Província da África Austral – Sector de Moçambique


Espiritualidade marista nas Filipinas



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24.Espiritualidade marista nas Filipinas
Ano de Espiritualidade
web page 05/08/2008
As acções (17 ao todo) que decorreram no sector marista das Filipinas atingiram, de facto, muito gente: 950 professores e pessoal de serviço e 920 estudantes. Espero que esta “quantidade” esteja aliada a uma “qualidade” de recepção da mensagem oferecida e compartida. O trabalho feito em grupo, os respectivos relatórios e perguntas subsequentes fazem-me acreditar que a qualidade não faltou.

Uma surpreendeu-me: “Como pode o Irmão Teófilo apresentar-nos a água como símbolo de vida quando o que vemos à nossa volta diz antes que ela é símbolo de destruição e de morte?”.

Devemos conhecer o contexto da pergunta para a compreender na sua totalidade. Por esses dias (última semana de Junho) as Filipinas tinham sido “visitadas” por três elementos, relacionados com a água. Todos tinham mostrado uma destruição inimaginável: 1) intensas chuvas; 2) o tufão “Frank”; 3) o afundamento do barco The Princess of Stars com 800 pessoas, das quais só 57 até hoje, foram encontradas vivas.

Adiantaria, então, pregar que na Espiritualidade Marista a água é símbolo de vida? Mas não fujo à pergunta. Eu estou perfeitamente consciente de que a água pode ser símbolo de destruição e de morte. A experiência filipina destes dias demonstra-o à saciedade.

A resposta jaz no sentido conotativo ou até na ambiguidade dos símbolos. Os símbolos podem ter mais de um sentido. Podem ter muitos mesmo e, às vezes, até de sinal contrário. A Bíblia, em algumas passagens, apresenta a água como símbolo de destruição e de morte. Não penso necessariamente no Dilúvio. Mando o meu interlocutor antes para a bela catequese de São Paulo, em Romanos 6. É uma catequese sobre o baptismo. O texto não menciona directamente a água, mas é claríssimo que com Cristo morremos para com ele ressuscitarmos. O mergulhar na água que o texto paulino sugere ainda é em algumas igrejas o rito do baptismo. O simbolismo é evidente: significa morrer com Cristo, para depois viver com ele. Morrer com ele e viver com ele significa aqui a morte do pecado na nossa vida. Estamos em presença de uma “boa” destruição, de uma “boa” morte: a destruição e a morte do pecado.

Por coincidência, havia na Assembleia algumas religiosas e algumas mulheres muçulmanas. Aproveitei para referir um MESMO símbolo que todos podiam ver, mas com um significado completamente diverso, até oposto: o VÉU. Do que me lembrava da Teologia da Vida Religiosa que dei no Escolasticado de Nairobi o VÉU da religiosa REVELA a sua pertença e a sua consagração a Deus. Nesse mesmo Escolasticado dei a disciplina de Estudo Comparado das Religiões que me ensinou que o VÉU da mulher muçulmana ESCONDE a sua face para evitar ao homem tentações desnecessárias. Este era o ensinamento do profeta (Maomé) que tinha 9 mulheres e que permitiu aos seus seguidores só ter 4. O VÉU: um mesmo sinal com dois significados opostos: REVELAR e ESCONDER.

Voltando à água, eu admitia o poder destruidor e mortífero dela. Nessas circunstâncias eu remetia-me e remetia o meu interlocutor para uma resposta de Madre Teresa a uma pergunta semelhante. Eu não compreendo muitos dos desastres naturais que assolam a humanidade, mesmo que alguns possam ser explicados cientificamente. E o homem pode fazer pouco contra eles. O que eu sei é que posso confiar todas as vítimas dessas catástrofes à misericórdia divina.

Mas há catástrofes que não são naturais e são fruto da “estupidez humana”. O exemplo era claríssimo no que tinha acontecido nas Filipinas nessa semana: o homem pouco podia fazer contra as chuvas intensas e o furacão “Frank”. Mas como se pode deixar viajar um barco que não tem as condições mínimas de segurança, sobrelotado e navegando em condições atmosféricas que convidavam a ficar ancorado no porto? Só a ganância, a vontade de enriquecer a todo o custo, mesmo pondo em perigo a vida das pessoas pode explicar isso. Estas catástrofes sim, tem que ser condenadas e com um pouco de bom senso poderiam ser evitadas. Neste caso, a água foi símbolo de destruição e de morte; mas em última instância, foi a “estupidez humana”, a ganância desmedida a causadora de tanto sofrimento.

Mas, conhecidas todas estas possibilidades dos símbolos, eu continuava a dizer que a nossa ÁGUA DA ROCHA só pode ser uma água que dá a vida. Finalmente ela se refere a Cristo, a “água viva” (cf Jo 4, 10-11) capaz de nos tornar também “fontes de água viva” para os outros (cf Jo 4, 14; AdR, 14). O meu interlocutor tinha compreendido.

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Ir. Teófilo Minga
Bangkok, 8 de Julho de 2008




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