Questões sobre psicologia do desenvolvimento


Identidade de gênero = senso de ser homem ou mulher biologicamente



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Identidade de gênero = senso de ser homem ou mulher biologicamente.


Tipificação sexual = aquisição de comportamentos e características que uma cultura considera apropriados ao sexo.
Por volta dos 3 anos de idade, tanto os meninos quanto as meninas já desenvolveram uma identidade de gênero – isto é, uma garotinha sabe que é uma menina e um garotinho já sabe que é um menino. A essa altura, no entanto, as crianças compreendem bem pouco o que isso significa. Um garoto de 3 anos pode pensar que vai crescer e ser mãe, ou que se alguém trajá-lo com um vestido e colocar um laço em seu cabelo ele passará a ser uma garota. Aos 4 ou 5 anos de idade, a maioria das crianças já sabe que o gênero depende do tipo de genital que se tem (Bem, 1989). Elas já têm o que se chama de constância de gênero, a percepção de que o gênero não pode ser mudado.

Ainda bem jovens, as crianças também começam a adquirir a consciência do papel do gênero, que é o conhecimento de quais comportamentos são esperados de homens e mulheres, em sua sociedade (Lewin, 1996). Como resultado, elas desenvolvem os estereótipos de gênero, isto é, crenças extremamente simplificadas sobre como são o homem e a mulher “típicos” (tipificação sexual). Presume-se que as garotas sejam limpas, elegantes e cuidadosas, ao passo que os garotos devem gostar de atividades agitadas, ruidosa e físicas; as mulheres são gentis, carinhosas e emocionais, ao passo que os homens são fortes, dominantes e agressivos. Existe bastante coerência entre as culturas com relação aos estereótipos de gênero que as crianças desenvolvem (Williams e Best, 1990). Isso acontece, em parte, porque os papéis de gênero tendem a ser semelhantes em diferentes culturas e porque os estereótipos tendem a “combinar” com as tarefas que se consideram adequadas para cada sexo.

Ao mesmo tempo em que as crianças discriminam qual o seu papel de gênero, elas também desenvolvem seu próprio comportamento determinado pelo sexo: as meninas brincam com bonecas e os meninos com carrinhos; as meninas vestem roupas bonitas e se preocupam com os cabelos, e os meninos correm de um lado para o outro e brigam uns com os outros. Embora as diferenças de comportamento entre meninos e meninas sejam pequenas na infância, à medida que as crianças crescem tais diferenças se acentuam (Prior, Smart, Sanson e Oberklaid, 1993). Os garotos se tornam mais ativos e fisicamente agressivos e tendem a brincar com grupos maiores. As garotas conversam mais, brigam menos e tendem a interagir aos pares.

Pelo fato de as diferenças relacionadas ao gênero referentes aos estilos de interação se manifestarem muito cedo no processo de desenvolvimento (até mesmo antes dos 3 anos de idade), Eleanor Maccoby, uma especialista nessa área, acredita que elas têm origem biológica, ao menos em parte. Algumas evidências sugerem que a exposição pré-natal a hormônios exerce um importante papel (Collaer e Hines, 1995). Entretanto Maccoby acredita que as diferenças baseadas na biologia são pequenas a princípio e, mais tarde, se tornam acentuadas em virtude dos diferentes tipos de socialização vividos por garotos e garotas. Ela sugere que muitos dos comportamentos típicos de cada gênero são resultado do fato de as crianças brincarem com outras do mesmo sexo (Maccoby, 1998). Indiscutivelmente, a cultura popular, especialmente a mostrada na televisão, também influencia as normas de comportamentos adequados de gênero que se desenvolvem nos grupos de iguais das crianças. E os pais também podem, às vezes, incentivá-los especialmente durante momentos de transições essenciais da vida da criança quando os pais acham que é melhor que ela se comporte de maneiras mais estereotipadas segundo o sexo (Fagot, 1994). O resultado final é um comportamento substancialmente determinado pelo sexo já na metade da infância. As pesquisas a respeito desse tema continuam sendo realizadas, mas é crescente o consenso de que tanto a biologia quanto a experiência de vida contribuem para as diferenças de gênero no comportamento (Collaer e Hines, 1995).




