Questões sobre psicologia do desenvolvimento



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4. ESTIMULAÇÃO AMBIENTAL
Observações recentes mostram que à medida que a criança recebe mais e mais estimulação do ambiente, seu cérebro também se organiza lentamente, ou seja, os neurônios começam a trabalhar em grupos, formando unidades, possibilitando formas de aprendizagem mais complexas.

Além de mudanças estruturais, de mudanças no tamanho das células e no diâmetro dos vasos sangüíneos que irrigam o córtex, a estimulação ambiental causa também mudanças químicas no cérebro, que influenciam na habilidade para aprender e para resolver problemas. Essas afirmações parecem ser confirmadas pelos resultados de comparação e análise dos cérebros de dois grupo de ratos. Um grupo de doze ratos foi criado num ambiente estimulante: gaiolas providas de escadas e rodas em movimento, das quais eram tirados diariamente para que pudessem explorar novos lugares e prender algumas tarefas. O outro grupo, também de doze ratos semelhantes, foi criado em ambiente extremamente monótono. Viviam sozinhos em gaiolas, no escuro, e nunca se permitia que saíssem para explorar regiões fora da gaiola. Todos os animais, porém, recebiam a mesma alimentação.

Após 3 meses, todos os ratos foram sacrificados e seus cérebros analisados quanto à forma e à constituição química. Os cérebros dos ratos criados em ambiente estimulante tinham o córtex (matéria cinzenta) maior e mais pesado que o dos outros. Quimicamente também eram diferentes, pois possuíam, em maior quantidade, uma enzima que facilita as transmissões neurais.

Fizeram-se outras investigações semelhantes a esta, comparando ninhadas de animais (ratos e cães) criados em gaiolas, no laboratório, com outros semelhantes criados como animais de estimação em casas de família. O desenvolvimento dos animais criados em casas de família superou muito o dos animais criados em laboratório.

Essa diferença foi bem maior no caso dos cães do que no dos ratos. Parece que, quanto mais elevada for, na escala zoológica, uma espécie animal, mais ela se beneficiará de um ambiente inicial enriquecido.

Além do sistema nervoso, os aparelhos sensoriais também necessitam de estimulação ambiental para se desenvolverem apropriadamente. Por exemplo: no aparelho visual, os neurônios da retina serão danificados se não receberem estimulação, como se verificou com animais criados em locais completamente escuros.

Essas descobertas são as bases biológicas para as conclusões de que a experiência inicial (ou estimulação precoce) é importantíssima para o desenvolvimento de comportamentos.

Assim, o nível de inteligência que atingimos quando adultos não é determinado apenas pela hereditariedade, mas depende, em grande parte, de nossa estimulação precoce que recebemos do ambiente.





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