Psicologia no caps: as atividades vivenciadas em estágio relato de experiência



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PSICOLOGIA NO CAPS: AS ATIVIDADES VIVENCIADAS EM ESTÁGIO - RELATO DE EXPERIÊNCIA.

Iakissodara Emille Gomes da Costa - FLF1

Francisco Gilmário Rebouças Júnior2


Resumo
Este estudo foi realizado a partir de uma experiência de estágio em psicologia com ênfase na saúde, estágio esse que compõe a grade curricular do Curso de Psicologia da Faculdade Luciano Feijão - FLF. As atividades de estágio ocorriam em uma unidade do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) em Sobral, Ceará (CE) supervisionado por um professor orientador e uma preceptora dentro do campo de estágio a qual era acompanhada todas as suas atividades dentro da instituição. As atividades desenvolvidas era a atuação da profissional como Técnico de Referência, participação dos Matriciamentos em Centro de Saúde da Família (dividindo-se por áreas – Macro), Acolhimento, Atendimentos Individuais, Triagem, participação em Grupos Terapêuticos e participação em Reuniões semanais chamada de “Roda” onde discutiam casos da semana e proposta de melhor atendimento e funcionamento do serviço. O estágio ocorreu no primeiro semestre do ano de 2016, nos meses de fevereiro a junho, onde nesse período o aluno inseriu-se na instituição participando de algumas das atividades realizadas lá, sempre acompanhada pela preceptora e a partir de seu olhar deveria desenvolver um Projeto de Intervenção que concluiria a primeira fase do estágio e a aplicação do mesmo virá a ser no segundo semestre do ano vigente finalizando assim a experiência de estágio com ênfase na saúde. O referido estágio deu-se no CAPS II Damião Ximenes Lopes (CAPS Geral), atualmente sediado na Rua Maestro José Pedro, 275 – Centro, Sobral-CE, com duração de 160h de atividades divididas em praticas no local de estágio, supervisão junto ao professor orientador e leituras direcionadas para a atuação no serviço, porém a carga horaria de atividade foi além do previsto comtemplando 166 horas de atividade, onde tive a oportunidade de vivenciar o cotidiano desse serviço de atenção e cuidado à saúde mental, pude perceber o desenvolver das atividades pelos diversos profissionais que atuam no serviço e não apenas o fazer do psicólogo, ou seja, pude observar e participar da dinâmica interdisciplinar atuante no serviço. Juntamente com a psicóloga, participei de todas as atividades que a mesma realizava como suas atividades como Técnico de Referência, participei indiretamente de seus Atendimentos Individuais (não estando presente no horário do atendimento, mas discutindo a queixa do paciente), participei do Acolhimento, recebendo os pacientes que procuram o serviço e eram as atividades mais intensas por que sempre passava do horário, participei dos Matriciamentos em Centros de Saúde que pertencem a macro área da qual era responsável, participei da Politica Preventiva ao Suicídio a partir de notificações que chegam a coordenação e que são distribuídos por macro áreas, participei também da Triagem em Psicologia, onde a parti da escuta qualificada é feito encaminhado a outros serviços ou direciona a outros profissionais dentro do CAPS e participei de grupo formados dentro do serviço, além de ir a algumas reuniões semanais para discussão de casos e elaboração de melhores estratégias de funcionamento do serviço. Todas as atividades realizadas durante o estágio me vez refletir e ter um olhar mais crítico sobre o fazer do psicólogo dentro do contexto da Saúde Mental e no próprio Sistema de Saúde. A participação em Grupos Terapêuticos como o Grupo de Mulheres me fez entrar em contato direto com usuárias do serviço e suas fragilidades, dificuldades e esforço para estarem frequentando aquela atividade tão prazerosa. Os encontros são ministrados pela Terapeuta Ocupacional (TO) e pela Psicóloga Residente em Saúde Mental que não mediram esforços para que pudesse participar das atividades e contribuir quando necessário no grupo a partir de um planejamento pré-estabelecido em equipe. O grupo em sua maioria é formado por senhoras que foram encaminhadas por outros profissionais do serviço como forma de ajudar em seus tratamentos, lá são realizadas oficinas de arte, de beleza, de culinária e palestras informativas para que todas saiam bem do grupo. Apesar de não está presente em todas as Reuniões da equipe a “Roda” sempre via a postura determinada e com desejo de melhora que os profissionais têm com o serviço e seu esforços em cuidar do bem estar dos usuários e de todo o grupo que se propõem a realizar as ações. Os matriciamento ou Matriciamento ou Apoio Matricial conforme explica Gastão (2007) trata-se de uma nova metodologia usada de modo a produzir saúde em duas ou mais equipes a partir de construções e/ou discussões compartilhadas para que possa ser criada uma proposta de intervenção pedagógica-terapêutica. Nesse sentido, os profissionais do CAPS saem do serviço e direcionam-se a Unidades Básicas de Saúde (UBS) de bairros conforme delimitados por suas áreas de referência e lá juntamente com a equipe de saúde da UBS discutem casos, realizam atendimentos coletivos e juntos fazem as devidas intervenções ou encaminhamentos em prol da melhoria do paciente. Participei de alguns matriciamentos e sai de lá motivada, vendo que com o diálogo é possível tirarmos vantagens favoráveis ao cuidado com o outro, pois cada casos levados ao matriciamente fazia com que a equipe elaborasse meios que o paciente pudesse melhorar ou sair daquele quadro severo que se encontrava atualmente e para isso era marcado visitas domiciliares, fazia-se necessário a participação da família, participação da agente comunitária que mais do que ninguém já possuía vinculo com aquele grupo familiar, e quando necessário já entravam em contato direto com outros serviços como CREAS, CAPS, Conselho