Psicologia do Destino de Szondi parte I



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Psicologia do Destino de Szondi
Adalberto Tripicchio MD PhD
Considerações históricas do conceito de destino

A palavra destino costuma provocar penoso embaraço em muitos dos cientistas contemporâneos. E esta afirmação é verda­deira, quer seja abertamente confessada ou discretamente negada.

A cadeia de associações condicionadora deste constrangi­mento segue geralmente o mesmo caminho que, em seu desen­volvimento histórico, seguiu no passado a palavra destino. Queiramos ou não, somos obrigados a pensar nos múltiplos métodos dos oráculos (Índia, China, Grécia etc.); de­pois, mais distante, no Karma como representação do determi­nismo interior; nas reencarnações, no Samsara (dos hindus e budistas), ou seja, no ininterrupto ciclo da vida, do nascimento à morte e renascimento; na astrologia e nos horóscopos (dos caldeus), na anánke e heimar­méne, na moira e tyche (dos gregos), no fatum e necessitas (dos latinos). Podemos lembrar também, por exemplo, a Provi­dência Cristã (Sto. Agostinho) e a individuelle fortuna (da Renascença); Schiller e os dramas do destino, do Romantis­mo, e por aí vai.

O ocultismo mágico e o irracional parecem estar intima­mente ligados à palavra destino. A própria filosofia do destino, do século XIX, mal pôde alterar esta concepção. Assim lemos na obra de Schopenhauer, de 1851, no trabalho "So­bre a aparente intencionalidade no destino de cada um":

"O fato de todo acontecimento, sem exceção, ocorrer com a mais rigorosa 'necessidade' é uma verdade apriorística, conse­qüentemente inabalável. Quero denominá-Ia aqui fatalismo demonstrável".

A isto, Schopenhauer contrapõe um outro tipo de fatalismo, o fatalismo transcendental, dizendo: "De qualquer forma, porém, trata-se de um fatalismo de grau superior, quando reconhecemos que tudo o que acon­tece neste mundo é ao mesmo tempo planejado e inevitável; tem atrás de si uma determinação fatalista, mas não cega. Com este tipo de fatalismo - não demonstrável como o fatalismo puro e simples - todos nos defrontaremos, mais cedo ou mais tarde, talvez aceitando-o temporária ou definitivamente, de acordo com nossa mentalidade. Podemos denominá-Io fatalismo transcendental, para distingui-lo do fatalismo comum e demons­trável". E continua: "A repetida ocorrência da mesma predeterminação leva pouco a pouco à opinião, que muitas vezes se transforma em convicção, de que o curso da vida de cada indivíduo, por mais confuso que possa parecer, é um todo tão harmonioso quanto a mais bem planejada obra épica, tendo de­terminada tendência e sentido didático".


Isto foi corroborado por Schopenhauer em nota de rodapé: "Nem nossa ação, nem o curso da vida é obra nossa, mas sim aquilo que ninguém considera como tal, ou seja, nossa essência e existência. Em conseqüência, a vida do homem está irrevo­gavelmente traçada, com todos os pormenores, já no nasci­mento [...]".

Aquilo que o filósofo do século XIX expôs de modo pura­mente especulativo, com os pesquisadores do século XX trans­formou-se em ciência natural. A simples citação dos títulos de algumas obras o comprova. Em 1929 foi editado o tratado de Lange, "Crime como Destino"; em 1931, Schultz publicou "Desti­no e Neurose"; em 1932, apareceu "A Hereditariedade como Destino", estudo caracterológico, de Pfahler; de 1936 data "Destinos da Vida de Gêmeos Criminosos", de Krans; em 1944 publicou-se "Caráter e Destino", de Rudert.

De há muito, caráter e hereditariedade são considerados como des­tino e suas regras e leis, determinadas de modo exato por méto­dos das ciências naturais. No presente, não só a genética se permite falar em destino, mas também a medicina interna. Em 1940, apareceu o livro de Hollmann, "Doença, Crise Vital e Des­tino Social"; e, em 1956, escreveu Jores em seu livro "O Homem e sua Doença": "Todo médico atento, ao estabelecer um levantamento cuidadoso dos antecedentes familiares e pes­soais de seus pacientes, surpreende-se cada vez mais com as conexões entre doença, destino vital e destino social. Os três fato­res se entrelaçam intimamente". Na clínica médica, Von Weizsäcker foi o precursor destas idéias. Desta forma, o destino quase se tornou uma terminologia médica.






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