Prazeres estéticos 1



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Gosto e beleza
A beleza não é a única qualidade discutida nestas teorias, porque a linguagem crítica geralmente se refere mais precisamente à harmonia, ao equilíbrio, à inteligência, e ainda mais exatamente aos descritores de obras de arte individuais. Mas a beleza é o alvo mais geral de aprovação estética, bem como aquela que se manifesta marcada pela complexidade de gênero, e por isso vai ser o centro desta discussão. A análise de beleza

vai de mãos dadas com conjecturas sobre a possibilidade de discernir ou sentir a beleza,

isto é, com bom gosto. Às vezes, os pensadores especulam sobre as qualidades comuns nos objetos de beleza, mas sem recorrer a uma qualidade objetiva, indiscutivelmente identificável como beleza, muitos filósofos tendem a apelar para a natureza humana comum para posicionar um padrão de gosto.

Um dos escritores mais famosos que analisaram a natureza humana a fim de compreender preferências de gosto e seus fundamentos foi o empirista David Hume. Em seu ensaio "Do Padrão do Gosto" (1757) Hume foi cauteloso em sua abordagem para a localização de um padrão, pois ao contrário de muitos de seus contemporâneos ele relutou em nomear as propriedades em objetos que causam o prazer do gosto. Que existem tais propriedades parece óbvio, mas absteve-se Hume de identificá-los como fez, por exemplo, Edmund Burke, Francis Hutcheson, ou William Hogarth. Hutcheson argumentou que a beleza é causada pela percepção de uma qualidade de composição que chamou de "uniformidade entre variedade"; Hogarth, um pintor e gravador, bem como um teórico, partiu da "linha da graça", uma curva suave em forma de S de certas proporções matemáticas7. Todos os casos de beleza, seja na natureza, pessoas, ou artefatos, exibem linhas curvas em algum grau, reivindicava Hogarth. (40)




Figura 4 William Hogarth, "A Linha da Graça". Detalhe d´après Placa I, A Análise da

Beleza, 1753.)
Como Hume sem dúvida reconheceu, tal objetivo se correlaciona com o sentimento daquilo que hoje chamamos prazer estético (o termo "estética" não foi usado em Inglês até o início do século XIX ) apenas descreve um determinado arco de formas agradáveis ​​e, portanto, tem uso limitado na resolução do problema de gosto. Eles são insuficientes para dar conta de todas as belezas visuais, e muito menos para os prazeres da música ou poesia. Portanto, Hume concentrou-se nas tendências comuns que ele acreditava que foram embutidas na natureza humana para explicar tendências entre pessoas com educação e formação para concordar sobre questões de gosto ao longo do tempo. Ele descreveu em detalhes as qualidades da constituição humana que possibilitam a educação e desenvolvimento de juízos para discernir sobre os objetos de avaliação, incluindo o que ele chamou gosto “delicado" (ou sensível). A teoria de Hume é uma das teorias deste período onde a presença de gênero é bastante sutil e pouco destacada8. Detectamos isso principalmente em observações incidentais que sugerem que ele retrata o modelo de juiz como homem, uma indicação de que ele tenha importado para sua noção de gosto algumas das distorções de gênero já presentes em conceitos da natureza humana. Veremos em breve, com mais detalhes, como o gosto de gênero opera, mas primeiro vamos adicionar às nossas considerações alguma evidência mais explícita da valência do gênero de valores estéticos.

Existem teorias em que nós encontramos não só gênero, mas sexo abertamente em cena na análise de beleza, incluindo uma que foi publicada no mesmo ano que a de Hume, de Burke Investigação Filosófica sobre aa Origem de Nossas Ideias de Sublime e Beleza (1757). Burke não era o escritor mais influente no florescente campo da estética, um laurel que deve ir (como outros tantos) para Kant. Mas há algo a ser dito em favor de nem sempre discutir a filosofia moderna em termos de Kant, e Burke tem outra vantagem: a base do gênero para a beleza não está nem um pouco escondida em sua teoria. Na verdade, ele localiza o gatilho causal para a beleza numa origem erótica. (41)





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