Questões sobre psicologia do desenvolvimento



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7.3 A escola

A escola desempenha um papel menor que o do lar na moldagem da personalidade da criança. A espécie de escola que elas freqüentam e o tipo de professores que têm influenciam consideravelmente seu crescimento intelectual, emocional e social.

Mark A. May e Leonard Doob observaram que a competição básica de nossa cultura é promovida nas escolas pelos exames, pela classificação dos alunos, pelo tratamento preferencial e pelas competições esportivas.


8.AUTOCONCEITO
Autoconceito é a avaliação que o indivíduo faz de si mesmo, segundo suas experiências. A formação do autoconceito é um processo lento, que se desenvolve a partir das experiências pessoais da criança e da reação dos outros ao seu comportamento inicial. A maneira como os outros reagem ao seu comportamento, aprovando-o ou desaprovando-o, determina o tipo de autoconceito que a criança desenvolverá.

As pessoas que afetam o tipo de autoconceito que a criança desenvolve são, geralmente, os adultos significativos, importantes em sua vida: os pais, os professores e outros adultos em posição de autoridade e que, por isso, exercem algum controle sobre a criança e cujas opiniões ela respeita. Ressalte-se: depende muito dos adultos o conceito que a criança faz de si mesma. Exemplos: a) se a mãe, ao ensinar a criança pequena, irrita-se com ela, castigando-a por seus erros ou rejeitando-a, acentuam-se seus aspectos “maus”: a criança acaba tomando consciência de que é realmente “má”; b) a criança censurada pelo professor por “falta de inteligência” começa a sentir-se incapaz de aprender; c) os pais que chamam seu filho de fracassado, provavelmente ele incorporará essa idéia em seu autoconceito.

Atribuindo a uma criança um rótulo, freqüentemente o adulto “força” a criança a viver de acordo com o modelo que a rotulou. Os adultos devem evitar termos como mentiroso, irresponsável, preguiçoso e outros. Esses rótulos não eliminam o comportamento negativo e podem até ser uma maneira de perpetuá-lo. Devem buscar acentuar os aspectos positivos da criança, ressaltar o fato de que confiam em seu êxito, assim poderão obter mais da criança, conduzindo-a por meio de elogios (o que aprecia e não o que compara ou condescende), em vez de destruí-la. Ao fazer críticas ou elogios, deve-se referir aos atos da criança e não à sua personalidade ou ao seu caráter. E mais do que falar pontualmente (“Você é uma boa menina”) avaliar ou julgar, preferir descrever o que ela fez por meio de palavras de reconhecimento que permitam a criança tirar sua própria conclusão.

Como conseqüência, temos que o autoconceito é a causa central do que uma pessoa faz ou deixa de fazer. Ex: a) a criança que sempre foi tida como a “boa aluna” não se permite fazer um mau trabalho, pois assim entraria em conflito com seus valores dominantes; b) a pessoa que se tem como um ser moral e correto certamente tentará agir de acordo com seu autoconceito, pois do contrário sofrerá sentimentos de desvalia e culpa.

Temos uma forte tendência em preservar o autoconceito que formamos e, por isso, muita vezes nos defendemos das coisas que ameaçam mudá-lo e que são contrárias a ele.

Carl Rogers observou que as pessoas se tornam defensivas em relação às experiências que não são coerentes com o seu autoconceito. Este processo defensivo é chamado de negação ou distorção da experiência. Ex: a) o jovem que tem o autoconceito de sempre ser o ótimo aluno tem dificuldades em aceitar a reprovação em um exame, o que poderia provocar verdadeira ansiedade, por isso ele geralmente nega ou distorce a realidade, buscando justificativas para minimizar essa derrota.

Esse comportamento defensivo é prejudicial à auto-realização. Para que a pessoa não emita mais esse comportamento é necessário mudanças que tornem seu autoconceito mais compatível com suas experiências, ser mais flexível aos erros e não se punir quando seu autoconceito não condiz com a realidade.



Agora, só para descontrair, mas repensando sobre nossas práticas culturais e o que elas podem estimular desde tenra idade. (e-mail recebido – autor anônimo, mas não deixa de ser algo para pensarmos)
Eu, uma brasileira morando nos Estados Unidos da América, para ajudar no orçamento. Estou fazendo "bico" de babá e estudante.

Ao cuidar de uma das meninas de quem eu "teoricamente" tomo conta, uma vez cantei "Boi da cara preta" para ela, antes dela dormir. Ela adorou e essa passou a ser a música que ela sempre pede para eu cantar ao colocá-la para dormir.

