Projeto de Comunicação da Política Nacional o papel do coletivo na promoção da saúde



Baixar 21,1 Kb.
Encontro07.05.2018
Tamanho21,1 Kb.

Projeto de Comunicação da Política Nacional
O papel do coletivo na promoção da saúde
Soluções criativas para resolver problemas do cotidiano. É assim que diferentes coletivos atuam na Política Nacional de Humanização e criam experiências do SUS que dá certo

A valorização do trabalho e do trabalhador constitui uma das diretrizes da Política Nacional de Humanização (PNH) e é por meio dela que se aposta na construção de espaços coletivos para resolver problemas do dia a dia. Segundo a Cartilha da PNH, um espaço "pode ser o próprio ato de um atendimento no serviço de saúde, de uma visita à casa de uma determinada família, da realização de um grupo ou uma oficina de planejamento, uma reunião do Conselho Local de Saúde, uma roda de conversa temática, etc."

Foi dessa forma, ou em um desses espaços, que equipes de Saúde da Família e de Saúde Mental do Centro de Saúde Paranapanema, em Campinas, encontraram uma solução criativa para um problema de depressão que se arrastava há tempos. O relato que aparece no documento ilustra um tipo de situação muitas vezes encontrada em diferentes postos de atendimento de saúde do país.

Anésio era um senhor de 74 anos que, mesmo medicado e com pressão arterial controlada, mantinha um quadro de depressão inalterado. Solitário, demandava extrema atenção dos atendentes e não respondia bem aos antidepressivos. Depois de discutir o caso em roda, a equipe decidiu chamar uma psicóloga para apoiar a discussão. Um dos agentes comunitários de saúde sugeriu visitar Anésio em casa para obter mais dados sobre sua vida pessoal que pudessem ajudar no tratamento. O resultado foi certeiro.
Silêncio e solidão
Na visita domiciliar, os agentes confirmaram que Anésio sofria pela solidão. Marceneiro aposentado e hábil, contou histórias e mostrou peças de madeira que havia construído. A expressão tristonha deu lugar a olhos cheio de brilho e uma surpreendente vitalidade.

A equipe voltou à roda de conversa na Unidade Básica de Saúde (UBS) e dividiu a descoberta com a psicóloga e os outros membros do grupo. Foi aí que surgiu a ideia: por que não propor ao marceneiro ensinar um ofício aos adolescentes do bairro? Em pouco tempo, a varanda de seu Anésio transformou-se em oficina-escola, repleta de jovens, de movimento e de vida. Com isso, as queixas e as visitas de seu Anésio à UBS diminuíram. O "diagnóstico" dos profissionais de saúde, em concordância com o próprio marceneiro, era que ele precisava de convivência com as pessoas, "sentir-se útil, produtivo, incluído na sua comunidade, contribuindo com ela de alguma maneira". Por meio do trabalho e do contato com os jovens, Anésio ressignificou a vida e melhorou o estado de saúde.

Aos poucos, a oficina-escola cresceu. Os agentes comunitários de saúde ajudaram a equipar a marcenaria com ferramentas e sucata de madeira. Um usuário doou maquinário de carpintaria.

A história do senhor Anésio voltou à roda de conversa e serviu para que os trabalhadores começassem um levantamento de casos similares ao dele: uma mistura de solidão, medicamentos, ausência de sentido de vida e, por outro lado, muitos saberes acumulados e possibilidades de partilha. A equipe realizou um mapeamento na região, detectou potencialidades e acionou o Conselho Gestor Local e várias frentes de trabalho. Os profissionais visitaram Distrito de Saúde, serviço de Saúde Mental, escolas, secretarias de Cultura, de Obras, de Desenvolvimento Social, entidades da comunidade como grupos de jovens, de mulheres, times de futebol e associações de bairro para criar conexões e ampliar a rede. O resultado foi o surgimento do Portal das Artes, um espaço com atividades de marcenaria e cursos de artesanato, de línguas, atividades lúdicas, de relaxamento, musicais e muito mais.

Essa história aconteceu durante a implementação do Projeto Paidéia de Saúde da Família, existente desde 2001, "quando muitos profissionais se re encantaram com a inclusão dos agentes comunitários de saúde, com a reorganização do processo de trabalho e as produções coletivas que puderam ser inventadas".

Para saber mais sobre a Rede Humaniza SUS

www.redehumanizasus.net


Contatos

Sheila Souza
sheila.souza@saude.gov.br
Tel.: 61 3315 9130 

Jornalista da PNH - Secretaria de Atenção à Saúde



Ministério da Saúde
www.saude.gov/humanizasus
www.redehumanizasus.net

O que é PNH – A Política Nacional de Humanização é uma política pública transversal e atua como eixo norteador em todas as esferas do SUS. Além do respeito ao direito do usuário, apoia processos de mudanças nos serviços para torná-los mais acolhedores, com atenção para as necessidades objetivas e subjetivas dos usuários. Promove a gestão participativa, ampliando o diálogo entre os gestores dos serviços, os profissionais de saúde e a população. A PNH completou 10 anos em 2013.




Compartilhe com seus amigos:


©psicod.org 2017
enviar mensagem

    Página principal