Questões sobre psicologia do desenvolvimento


Comportamento Social inicial



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Comportamento Social inicial

Teoria do Vínculo Afetivo - Apego
As experiências durante os primeiros anos de vida são delicadas para um bom desenvolvimento social da criança.

A maioria dos autores vê o primeiro sorriso da criança como sua primeira ação social. Quando um bebê sorri – lembrando que o sorriso é uma resposta inata, uma vez que os bebês de todo o mundo, inclusive os cegos de nascença, começam a sorrir na mesma idade - e arrulha para os pais, eles o acariciam, sorriem e vocalizam, reforçando uma resposta ainda mais entusiasmada pelo bebê. Um sistema mútuo de reforço da interação social é, portanto, estabelecido e mantido.

Outro comportamento social observado por vários estudiosos é a ansiedade de separação ( medo do oitavo mês), como é chamado o comportamento de choro apresentado pelo bebê quando a pessoa por quem é sempre cuidado se afasta de seu campo de visão.

A ansiedade frente a estranhos também é uma resposta distintiva do bebê, e esta resposta aumenta dramaticamente de cerca de 8 meses até 1 ano de idade.


Os primeiros estudos sobre a ligação afetiva foram publicados pelo psiquiatra inglês John Bowlby e pelo francês René Spitz, e mostraram um impressionante comprometimento nas reações psicológicas e físicas das crianças separadas de seus pais quando muito jovens.

Para Bowlby (1973), o fracasso para formar apego seguro com uma ou algumas pessoas nos primeiros anos de vida está relacionado com uma incapacidade para desenvolver relacionamentos pessoais íntimos na idade adulta.

René Spitz descreveu a grande importância para o desenvolvimento do bebê da presença e dos cuidados constantes da mãe (ou de sua substituta). Ele observou que bebês criados em instituições, mesmo tendo boa alimentação e cuidados higiênicos adequados, têm menor resistência a enfermidades e desenvolvimento mais lento que bebês criados com a família, apresentando ainda outros prejuízos em seu desenvolvimento sócio-emocional.

O bebê que é atendido prontamente em suas necessidades, que é alimentado, banhado e vestido sempre com carinho, desenvolverá confiança em sua mãe, e, mais tarde, os outros. Essa confiança se manifestará em maneiras amistosas de aproximar-se de outras pessoas.



Ao contrário, se o bebê não for pronta e eficientemente atendido em suas necessidades, se for negligenciado por sua mãe, desenvolverá um sentimento de desconfiança para com ela e, por generalização, para com as outras pessoas.
Apego é a tendência de um bebê para buscar a proximidade com determinadas pessoas e a sentir-se mais seguro em sua presença. O experimento clássico para ilustrar a questão do apego foi realizada com bebês- macacos:



Experimento de Harry Harlow (Universidade de Wisconsin) que observou filhotinhos de macacos rhesus sob diferentes condições de criação. Num de seus estudos, ele deu a dois grupos de macaquinhos dois tipos de “mãe substituta”. Um grupo foi criado por uma “mãe” de pano, quente e macia, e outro com uma “mãe” de arame, fria e áspera. Ambas as mães tinham capacidade de fornecer leite, mas apenas uma delas fornecia estimulação tátil agradável.

Os resultados mostraram que, não importando que mãe oferecesse o alimento, o bebê-macaco passava seu tempo agarrado à mãe forrada com tecido. Este apego do bebê-macaco à sua mãe, portanto, é uma resposta inata a certos estímulos que ela oferece, como calor, balanço e alimento que são importantes, mas o conforto parece ser o atributo mais importante, para as macacos.

Quando adultos, os bebês da “mãe” de arame manifestaram comportamento estranho: foram incapazes de se acasalar, de explorar objetos desconhecidos e apresentaram muitos comportamentos que lembravam esquizofrenia. Por outro lado, os bebês da “mãe” de pano eram capazes de enfrentar situações estranhas e aterradoras e demonstraram habilidade em dominar seu ambiente.

Quando em situações de medo diante de estímulos novos, os macacos correm e se abraçam à mãe de pano e depois voltam a explorar os estímulos ou ambiente novos, ao passo que a mãe de arame não tem esse efeito de dar segurança.







Estímulo apresentado aos bebês macacos para eliciar o medo. Ao apresentar este estímulo, eles corriam em direção a mãe de pano.





Resposta no teste de exploração ambiental em campo aberto na ausência da mãe substituta.

Para os psicólogos behavioristas a ligação afetiva entre mãe e bebê se baseia, assim como os psicanalistas, na redução da fome, porém para eles, a criança gosta da mãe (estímulo neutro) porque esta fica associada com o leite e a redução da fome. A criança aprende, pelo condicionamento clássico, a gostar da mãe (estímulo repetidamente emparelhado com o leite). Outros behavioristas explicam a aprendizagem da ligação afetiva pelo condicionamento operante, isto é, a mãe fornece reforços positivos à criança e remove os reforços negativos.

Algumas pesquisas mostram que bebês criados em orfanatos (e que são cuidados por várias pessoas) não “estranham” pessoas desconhecidas.

Nota-se que os bebês com maior manifestação de ligação afetiva são aqueles cujas mães interagem muito com eles: falando, brincando, levando-os a passear.





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