Antes de adotarmos o "boi, boi, boi" como canção de ninar, a canção que cantávamos (em Inglês) dizia algo como: "Boa noite, linda menina, durma bem. Sonhos doces venham para você, Sonhos doces por toda noite"... (Que lindo, né mesmo!?)

Eis que um dia Mary Helen me pergunta o que as palavras em português a música "Boi da cara preta" queriam dizer em Inglês:

"Boi, boi, boi, boi da cara preta, pega essa menina que tem medo de careta..." (???)

Como eu ia explicar para ela e dizer que, na verdade, a música "boi da cara preta" era uma ameaça, era algo como "dorme logo, senão o boi vem te comer"?

Como explicar que eu estava tentando fazer com que ela dormisse com uma música que incita um bovino de cor negra a pegar uma cândida menina?

Claro que menti para ela, mas comecei a pensar em outras canções infantis, pois não me sentiria bem ameaçando aquela menina com um temível boi toda noite...

Que tal "nana neném que a cuca vai pegar..."?

Caramba... outra ameaça!

Agora com um ser ainda mais maligno que um boi preto!

(agora vem a parte exagerada do texto) Depois de uma frustrante busca por uma canção infantil do folclore brasileiro que fosse positiva e de uma longa reflexão, eu descobri toda a origem dos problemas do Brasil. O problema do Brasil é que a sua população em geral tem uma auto-estima muito baixa. Isso faz com que os brasileiros se sintam sempre inferiores e ameaçados, passivos o suficiente para aceitar qualquer tipo de extorsão e exploração, seja interna ou externa.

(agora, de volta a parte mais plausível do texto)

Por que isso acontece? Trauma de infância!

Trauma causado pelas canções da infância.

Vou explicar: Nós somos ameaçados, amedrontados e encaramos tragédias desde o berço! Por isso levamos tanta “porrada” da vida e ficamos quietos.

Exemplificarei minha tese:
"Atirei o pau no gato-to-to

Mas o gato-to-to não morreu-reu-reu.

Dona Chica-ca-ca admirou-se-se

Do berrô, do berrô que o gato deu Miaaau!"


Para começar, esse clássico do cancioneiro infantil é uma demonstração clara de falta de respeito aos animais (pobre gato) e crueldade. Por que atirar o pau no gato, essa criatura tão indefesa? E para acentuar a gravidade, ainda relata o sadismo dessa mulher sob a alcunha de "D.Chica". Uma vergonha!
"Eu sou pobre, pobre, pobre, De marré, marré, marré.

Eu sou pobre, pobre, pobre, De marré de si.

Eu sou rica, rica, rica, De marré, marré, marré.

Eu sou rica, rica, rica, De marré de si."

Colocar a realidade tão vergonhosa da desigualdade social em versos tão doces!!

É impossível não lembrar do seu amiguinho rico da infância com um carrinho cabuloso, de controle remoto, e você brincando com seu carrinho de plástico... Fala sério!!!!


"Vem cá, Bitu! Vem cá, Bitu! Vem cá, meu bem, vem cá!

Não vou lá! Não vou lá, Não vou lá!

Tenho medo de apanhar."

Quem é o adulto sádico que criou essa rima? No mínimo ele espancava o pobre Bitú.


"Marcha soldado, cabeça de papel!

Quem não marchar direito, Vai preso pro quartel."

De novo: ameaça. Ou obedece ou você vai ...

Não é a toa que brasileiro admite tudo de cabeça baixa...


"A canoa virou, Foi deixar ela virar,

Foi por causa da (nome de pessoa) que não soube remar."

Ao invés de incentivar o trabalho de equipe e o apoio mútuo, as crianças brasileiras são ensinadas a dedurar e condenar um semelhante.

"Samba-lelê tá doente,

Tá com a cabeça quebrada.

Samba-lelê precisava

É de umas boas palmadas."

A pessoa, conhecida como Samba-lelê, encontra-se com a saúde debilitada, necessita de cuidados médicos mas, ao invés de compaixão e apoio, a música diz que ela precisa de palmadas!

Acho que o Samba-lelê deve ser irmão do Bitú.
"O anel que tu me deste

Era vidro e se quebrou.

O amor que tu me tinhas

Era pouco e se acabou..."

Como crescer e acreditar no amor e no casamento depois de ouvir essa passagem anos a fio?
"O cravo brigou com a rosa

Debaixo de uma sacada;

O cravo saiu ferido

E a rosa despedaçada.

O cravo ficou doente,

A rosa foi visitar;

O cravo teve um desmaio,

A rosa pôs-se a chorar."

Desgraça, desgraça, só desgraça!!! E ainda incita a violência conjugal

(releia a primeira estrofe).


Precisamos lutar contra essas lembranças, meus amigos!!!

Nossos filhos merecem um futuro melhor!!!








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