Práticas pedagógicas de inclusão em um projeto de extensão universitária pedagogical practices of inclusive educacional in an university extension project resumo



Baixar 1.54 Mb.
Página5/6
Encontro01.12.2019
Tamanho1.54 Mb.
1   2   3   4   5   6
Casos de intervenção pedagógica

O planejamento pedagógico para trabalhar com J.C, seguindo a orientação já institucionalizada na casa, tem como ponto de partida as atividades escolares. Assim como as outras estagiárias, a rotina inicia-se com a conferência do que foi desenvolvido pela criança, no caso de J.C. durante o turno matutino na escola, e a estagiária o auxilia, então, tanto com as “tarefas de casa” quanto no aprofundamento dos saberes priorizados pela professora da APAE na seleção de seu currículo.

O contato diário entre a estagiária e J.C. se deu no final de maio e início de junho de 2016. É de grande relevância destacar que até a elaboração do presente relato de experiência a estagiária desconhecia os diagnósticos psicológico e psiquiátrico feitos pela instituição e pela escola que ele frequenta. De igual modo era ignorante à medicação a ele administrada diariamente, isso porque a instituição não considerou importante informá-la a respeito, seguindo política de sigilo da mesma.

Ao longo de quatorze semanas de acompanhamento diário, com atividades diversas realizadas com o sujeito em foco, a estagiária pôde perceber melhora na atenção, no interesse e progresso na aprendizagem e desenvolvimento do mesmo em diferentes aspectos. As principais dificuldades encontradas referem-se ao comportamento de recusa na execução das tarefas como uma reação bem específica à proibição de “mexer no computador”. Esta é uma medida restritiva definida pela equipe gestora da casa, quando não somente J.C, mas qualquer outro acolhido, não respeita as regras de convivência, quer na escola, em atividades comunitárias que na própria instituição.

A seguir são relatados breves casos da intervenção pedagógica da estagiaria com J.C, considerados momentos de aprendizagens significativas.

Aprendendo a letra cursiva

Ao perceber que a criança ainda não tinha domínio do registro em letra cursiva e que esta habilidade era recorrentemente cobrada pela professora de sua escola regular, a estagiária também buscou priorizar seu auxílio nesta área.

De início, escrevia as vogais e consoantes em letra cursiva no papel para a criança fazer igual, seguindo o modelo de tarefas encontrado em seus cadernos escolares. O garoto, porém, sempre reclamava que não “dava conta”, pedia para fazer “pontilhados para passar em cima” ou “pegar na mão” para ajudar. Até que um dia a estagiária encontrou uma lousa na sala e teve a ideia de usá-la como um instrumento adicional. Apoiando a lousa em uma cadeira à frente da criança, a estagiária, sentada no chão, escrevia as vogais no quadro, narrando os movimentos e J.C. começou a fazer igual no caderno, alternando também com escritas na própria lousa.

Relatamos como a alteração de um detalhe simples e até considerado “tradicional”, que foi o uso da lousa como instrumento didático, desencadeou um processo de aprendizagem até então bloqueado e que gerava comportamentos de desmotivação na criança. Ao se perceber capaz de finalmente atender ao desafio de escrever a letra cursiva, o discurso já não foi mais de desânimo, mas de autoestima: “Ê, tia, como eu sou danado, né?”



Aprendendo a colorir

Quando a estagiária começou seu contato com J.C., ele coloria fora dos contornos do desenho, como se rabiscasse, e usava as mesmas cores, além de deixar os lápis de cor fora do estojo. A estagiária dedicou-se, então, a instruí-lo com estímulos verbais e orientações básicas como pedir para “não colorir em cima de onde já está colorido”, “não colorir muito forte”, respeitar as linhas limites do desenho e diversificar o uso das cores. O resultado em poucas semanas de intervenção já é visível e assim descrito pela estagiária: “[...] agora ele está deixando o desenho mais colorido, não deixa sair tanto e tenta colorir mais em círculos”.