Prefácio do tradutor



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Conclusão


Tudo quanto deixamos escrito atrás não representa originalidade de idéias. A isso não aspiramos, porque bem sabemos que ninguém pode ser original nas idéias, embora o saiba ser nos conceitos. Este é um dos pontos em que o querer não é suficiente para conseguir o poder, nem mesmo com o auxílio do saber, porque, sendo o espírito humano reflexo e imagem do espírito divino, não pode nunca brilhar com luz própria, mas sim com a luz que de Deus recebe, como os planetas brilham com a luz do sol.

Quando, porém, o espírito humano se deixa ensombrar pelos preconceitos, pelos erros e pelos equívocos duma crença facciosa, partidarista e sectária, no intuito orgulhoso de monopolizar a verdade que se supõe revelada por Deus apenas a uma casta de homens, como se os outros fossem ilotas ou párias do seu reino, então as idéias torcem-se, desvirtuam-se e adulteram-se, à semelhança das grotescas imagens refletidas nos espelhos côncavos e convexos.

O erro ainda é mais grave, quando um único homem, apenas com a autoridade que lhe dá a sua jactância, se arvora em definidor da verdade absoluta, qualificando de erro tudo quanto for contrário às suas opiniões pessoais.

Estamos prontos a demonstrar que de todas as doutrinas contidas nos capítulos desta obra não há uma só que possa conduzir a juventude para os despenhadeiros do orgulho, da vaidade ou da soberba. Pelo contrário, todas as nossas exortações e conselhos tendem a nortear a geração futuro, pelos verdadeiros caminhos que, durante séculos, lhes ocultaram aqueles que, podendo ser a luz, se converteram nas trevas que envolvem a humanidade.

Afirmamos bem alto que o espírito humano é de natureza divina e que a sua evolução, na forma material, lhe serve de instrumento para desenvolver gradualmente as potências intrínsecas da vontade, da sabedoria e da atividade, que constituem a sua essência trina e una, à semelhança de Deus.

Diremos à juventude, sem distinção de sexo, de raça ou de crença religiosa, que há verdades basilares, princípios fundamentais, que são universais por serem divinos, não sendo possível encerrá-los numa rede de malhas grosseiras, entretecidas pela superstição, porque convêm igualmente a todos os homens de todos os tempos e de todas as nacionalidades. Acrescentamos que a estas verdades, cuja evidência excede a dos axiomas matemáticos, se deve ajustar o procedimento de todo o jovem que queira fazer da sua vida terrena uma magistral preparação para a vida futura.

Propomos aos adolescentes o alto ideal que todos, absolutamente todos, podem conseguir, pois a todos é acessível, e que consiste em aperfeiçoarem o seu caráter, por meio da alquimia espiritual que elimina a escória dos vícios e torna brilhante o puríssimo ouro da virtude.

Repetimos-lhe que a confiança em si próprios não deve cair no extremo oposto da jactância e muito menos no da soberba, mas deve antes ser acompanhada da confiança em Deus, equivalente à confiança na atuação das leis que regem o mundo moral, tão sábias e imutáveis como as que governam o mundo material.

Completamos o antigo adágio: querer é poder, dizendo e demonstrando que não basta querer para poder, pois é necessário saber o que se quer. Sem a sabedoria e a vontade, é impossível a ação.

Aconselhamos os jovens a concentrarem todas as energias do seu ser na profissão, ofício ou outro gênero de atividade a que os conduza a sua natural aptidão. Devem sacrificar os prazeres mundanos, pôr de parte as diversões doentias, evitar as despesas supérfluas, de maneira que apliquem, no perfeito conhecimento da índole e na técnica da profissão escolhida, o tempo, o dinheiro e o esforço malbaratados em deprimentes frivolidades, sem que por este motivo devam abster-se dos recreios honestos e prazeres amenos em que consiste a genuína e saudável diversão do trabalho quotidiano.

Tudo quanto dizemos e aconselhamos aos adolescentes está de harmonia com a verdadeira natureza do ser humano. Não há nas nossas palavras nada que seja utópico, quimérico ou ilusório. É uma realidade que certamente não se consegue num dia, nem todos podem consegui-la ao mesmo tempo, porque não é um objeto físico que todos facilmente possam atingir, mas um ideal moral, cuja consecução depende do trabalho interno de cada indivíduo. Também não expusemos nada que se oponha às crenças religiosas da mais pura ortodoxia, se, dando a esta palavra o seu verdadeiro sentido, queremos significar como tal a crença primitiva e original duma religião, excluindo, porém, as sobreposições, aditamentos e cerziduras com que, no decorrer do tempo, o fanatismo sectário adulterou as doutrinas do seu fundador.

Afirmamos que o nosso verdadeiro ser, a nossa espiritual natureza superior, o Eu real, é essencialmente bom, sábio e indefinidamente perfectível, de maneira que o ideal de amanhã será muitíssimo mais elevado que o de hoje.

Prevenimos a juventude que não seja temerária em tentar empresas superiores às suas forças; mas, por outro lado, aconselhamo-la a ter coragem, assegurando-lhe a possibilidade de aumentar as suas forças de hoje, de modo a estar amanhã preparada a realizar com probabilidades de êxito a empresa que ontem lhe foi impossível efetuar.

Finalmente, explicamos que o êxito é um produto de vários fatores, e, embora os principais sejam a vontade e a sabedoria, há outros, como a aptidão, o talento, o ambiente, a educação e as circunstâncias de lugar e tempo ou ocasiões, que contribuem poderosamente para transformar o querer em poder.



1 G. Compayré, Cours de Pédagogie, pág. 230.

2 “Companhia Telegráfica de Ouro e Cambiais”, N. do T.

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