Práticas pedagógicas de inclusão em um projeto de extensão universitária pedagogical practices of inclusive educacional in an university extension project resumo


Keywords: inclusive education; University Extension; teacher training; pedagogical practice. Introdução



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Keywords: inclusive education; University Extension; teacher training; pedagogical practice.
Introdução
O presente relato de experiência tem como contexto de realização um projeto de extensão universitária desenvolvido em uma organização não-governamental (ONG) no município de Araguari (MG).

A ONG em questão foi fundada em 31 de maio de 1959 para servir à população empobrecida e em vulnerabilidade social de Araguari e região. Há cinquenta e quatro anos desenvolve atividades beneficentes e filantrópicas, voltadas ao cuidado integral do ser humano.

É a instituição que desde 2006 coordena, em âmbito municipal, o programa de atendimento na modalidade “casa lar”. Tal programa acolhe crianças e adolescentes em situação de risco social e pessoal, separadas da convivência com a família original a partir de decisões com mandato judicial. Uma vez levadas à instituição, passam a residir, em caráter provisório, na aldeia de casas lares. Esta possui ao centro do complexo um prédio administrativo e uma quadra coberta. À esquerda encontra-se a casa para meninos de sete a dezoito anos incompletos e à direita outras duas casas, uma para meninas da mesma faixa etária e outra para bebês e crianças de zero a sete anos incompletos. As três casas são rodeadas de área verde com amplo espaço para playground, horta e jardins. Além do acolhimento das crianças e adolescentes, a ONG acompanha as famílias dos acolhidos com um projeto de intervenção denominado “Escola de Pais”. Todos possuem um histórico de abandono, negligências nos cuidados básicos e sofreram vários tipos de violências.

Para execução do programa, a ONG conta com recursos financeiros provenientes de um Termo de Ajuste de Conduta celebrado com a Prefeitura Municipal de Araguari para remuneração de seu quadro de funcionários que, atualmente, é composto por doze pessoas, divididas em equipe técnica e demais colaboradores. A equipe técnica possui um profissional de cada uma das seguintes áreas: gestão, pedagogia, psicologia e serviço social. Os demais oito colaboradores são um motorista, uma auxiliar de serviços gerais e seis cuidadoras. Essas, em turnos de 12h por 12h, ficam diretamente com as crianças nas três casas que compõem a aldeia de casas lares e desempenham o papel de “mãe social”. Suas atribuições práticas são ocupadas de modo predominante pelas tarefas domésticas: limpeza da casa, roupas e alimentação cotidiana das crianças. Muito mais que executar essas tarefas, as mães sociais têm a responsabilidade de ensinar os acolhidos a cuidar da casa em que vivem, organizar o quarto e pertences pessoais bem como zelar pela higiene e bons modos.

A função de auxiliar com as tarefas escolares é atribuição da pedagoga.Com tudo a pessoa contratada para esse cargo cumpre apenas 20 horas semanais, de modo a ser em termos práticos impossível o acompanhamento pessoal dos trinta acolhidos, quando a instituição esta em seu limite máximo.

Assim, no início de outubro de 2014, o Instituto Master de Ensino Presidente Antônio Carlos – IMEPAC/Araguari, em consonância com seus princípios de responsabilidade social, enquanto única instituição de ensino superior (IES) presencial do município, tornou-se parceiro da ONG no projeto casa lar. O primeiro curso de graduação da IES que se engajou no projeto de extensão foi justamente o de pedagogia com a disponibilização de duas estagiárias cumprindo 20 horas semanais, oferecendo, aos internos, atividades de reforço escolar, com intuito de auxiliar as crianças e adolescentes acolhidos no seu desempenho escolar.

O presente relato de experiência é fruto das vivências de uma dessas estagiárias, supervisionada pela coordenadora do projeto de extensão na faculdade, ambas autoras do presente trabalho. Assim descreve a estagiária, acadêmica do quarto período do curso de Pedagogia, em seu relatório:

Quando fiquei sabendo do projeto da faculdade junto com a [...] ( ONG) logo interessei, pois havia feito trabalho voluntário com as crianças e vi uma nova oportunidade de trabalhar novamente com eles. Iniciei meu estágio no dia 11 de abril de 2016 auxiliando seis crianças com idades de 8 a 14 anos nas atividades escolares, estimulando a leitura, a importância do respeito com o próximo, com a higiene pessoal, cuidar do ambiente que eles vivem.

Uma criança em especial me chamou atenção, pois todas as cuidadoras relatavam que ele é uma criança difícil, problemática na escola, briga com os outros que moram com ele, não gosta de fazer tarefas. Quando a coordenadora da casa disse que ele ficaria comigo no reforço, foi um desafio. A partir daí que fui buscando como trabalhar com ele, quais os métodos utilizar com uma criança que tem dificuldade de aprendizado e pouquíssima atenção. Não olhando apenas para o aprender, mas sim como conviver em harmonia com ele, que as coisas não são resolvidas a base do grito mas sim conversando e olhos nos olhos. Esse desafio que me fez ir buscar novas alternativas de aprendizado e relacionamento com outras pessoas.
Encontra-se neste relato a primeira dificuldade encontrada pela estagiária ao aceitar o desafio de iniciar a presente experiência pedagógica: a chamada profecia autorrealizável. Inspirado no mito grego de Pigmaleão, este conceito aparece pela primeira vez na literatura educacional na obra de Rosenthal e Jacobson (1968, apud BRITTO; LOMONACO, 1983), os quais desenvolveram uma pesquisa em escolas norte-americanas de modo a constatar que as expectativas dos professores se concretizavam no desempenho escolar de seus alunos. Ao ouvir das cuidadoras que a criança a ser por ela acompanhada “não gosta de fazer tarefas”, “é difícil e problemática na escola”, a estagiária viu-se diante da tentação de acatar esse rótulo e estabelecer sua relação com essa criança nos moldes da profecia autorrealizável.

Contudo, assume uma disposição de não conformação e apropria-se do desafio, tendo como referência o exemplo de Paulo Freire (2002):

Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que-fazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo, educo e me educo.

O nome da criança é J.C, tem oito anos e estuda na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE). É acompanhada por médico psiquiatra desde que chegou à casa lar, aos cinco anos de idade, fazendo uso de medicação rotineira para tratamento de psicoses delirantes, incluindo-se a esquizofrenia, bem como de drogas antiepiléticas e de sedação.

Por se tratar de uma criança cujo perfil se enquadra na educação inclusiva, apresenta-se a seguir breve revisão de literatura sobre a temática, tendo como foco, sobretudo a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva


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