Reflexões sobre a visão pós-moderna da educaçÃo e os debates de educaçÃo em ciências. Ronaldo Eismann de Castro1, Maria do Rocio Fontoura Teixeira2



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1 INTRODUÇÃO



Sob todos os aspectos, o debate sobre educação é extraordinariamente complexo. Educar engloba um conjunto de ações direcionadas a um amplo espectro etário tanto de formação quanto de desenvolvimento do ser humano e ainda encerra muitos elementos causais e fenômenos contraditórios. Para compreender essas distintas conexões, com o rigor científico, é necessário que haja uma interlocução de diversos campos de pesquisa, tais como a epistemologia, psicologia, neurologia, pedagogia, sociologia, biologia, epistemologia genética, psicologia cultural, etnografia, linguística, psicologia evolutiva, teorias de aprendizagem, antropologia, entre outros.

As consecutivas transformações pelas quais o ser humano passa da infância à fase adulta e as diferentes maneiras de ele se relacionar com a cultura e o conhecimento são tantas e tão complexas que tornam o tema educacional um enigma, fonte de confusão e crises. Ignorar as diferenças e as alterações do modo concreto como o ser humano aprende e se desenvolve, ao longo da vida, leva a posicionamentos dogmáticos, inflexíveis, que são incapazes de compreender a verdadeira natureza dos dilemas pedagógicos. Por desconhecimento, julga-se atingir conclusões universais sobre educação, a partir de experiências limitadas a um determinado tempo e espaço.

É importante lembrar que educar é um ato social que reflete as brutais contradições e lutas sociais. As diferentes classes sociais exibem distintos interesses, muitas vezes, opostos à busca da mobilidade social. Fato esse que abala diretamente o processo educativo em nossa sociedade. Em tese, a educação apresenta como objetivo – independentemente de classe social – formar, em sentido amplo os seres humanos, propiciando condições de largo acesso ao conhecimento universal, desenvolvido pela humanidade.

A educação, fundamentada na Constituição Federal, e amparada por princípios que buscam uma sociedade mais justa, é direito de todos, dever do Estado e da família, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (artigo 205 da Constituição Federal). O artigo 205 da Constituição Federal dispõe que:


A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 2007).
Porém, na prática, as desigualdades sociais condicionam a totalidade do processo educacional, o perfil das instituições escolares, o currículo, a natureza da relação professor-aluno e, ainda, as relações entre os próprios alunos.

O monopólio do conhecimento existente na sociedade industrial impede uma verdadeira democratização do ensino e leva a uma fragmentação que tende a limitar os indivíduos a uma simples especialidade, a uma simples operação, tornando-os mais dependentes e menos capazes de entender os processos sociais em sua totalidade. Ignorar que a escola está inserida no mesmo contexto de reprodução da divisão social do trabalho é um grande passo para a mistificação do papel da educação, dos educadores e das ferramentas educativas.

Os debates sobre educação em ciências e sobre rendimento escolar não fogem dessa complexidade. Este processo requer a união de uma série de fatores que muitas vezes são ignorados ou apresentados de maneira perfunctória aos educandos ao longo de todo o processo de escolarização. Muitas vezes as vitórias ou fracassos escolares são vistos como consequências diretas e exclusivas das metodologias de ensino e dos critérios de avaliações adotados pelas escolas e por seus professores. Evidentemente não podemos creditar o fracasso escolar somente para o professor, ou somente para o aluno. São diversos fatores preponderantes que influenciam nesse contexto.

Nesta perspectiva WEISS afirma que:

[...] considera-se como fracasso escolar uma resposta insuficiente do aluno a uma exigência ou demanda da escola. Essa questão pode ser analisada e estudada por diferentes perspectivas: a da sociedade, a da escola e a do aluno (2007, p. 16).

Tal demanda ainda está muito distante de ter seus elementos fundamentais claramente compreendidos, apesar da avalanche de posicionamentos divulgados nos meios de comunicação e nas próprias instituições educacionais. No Brasil, opinar sobre educação tornou-se um esporte nacional, e o resultado mais evidente deste debate tem sido, infelizmente, por vezes a responsabilização única dos educadores pelos fracassos indicados sucessivamente em inúmeros padrões de mensuração de desempenho educacionais.




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