Relações entre Psicologia e Filosofia: a psicologia filosófica



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Relações entre Psicologia e Filosofia: A psicologia filosófica
William B. Gomes*
O modo como a psicologia se insere no campo geral do conhecimento a coloca em uma condição privilegiada para o diálogo, seja com as demais ciências, com as humanidades ou mesmo com as artes. A psicologia ocupa um espaço privilegiado de interseção entre as humanidades e as ciências. Em processos complexos tipicamente humanos, a psicologia apresenta-se em sua singularidade lógica que é a condição de mover-se entre raciocínios digitais (redução de incerteza, diferenciação probabilística) e analógicos (decifração de ambigüidade, diferenciação de possibilidades). Nesta condição, o diálogo da psicologia com outros saberes é fértil, mas por vezes empobrecido pela insistência em tomar a interdisciplinaridade como suficiência retórica e não como contraste epistemológico. 

O diálogo com a filosofia, em particular com a filosofia da ciência e da ética, é imprescindível para o refinamento conceptual e para o exercício crítico de qualquer campo de conhecimento. Neste sentido, as relações entre psicologia e filosofia seguem os padrões das demais ciências, concentrando-se no exame de questões fronteiriças e controversas. Temos como exemplo, o problema ontológico da representação, isto é, se a intermediação simbólica é ou não é imprescindível para comportamento humano (Peter, 2004), ou se a moral deve ser entendida numa perspectiva realista ou pluralista (Kendler, 2002). Questões conceptuais clássicas continuam sendo examinadas à luz de novas evidências e implicações filosóficas. São exemplos, a escolha de abordagem para inferência causal, se co-variação ou mecânica (Newsome, 2003), ou novos dados e interpretações sobre as contribuições da Gestalt para a explicação da experiência consciente (Engelmann, 2002; Lehar, 2003). Por outro lado, temas mais recorrentes na psicologia brasileira se fazem representar em debates tais como: natureza humana e os limites da ciência (Root, 2003), dilemas correntes entre hermenêutica e poder (Richardson, 2002) e limites metafísicos e epistemológicos na classificação científica (Stamos, 2004). A surpresa na literatura internacional está na maior concentração de trabalhos sobre análise de temas, sendo menor as considerações sobre sistemas filosóficos ou filósofos renomados. 

Mesmo com maior presença em departamentos e eventos da área da filosofia, a psicologia filosófica vem atraindo a atenção de psicólogos. Há uma sociedade de psicologia inteiramente dedicada às questões filosóficas, a Society for Theoretical and Philosophical Psychology que é associada à Divisão 24 da American Psychological Association (APA), denominada de Theory & Philosophy. As principais revistas da área são as seguintes: Philosophical Psychology; Philosophy, Psychiatry & Psychology; Journal of Theoretical and Philosophical Psychology; e Theory & Psychology. Note-se que os dois últimos periódicos mencionados são publicados pela APA. Infelizmente, a anacrônica dispersão temática das revistas brasileiras impede uma análise comparativa, embora se saiba que várias questões de psicologia filosófica vêm sendo discutidas em periódicos nacionais. De qualquer modo, a preocupação brasileira sobre as relações entre psicologia e filosofia aparece em textos na defesa dos métodos qualitativos (Ferreira, Calvoso & Gonzales, 2002), e da subjetividade (Neubern, 2001); na análise das relações entre psicologia, psicanálise e ciência (Bastos, 2001; Pacheco Filho, 1997), ou na justificação epistemológica de que "no lugar da psicologia explicar o social, é o próprio social que deve explicar o surgimento da psicologia moderna" (Silva, 2004, p. 12). 

A apresentação é uma síntese de três diálogos: 1) diálogos com as psicologias dos grandes filósofos; 2) diálogos com a filosofia da ciência; e 3) diálogos com a psicologia filosófica. O primeiro procura esclarecer a concepção de psicológico no pensamento filosófico que vai dos gregos aos primórdios da psicologia experimental. O segundo contrasta o discurso epistemológico das décadas de 1970 e 1980 com o quadro atual neste início do século XXI. O terceiro destaca as principais preocupações e debates da psicologia filosófica nos últimos anos. A apresentação tem limites e espero obedecê-los com humildade. Assim, cabe antecipar que serei sinóptico, privilegiando o global mais do que o específico, e a reflexão pessoal mais do que uma revisão exaustiva da literatura.



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