendimento do que é o espaço para a fenomenologia. O dasein compreende o espaço como extensão do próprio corpo e existe através dele. As dimensões do espaço são criadas a partir das extensões do corpo e é o espaço é orientado pelo Dasein. Mas de que forma podemos aplicar tais conceitos?

Peguemos então exemplos no nosso dia a dia. Quando um animal selvagem é retirado do seu habit por vezes chega a óbito sem causa orgânica aparente. Temos fronteiras municipais, estaduais e federais. Na legislação a invasão de propriedade privada é crime. Colocamos fechaduras, cercas e grades em nossas casas. Senhas e travas nos nossos aparelhos eletrônicos.

Não é só por segurança que criamos delimitações e ferramentas que controlam os espaços que tomamos por nossos. Usamos os espaços para criar nossa identidade e os entedemos como parte de nossos corpos. Quando acontece a transgressão do território pessoal, acontecem as aflições e sofrimentos do ser. O espaço é o corpo do homem, não sendo limitado às suas fronteiras somáticas mas incluindo as extensões implícitas.

O corpo do homem é chamado de espaço primitive e sua vivência expressa-se através da fenomenologia da corporeidade vivida. Dessa forma, todo espaço verdadeiramente habitado carrega a essência do conceito de casa, de lar. Uma vez que o espaço humano é por definição construído, a casa é nosso território próprio e extensão de corpo do homem, sendo dentro dela o centro do espaço e onde se sente protegido.

É através do nosso lar que podemos ao mesmo tempo nos isolar e nos comunicar com o mundo. Desse modo, a casa é a extensão do espaço interno e meio de comunicação com os espaços externos. Entretanto, é preciso que a casa esteja numa dinâmica de proxêmica saudável.

O termo proxêmica  foi criado pelo antropólogo Edward T. Hall em 1963 para descrever o espaço pessoal de indivíduos num meio social. É exemplo de proxêmica o fato de que um indivíduo que encontra um banco de praça já ocupado por outra pessoa numa das extremidades tende a sentar-se na extremidade oposta, preservando um espaço entre os dois indivíduos.

Hall demonstrou que a distância social entre os indivíduos pode ser relacionada com a distância física. Nesse sentido, menciona quatro tipos de distância:

distância íntima: para abraçar, tocar ou sussurrar (15-45 cm);

distância pessoal: para interação com amigos próximos (45–120 cm);

distância social: para interação entre conhecidos (1,2-3,5 m); e

distância pública: para falar em público (acima de 3,5 m).

Hall indicou que diferentes culturas mantêm diferentes padrões de espaço pessoal. Nas culturas latinas, por exemplo, aquelas distâncias relativas são menores e as pessoas não se sentem desconfortáveis quanto estão próximas das outras; nas culturas nórdicas, ocorre o oposto.

As distâncias pessoais também podem variar em função da situação social, do gênero e de preferências individuais.

A proxêmica de um indivíduo esbarra com a do outro onde prédios e casas, condomínios, transito intenso, superlotação de meios de transporte e o alto número de pessoas faz da cidade um espaço de adoecimento.

A cidade torna-se um espaço patológico, um labirinto, onde o ser não consegue encontrar seu centro, seu lugar de refúgio. Na cidade o ser não consegue se proteger ou se esconder. Também não consegue controlar a forma de se expor e de se comunicar com o outro. Os homens da cidade estão condenados ao amontoamento e à solidão.

O corpo é o meio de comunicação do interno com o externo, também o é nossa casa. A forma como organizamos, arrumamos e decoramos o espaço em que vivemos diz muito sobre nossas estruturas mentais. Qualquer que seja o espaço ocupado pelo ser, mesmo que pequeno ou simples, aquele indivíduo conseguirá fazer disto um lar.

É também através da arquitetura de nossas casas, a forma como as arranjamos, que expressamos nossa cultura, nossos valores, nossa identidade. Usamos do espaço e de referências a ele para expressar como estamos nos sentindo. Portanto, na prática clínica é de suma importância a investigação da vivência espacial do cliente. É através dessa investigação que se conseguirá levantar hipóteses diagnósticas precisas. O psicólogo faz isso através da observação do corpo do cliente, como ele se movimenta, gesticula. Também podem ser usados testes como o HTP e entre outros ajudam a entender a vivência especial do cliente.


Indagações

  1. Usando do conceito de proxêmica saudável, como o psicólogo que trabalha em grandes cidades pode auxiliar seus clientes para que mesmo tendo seus espaços pessoais invadidos constantemente sintam-se o menos possível perturbados?

  2. Como pessoas em situação de rua vivenciam seus espaços? De que forma elas conseguem fazer um lar? Como fica a expressão de suas estruturas mentais?



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