  • Teoria psicanalítica:

Sigmund Freud foi o primeiro psicólogo a tentar oferecer um relato abrangente da identidade de gênero e tipagem sexual e desenvolveu uma teoria de estágios do desenvolvimento sexual.

De acordo com Freud, o processo de formação de uma identidade de gênero e de tipificação sexual começa com a descoberta das diferenças genitais entre os sexos (por volta dos 3 anos, no início do estágio fálico do desenvolvimento psicossexual) e termina com a identificação da criança com o membro parental do mesmo sexo (resolução do complexo de Édipo). Esta teoria não possui evidências empíricas que a apóiam.




  • Teoria da aprendizagem social:

Salienta tanto as recompensas que as crianças recebem por comportamentos apropriados, quanto as punições por comportamentos inapropriados ao sexo, e os modos como as crianças aprendem o comportamento sexual típico através de sua observação dos adultos.

Há muitas evidências corroborando que realmente os pais recompensam e punem diferencialmente os comportamentos relacionados ao sexo, bem como servem como os primeiros modelos de comportamento masculino e feminino para seus filhos.

Os pais parecem preocupar-se mais com o comportamento típico ao sexo do que as mães, particularmente com seus filhos. Os pais preocupam-se menos quando suas filhas engajam-se em jogos “masculinos”, mas ainda mostram mais desaprovação do que as mães.

Além dos pais, as próprias crianças são os reais “sexistas”. Os meninos, em particular, criticam outros meninos quando os vêem engajados em atividades de “meninas”. As meninas não parecem objetar a outras meninas que brincam com brinquedos de “meninos” ou se engajam em atividades masculinas. Os tabus em nossa cultura contra o comportamento feminino para meninos são mais fortes do que aqueles contra o comportamento masculino para meninas.

Além das influências dos pais e companheiros, os livros infantis e os programas de televisão exercem um papel importante na promoção do estereótipo do papel sexual.


  • Teoria cognitiva:

Os teóricos cognitivos defendem a idéia de que a tipificação sexual inicia-se muito antes da emergência da identidade de gênero. Portanto, as crianças começam a mostrar preferências por companheiros do mesmo sexo e atividades lúdicas típicas do sexo quando estão com apenas 2 anos de idade, bem antes de desenvolverem qualquer consciência conceitual de que essas ações estão correlacionadas com o sexo (Jacklin & Maccoby, 1978)..

O motivo para comportar-se consistentemente com a própria identidade de gênero leva as crianças a se comportarem de modos apropriados ao sexo.

O entendimento de que o sexo de uma pessoa permanece o mesmo apesar das mudanças na idade e aparência é chamado de constância do gênero.

As crianças pré-operacional ignoram mudanças na aparência visual, o que sugere que a constância de gênero em uma criança pode depender de seu entendimento de ser homem ou mulher. O que um adulto sabe sobre sexo que as crianças não sabem? “Genitália”. Para todas as finalidades práticas, a genitália constitui o aspecto definidor essencial de ser homem ou mulher.




  • Teoria do esquema do gênero

A cultura ensina a criança que a distinção entre homem e mulher é tão importante que deve tornar-se um conjunto de lentes para observar-se todas as coisas. A todo momento, a criança é encorajada a observar o mundo através das lentes do gênero, e são essas as lentes do esquema de gênero (teoria de tipificação sexual).

As crianças tornam-se tipificadas sexualmente porque o sexo é o principal foco em torno do qual sua cultura escolhe organizar sua visão da realidade. Se a cultura tornar-se menos tipificada quanto ao sexo, em sua ideologia, as crianças se tornarão menos tipificadas em relação ao sexo, em seus comportamentos e autoconceitos.







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