Reflexões sobre a visão pós-moderna da educaçÃo e os debates de educaçÃo em ciências. Ronaldo Eismann de Castro1, Maria do Rocio Fontoura Teixeira2



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3.1 A visão pós-moderna de educação
Atualmente, os debates pedagógicos que dominam os ambientes acadêmicos ficam muitas vezes presos a argumentações de conteúdo pós-moderno. Segundo essa linha de pensamento, não existe verdades nas elaborações teóricas humanas, mas tão somente interpretações e pontos de vista individuais, todos de mesmo valor. Para alguns intelectuais pós-modernos, as verdades absolutas do passado representam expressões de uma concepção de mundo cartesiana, determinista e autoritária. Debater ou ensinar certezas e verdades científicas é, segundo tal vertente, uma postura essencialmente equivocada e arrogante daqueles que buscam ingenuamente entender a complexidade de nossa existência dentro de limites definidos por uma abordagem determinista. Em essência, esta é a base filosófica pós-moderna que, por vezes, aparece nas elaborações acadêmicas que englobam os debates pedagógicos na atualidade. O pós-modernismo, muitas vezes, repudia as buscas de objetividade na cultura e na ciência clássica se direciona por uma filosofia dominada pelo amplo relativismo.

Os fundamentos do conhecimento desaparecem, e absolutamente tudo se torna relativo: a realidade não passaria de uma criação simbólica, de um produto cultural ou de um discurso social. Todas as interpretações e elaborações devem ser reconhecidas com igual valor. Eis aqui, em essência, o mito pós-moderno com maior impacto sobre os atuais debates pedagógicos.

No entanto, a prática humana demonstra alguns pontos divergentes nesse tipo de raciocínio, mas também a real possibilidade de desenvolvimento do conhecimento científico objetivo e verdadeiro. Pesquisas sociológicas demonstram que, nas famílias em que os pais possuem o gosto pela leitura, esta prática costuma ser incentivada nas crianças, favorecendo o seu desenvolvimento cognitivo. Demonstram também que famílias com nível cultural elevado tendem a monitorar o progresso escolar de seus filhos com muito mais atenção e assumir parte da responsabilidade de sua instrução. Nessas famílias, determinadas práticas culturais são transmitidas aos filhos de modo natural, às vezes involuntariamente, apenas pelo exemplo cotidiano (NOGUEIRA, 1995). Outras famílias, sem a mesma sorte ou sem os mesmos hábitos, costumam deixar para a escola toda a responsabilidade do processo de instrução.

Ainda que a humanidade erga esse gigantesco edifício cultural e científico por aproximações infinitesimais sempre questionáveis e relativas, não há como negar a superioridade do que é considerado ciência e cultura humana. A epistemologia e os fundamentos da educação estão ancorados na racionalidade, no realismo e na objetividade das ciências. Há um abismo que separa o pensamento científico das concepções vulgares do senso comum. Qualquer criança percebe essa grande significação e dá um profundo valor ao conhecimento.

Uma vez que, “O poder simbólico como poder de constituir o, dado pela enunciação, de fazer ver e fazer crer, de confirmar ou transformar a visão do mundo e, desse modo, a ação sobre o mundo [...] (BOURDIEU, 1989, p.14)”.

A comprovação mais cabal da importância e da superioridade das descobertas científicas é o controle e vigilância que existem sobre as diferentes áreas de pesquisa. O monopólio que existe sobre os avanços científicos e sobre as pesquisas de ponta, que resulta sempre em patentes industriais, por si só é a demonstração da falsa equivalência das diversas representações simbólicas.

A milhares de anos, a humanidade sabe que é possível conhecer de forma objetiva as leis da natureza e também as que regem a evolução das sociedades. A história do pensamento humano, apesar de não ser um caminho linear de evolução permanente, representa a busca incessante por tal conhecimento.

Na Educação, a visão relativista pós-moderna tem sido apresentada como uma necessária mudança de paradigma, pois “o mundo moderno, de certeza e ordem, tem sido substituído por uma cultura de incertezas e indeterminação” (GOMES, 2002, P. 2). Edgar Morin é taxativo: “navegar em um oceano de incertezas, através de arquipélagos de certezas” (MORIN, 2015, p. 51).

Este pensamento pós-moderno sobre as incertezas e sua relação com a construção do conhecimento científico está, assim, a serviço de um relativismo cujo conteúdo mais profundo é o de tornar equivalentes algumas formas de pensamento.

Analisando a visão relativista, e pós-modernista é preciso fazer um contra ponto à pedagogia tradicional reinante, às vezes, em sala-de-aula. É fundamental, a necessidade de diálogo e de respeito dos professores pelos pontos de vista divergentes.

Tal debate assume contornos caricaturais. É preciso considerar as realidades enfrentadas pelos professores e, especialmente, suas experiências concretas, para que possamos achar um equilíbrio metodológico no processo de ensino. Legiões de especialistas aconselham e orientam os educadores a se portarem diante das novas realidades e das novas gerações. Reclamam da incompreensão geral que os professores demonstram com seus alunos. Criticam a suposta acomodação e falta de atualização profissional e se lamentam por toda essa situação desesperadora. Em particular, as metodologias e avaliações escolares consideradas tradicionais, normativas e punitivas tem sido o alvo preferido das críticas dos intelectuais pós-modernos.

O pós-modernismo cumpriu um papel de auxiliar ideológico de inúmeras reformas educacionais, muitas vezes tentando levar em consideração a vida, a experiência docente e a dinâmica das instituições escolares. Porém, mediante toda a complexidade deste processo, nem sempre é possível fazer todas essas considerações de maneira equilibrada e constante.




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