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A PRODUÇÃO DE TESES EM PSICOLOGIA HOSPITALAR NO BRASIL EM 2003 E 2004: DISCUSSÕES PARCIAIS DE RESULTADOS

Rosanna Rita Silva (Docente do DEPSI/UNICENTRO), rosanna@irati.com.br


RESUMO: Esta pesquisa relata resultados ainda parciais do estudo da produção de conhecimentos em âmbito acadêmico no Brasil no campo da Psicologia Hospitalar. Os objetivos buscados são identificar características dessa produção nos anos de 2003 e 2004. Servindo-se do Banco de Teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior/Capes, foram analisadas as teses produzidas no período. Como resultados verifica-se a diversidade de objetivos e clínicas médicas abordadas e a predominância das abordagens qualitativas.
Descritores: Psicologia, hospital, história da Psicologia
A trajetória teórica e de atuação fez com que a Psicologia fosse se aproximando cada vez mais de uma visão que abrange, mas não se limita, ao consultório e ao laboratório, locais onde ela nasceu.

A contemporaneidade abriu perspectivas e desafios para a inserção dos saberes e práticas psicológicas junto a diversos espaços, notadamente institucionais.

Nesse sentido, Psicologia hospitalar constitui-se como uma área de especialidade profissional na Psicologia brasileira, conforme a Resolução 014/00 do Conselho Federal, atualizada pelas Resoluções 02/01 e 013/07.

Os notáveis avanços da Medicina e demais ciências da saúde nas últimas décadas do século passado e nestes primeiros do século XXI, marcados pela alta sofisticação das técnicas de diagnóstico e tratamento, possibilitaram uma inegável melhoria na qualidade de vida de pessoas doentes e contribuíram para modificar a relação do homem com seu corpo e com sua vida. Apesar disso, o hospital permanece sendo a instituição marcada por situações extremas, por sofrimento, dor e luta constante entre vida e morte. No adoecimento, são potencializadas angústias, medos, inseguranças, raivas, revoltas, não só para doentes e familiares, mas também para os profissionais de saúde, sempre preparados para atuar em direção a cura, mas em constante tensão diante da morte (Simonetti, 2004).

A presença efetiva e especializada da Psicologia se deu fundamentalmente como base na preservação da singularidade das pessoas no âmbito hospitalar.

No entanto, a forma como isso se deu partiu da simples transposição das intervenções de consultório privado para o hospital.

Na medida em que foi sendo inserida no atendimento hospitalar, a Psicologia foi, de um lado, construindo compreensões teóricas e metodologias de intervenção para a realidade hospitalar como um todo, e de outra parte, identificando as especificidades de cada espaço hospitalar e de cada especialidade médica. A pesquisa produzida na área representa a etapa mais tardia do processo.

Romano (1999), precursora da Psicologia hospitalar no Brasil, faz em dois momentos distintos estudos sobre o estado da arte neste campo. O primeiro de 1987 e o segundo dez anos depois. Seu trabalho buscou identificar as características dos profissionais que atuavam em diversas instituições hospitalares e sobre o aspecto da produção em pesquisa, verificou que “Menos da metade dos entrevistados desenvolve pesquisa, elevando-se esse índice em relação a 1987, mas de modo não significante; [...]; o índice de publicações é menor que um quarto, mantendo-se o mesmo nos dois anos comparados; o envolvimento em projetos de pesquisa diferencia-se quando o profissional está/esteve vinculado a programas de pós-graduação em psicologia”.

A partir do exposto, então, verifica-se a necessidade de estudos sistemáticos que busquem identificar a produção de conhecimento especificamente situado no campo da Psicologia hospitalar, subsidiando seu crescimento científico e o desenvolvimento de práticas que respondam às necessidades da sociedade contemporânea.

Esta pesquisa discute a produção acadêmica no campo da Psicologia Hospitalar por meio das teses produzidas no Brasil e catalogadas no banco de teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior/Capes.

Os objetivos buscados são identificar as características da produção em Psicologia Hospitalar nos anos de 2003 e 2004, constando quais foram os objetivos propostos como relevantes para a pesquisa na busca de fazer avançar a Psicologia Hospitalar no Brasil e identificando as abordagens teórico-metodológicas adotadas.

A metodologia utilizada parte da busca por meio da expressão Psicologia Hospitalar no Banco de Teses da Capes, onde estão catalogadas teses e dissertações apresentadas nos Programas de Pós-Graduação no país.

A pesquisa encontra-se em andamento e a discussão que segue é dos seus primeiros parciais.

Efetivada a consulta no Banco de Teses com o assunto Psicologia Hospitalar, surgiram 14 teses. O resumo de cada uma delas foi examinado o que resultou na identificação de 06 que efetivamente dizem respeito de forma direta ao campo buscado.

As teses produzidas em 2003 foram as seguintes: Radomile, Maria Eugênia Scatena. Supervisão em Psicologia Hospitalar: um momento em movimento; Nucci, Nely Aparecida. Qualidade de vida e câncer: um estudo compreensivo; Wanderely, Kátia da Silva. Psicodiagnóstico: compreensão dos aspectos psíquicos da dor em portadores de hérnia de disco e Parreira, Clélia Maria de Sousa. Contribuições da Psicologia para a constituição de novos campos de saberes e de práticas em promoção da saúde. Em 2004, Oliveira, Erika Arantes. Qualidade de vida de pacientes submetidos ao transplante de medula óssea alogênico: um estudo longitudinal. e Moreno, Maria Teresa Nappi. Raiva: uma das emoções ligadas à gastrite e à esofagite.

Foram obtidas junto às bibliotecas depositárias todas as teses, cuja análise parcial de dados, realizada por meio de cinco categorias: local de produção, problema investigado ou objetivo, especialidade médica vinculada, abordagem teórica psicológica e metodologia adotada, permite a seguinte leitura.

Das seis teses, cinco foram produzidas em instituições do Estado de São Paulo e apenas uma em Brasília.

As temáticas são absolutamente diversas, abrangendo desde a formação no âmbito da graduação na área hospitalar, aspectos técnicos de atuação diagnóstica e de intervenção e estudo das implicações dos processos de adoecimento em clínicas como a Oncologia e a Neurocirurgia.

Também diversas são as abordagens teórico-metodológicas da Psicologia que servem de base aos estudos, como a Fenomenologia, Psicanálise e Psicologia Analítica.

No que se refere aos aspectos metodológicos em pesquisa, constata-se que todas são, ao menos parcialmente, qualitativas. Instrumentos como entrevistas, relatos de observações, relatos de experiências e testes projetivos foram utilizados. O aspecto quantitativo foi contemplado com a utilização de instrumentos como escalas e inventários de ansiedade e depressão.

O período histórico estudado aponta para uma abertura importante tanto de temáticas trabalhadas quanto de inserção em clínicas diversas, por meio de várias abordagens teórico-metodológicas e de instrumentos da Psicologia, o que aponta para uma presença mais efetiva junto à complexidade do processo saúde/doença e das particularidades da instituição hospitalar brasileira.




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