Prefácio do tradutor



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Prefácio do Tradutor


De toda a obra filosófica que Marden generosamente produziu para benefício da humanidade é este um dos livros mais sensatos e substanciosos, onde refulgem, como pérolas de fino engaste, os ensinamentos e os conselhos mais belos e salutares.

Os que lerem este livro – incluindo os amoucos das velhas doutrinas, que costumam esboçar um gesto de enfado em leituras transcendentais – hão-de notar, logo nas primeiras páginas, a preocupação do autor em realçar a importância da vontade como fator máximo na vida do homem. Não porque pretenda consubstanciar na vontade todas as potências da alma – ele próprio o declara –, mas porque entende, como, aliás, o reconhece a psicologia contemporânea, que a vontade é o principal fulcro das ações humanas.

– A vontade, diz Gabriel Compagré, é o agente essencial da virtude. Sem ela não se pode triunfar no mundo, não se podem vencer as dificuldades e modificar as circunstâncias da vida. Nos grandes ou nos pequenos negócios, a vontade prepondera sempre. Chega a ser mesmo um elemento do gênio. Os inventores e os benfeitores da humanidade só à custa de nobres esforços e duma enérgica perseverança conseguiram realizar a sua obra. Em todos os graus da escala social a vontade é a base da qualidade essencial do homem – o caráter 1(1).

Marden, porém, ponderado sempre nas suas afirmações, esclarece que não basta querer para poder; é necessário saber. E, assim, com um sugestivo poder de análise que convence e contagia, forma a bela trilogia da vontade, da sabedoria e da atividade, como potências inerentes apenas à natureza humana, em oposição à fórmula antiquada e cediça de memória, entendimento e vontade, que abrange igualmente os animais, e que desvirtua o pensamento divino, sublimemente construtivo.

Todos conhecem a ideologia do aforismo – querer é poder –, mas poucos são os que penetram a fundo no seu espírito, procurando fugir à influência dos sentimentos que degradam, para simplesmente escutarem a voz de secretos e criminosos instintos. E, assim, há uma grande maioria de consciências que, querendo ser honrada, não pode consegui-lo, por dar ouvidos às vozes espectrais da ambição, do egoísmo e da mentira, que geram a insinceridade, pondo trevas na alma para maior perversão do caráter.

Há uma grande necessidade de educar toda a gente – desde o ministro ao simples operário –, para que toda a gente, numa real compreensão dos seus deveres morais e sociais, não dê sustento às burlas, à vigarice, ao latrocínio, ao homicídio, a toda essa coorte de espectros diabólicos que têm imperado mais horrendamente depois da guerra no espírito social.

É necessário que todos os homens de caráter perfeito e inteligência lúcida façam a propaganda cerrada das virtudes mais belas que podem florir na alma humana, não só pelo livro e pelo jornal, mas pela conferência e mesmo pelo comício. É necessário despertar e estimular em todos uma vontade consciente, para que possam, numa multiplicidade de ações inteligentes, benéficas e generosas, imprimir um novo estádio de civilização em toda a humanidade.

Querer é poder não é uma frase vã e despida de conceito. É a expressão máxima do pensamento humano, é a meta luminosa do futuro que o rebanho panígico dos que teimam em se manter deploravelmente jugulados pela rotina desqualificada e ignóbil precisa de atingir dentro do mais curto prazo, para decoro mundial.

Eduquemo-nos. Melhoremos o nosso caráter, depuremos os nossos costumes.

A educação, completada pela auto-educação, prepara-nos para a vida integral, dentro da mais ampla e perfeita lei moral.

Os que quiserem elevar-se acima do pântano sombrio onde vegetam, para se aproximarem da luz radiosa que fulge no cume dos montes, poderão ver despontar nas suas almas a aurora refletida das consciências luminosas, donde irrompe a gênese das saudáveis doutrinas.

Este livro de Marden realizará por certo tão nobre desiderato.

Manuel de Melo



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