Tutelar, Escolas e outros. A Triagem era outra atividade realizada pela psicóloga e nessa atividade contava com a participação do residente em Saúde Mental onde realizam a triagem a partir dos encaminhamentos feitos por outros profissionais do serviço. Nesse processo de triagem, será feito uma avaliação para discutir se o paciente precisa de psicoterapia ou se é mais viável encaminha-lo para outros serviços dentro da instituição, como grupos, massoterapia (no CAPS AD e agora no Geral também), ou se seria mais viável encaminhar seu caso para o Técnico de Referencia de sua área e aprofundar discussão e cuidado. Nos acolhimentos que participei ocorriam todas as quartas-feiras no período da manhã, sendo que na primeira quarta-feira de cada mês antes do inicio do acolhimento havia a assembleia dos usuários. Na definição dada pelo Ministério da Saúde a assembleia pode ser entendida como um instrumento facilitador e de importante relevância para o bom funcionamento dos CAPS, pois a partir delas estão presentes os usuários (atores principais), profissionais, técnicos e convidados que se propõem a discutir e propor rumos ao que se é exposto como tema do mês. Os acolhimentos ocorrem no serviço diariamente para suprir a demanda que chega ao serviço que muitas vezes vem pela primeira vez. Dentro da Saúde Pública, o Acolhimento é dito como um dispositivo que pode ser interventor, pois a partir da escuta qualificada e tratamento humanizado dos profissionais com usuários dali se pode direciona-lo a sua real necessidade dentro ou fora da instituição. Todo profissional pode ficar em acolhimento, porém o mesmo precisa de um suporte de ajude nas devolutivas para os pacientes e para isso faz-se necessário à presença de psiquiatras para que possa avalia-los e seguir o processo, seja de atendimento, medicação ou internação. Durante os dias que estive presente no acolhimento percebi a dificuldade de inúmeros fatores como falta desse suporte médico para avaliar os pacientes recém-chegados no serviço e já providos de necessidade de acompanhamento, fazendo com que o acolhedor do dia desloca-se dos atendimentos e ligasse ao setor de psiquiatria do Hospital Dr. Estevam em busca de auxiliou de algum medico presente no momento, outra dificuldade era a de locomoção, a falta do carro no serviço para encaminhar possíveis usuários ao hospital para serem avaliados. Apesar de ser somente um dia e em um período desse dia (quarta-feira/manhã) a falta de psiquiatra no CAPS está descumprindo a Portaria 336/2002 do Ministério da Saúde que diz entre outras coisas, uma equipe-mínima diariamente no serviço, e pensando em contribui com a instituição irei questionar e propor um projeto de intervenção que possa contribuir na organização do acolhimento. Ao presenciar esses dias de acolhimento percebi a importância de se estudar esse tema acolhimento, pois dentro da saúde não só o psicólogo, mas os outros profissionais da área da saúde também preenchem horas em acolhimento e essa atividade deve ser mais bem articulada. Os CAPS, assim como os demais outros serviços de saúde apresentam procuras numerosas, estando às equipes já sobrecarregadas abre-se uma lacuna naquelas informações mais básicas que fogem a nossos estudos por sua simples resolutividade. Ou seja, a carga de trabalho já excedida, os profissionais não buscam mais informação a cerca do tema acolhimento e partindo desse principio de mais informação, nova organização irei propor um projeto de intervenção sobre o tema acolhimento no CAPS. O objetivo do Projeto de Intervenção é trabalho e qualificar mais os profissionais do CAPS Damião Ximenes Lopes de Sobral-CE, para atualização do Acolhimento nesse serviço, convergente com as propostas da PNH e SUS, de modo que possamos contribuir com a educação permanente e organização do processo de trabalho dos profissionais do CAPS. Pretende-se com esse Projeto de Intervenção contribuir com a qualificação dos profissionais do CAPS Damião Ximenes através possibilitando um momento prazeroso de estudo e discussão sobre o tema Acolhimento que é bastante importante na área da saúde, visto ser a porta de entrada do usuário ao serviço. Nessa experiência de estágio e estudo sobre esse campo de atuação possibilitou-me um novo posicionamento que mesmo nas condições de estagiárias pude reconhecer participando de troca de saberes e vivendo a pratica do trabalho profissional. Vi a eficiência de programas e a insuficiência de recursos dentro de um centro que trabalha diariamente com pessoas, famílias e sofrimentos intensos. Nesta intervenção proposta a realizar-se com profissionais do serviço a todo o momento o foco nunca foi interferir na dinâmica de funcionamento do serviço, mas sim melhorias ao atendimento e necessidades dos usuários. O Acolhimento deve ser realizado de forma mais atenciosa e precisa, onde a escuta qualificada seja instrumento de trabalho do profissional e que dai inicie-se a formação de vinculo entre profissional/paciente para que assim o mesmo sinta-se acolhido mesmo sabendo que será direcionando posteriormente a outro profissional e juntos realizem um bom trabalho que na verdade já começou a partir de sua entrada na porta do serviço. Contudo, faz-se necessário o fortalecimento da Educação Permanente dos profissionais da saúde pautados na Política Nacional de Humanização para que assim todos sejam responsáveis por uma melhor saúde municipal, estadual e em todo nosso país.


1 Acadêmica de Psicologia 10º semestre – Faculdade Luciano Feijão-FLF/ Sobral-Ceará

2 Psicólogo; Especialista em Caráter de Residência Multiprofissional em Saúde da Familia-UVA/ESFSFVS; Mestre em Saúde da Família-UFC-Sobral; Professor, Orientador e Coordenador de Estágio na Ênfase Social, Institucional e Organizacional do Curso de Psicologia da Faculdade Luciano Feijão-FLF/Sobral-Ceara.

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