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REPENSANDO O MODELO INTERPRETATIVO DE

CAIO PRADO JÚNIOR.

IRACI DEL NERO DA COSTA(*)


I  INTRODUÇÃO.
Com a formulação do conceito sentido da colonização, Caio Prado Júnior procurou evidenciar o escopo maior do colonizador (seus objetivos últimos) e identificar o conseqüente caráter dependente e reflexo da economia brasileira com respeito aos mercados e interesses externos: "...explorar os recursos naturais de um território virgem em proveito do comércio europeu. É este o verdadeiro sentido da colonização tropical, de que o Brasil é uma das resultantes; e ele explicará os elementos fundamentais, tanto no econômico como no social, da formação e evolução históricas dos trópicos americanos. [...] Se vamos à essência da nossa formação, veremos que na realidade nos constituímos para fornecer açúcar, tabaco... (...) ...e em seguida café, para o comércio europeu. É com tal objetivo, objetivo exterior, voltado para fora do país e sem atenção a considerações que não fossem o interesse daquele comércio, que se organizarão a sociedade e a economia brasileiras. [...] O 'sentido' da evolução brasileira que é o que estamos aqui indagando, ainda se afirma por aquele caráter inicial da colonização." (PRADO JÚNIOR, 1987, p. 31-32); mais adiante acrescenta: "Da economia brasileira, em suma, e é o que devemos levar daqui, o que se destaca e lhe serve de característica fundamental é: de um lado, na sua estrutura, um organismo meramente produtor, e constituído só para isto: um pequeno número de empresários e dirigentes que senhoreiam tudo, e a grande massa da população que lhe serve de mão-de-obra. Doutro lado, no funcionamento, um fornecedor do comércio internacional dos gêneros que este reclama e de que ela dispõe. Finalmente, na sua evolução, e como conseqüência daquelas feições, a exploração extensiva e simplesmente especuladora, instável no tempo e no espaço, dos recursos naturais do país." (PRADO JÚNIOR, 1987, p. 129). Buscou, ademais, estabelecer os elementos estruturais básicos sobre os quais ocorreram a ocupação e valorização do território colonial, obedecido aquele sentido; encontrou-os na grande propriedade, na monocultura e na exploração do trabalho escravo. Delineou-nos, pois, um quadro no qual, colocado em face de abundantes terras virgens (caráter extensivo e predatório das atividades), o colonizador ávido de lucros organizou a produção em larga escala (grande propriedade) de bens tropicais que garantissem rentabilidade máxima (monocultura), dada a inexistência de uma sociedade pretérita que pudesse fornecer mão-de-obra juridicamente livre e despossuída de meios de produção (escravismo). Por fim, "Na agricultura colonial brasileira é preciso distinguir dois setores cujo caráter é inteiramente diverso. (...) De um lado, a grande lavoura, seja ela do açúcar, do algodão ou de alguns outros gêneros de menos importância, que se destinam todos ao comércio exterior. Doutro, a agricultura de 'subsistência', isto é, produtora de gêneros destinados à manutenção da população do país, ao consumo interno. (...) A grande lavoura representa o nervo da agricultura colonial; a produção dos gêneros de consumo interno  a mandioca, o milho, o feijão, que são os principais  foi um apêndice dela, de expressão puramente subsidiária." (PRADO JÚNIOR, 1987, p. 142-143). A nosso ver, é esta, em suma, a essência do modelo interpretativo proposto por Caio Prado Júnior; a este indiscutível contributo à compreensão de nossa formação histórica devemos, como sabido, um grande número de estudos nele inspirados e dos quais resultou, em grande parte, o avanço observado nas últimas décadas com respeito ao conhecimento de nosso passado econômico, político e social.
É, pois, a partir do reconhecimento da importância do modelo de Caio Prado Júnior que nos abalançamos a questioná-lo e a propor algumas soluções com as quais visamos a repensá-lo de sorte a contribuirmos para o estabelecimento de uma visão apta a integrar, criticamente, os novos raciocínios e os achados mais recentes decorrentes do referido avanço de nossos conhecimentos históricos.


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